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Início / Safra 2026/27: El Niño, custos e gestão de risco

  • Clima
  • 06/07/2026

Safra 2026/27: El Niño, custos e gestão de risco

Sumário

A safra 2026/27 deve exigir mais disciplina técnica e financeira do agronegócio brasileiro. Segundo a 7ª edição do relatório Visão Agro, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o novo ciclo combina risco climático maior, custos ainda elevados, preços pressionados das commodities e incertezas no cenário internacional.

Na prática, o recado é direto: produtividade continua importante, mas não pode caminhar sozinha. Em um ambiente mais volátil, produtores, consultores, revendas e cooperativas precisam olhar para margem, fluxo de caixa, eficiência no uso de insumos e gestão de risco com a mesma atenção dedicada ao potencial produtivo.

Além disso, o alerta climático ganhou força institucional. Durante o lançamento do Plano Safra 2026/2027, o Ministério da Agricultura e Pecuária assinou portarias voltadas à gestão dos impactos do El Niño e à padronização de coprodutos do etanol de milho, como o DDG.

El Niño volta ao centro da decisão agrícola

O El Niño deve afetar regiões produtoras de formas diferentes. De acordo com o INMET, as previsões para julho, agosto e setembro de 2026 indicam chuvas acima da média em áreas da Região Sul e chuvas abaixo da média no centro-norte do país. Também há tendência de temperaturas acima da média no segundo semestre.

Esse cenário muda o nível de atenção no campo. No Sul, o excesso de chuva pode dificultar operações, aumentar perdas e favorecer problemas fitossanitários. Já em áreas do centro-norte, a irregularidade das chuvas e o calor podem pressionar o desenvolvimento das lavouras, especialmente em janelas críticas de plantio e enchimento de grãos.

Por isso, o governo criou um Grupo de Trabalho com MAPA, INMET e Embrapa para identificar regiões e cadeias produtivas mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno e propor medidas de mitigação e adaptação. A criação desse grupo reforça uma leitura importante: risco climático deixou de ser assunto apenas meteorológico e passou a ser variável de gestão.

Custos elevados exigem eficiência, não cortes sem critério

O relatório do Itaú BBA também aponta um ponto sensível: a volatilidade dos fertilizantes nitrogenados, os preços elevados dos fosfatados e a condição financeira mais delicada de parte dos produtores podem reduzir investimentos em tecnologia ao longo do ciclo.

Esse movimento exige cuidado. Cortar tecnologia sem critério pode aliviar o caixa no curto prazo, mas comprometer produtividade, sanidade e rentabilidade. Portanto, o desafio não é simplesmente gastar menos. O desafio é investir melhor.

Nesse contexto, a assistência agronômica e o planejamento técnico ganham peso. Em anos de maior risco, decisões sobre população de plantas, época de semeadura, manejo de solo, nutrição e manejo de doenças precisam estar conectadas ao ambiente produtivo e ao potencial de retorno de cada talhão.

Portarias assinadas no lançamento do Plano Safra 2026/2027 reforçam a agenda de gestão de riscos climáticos e organização regulatória. Crédito: MAPA / Feed&Food.

Soja, milho e outras cadeias: o que observar

Na soja, o mercado internacional entra no ciclo com estoques mais ajustados. Isso torna os preços mais sensíveis a eventuais perdas de produtividade causadas pelo clima. Já o milho começa com situação interna mais confortável, apoiado pela boa segunda safra anterior, mas segue exposto à demanda de proteínas animais, ao etanol de milho e ao risco climático.

O algodão aparece com uma perspectiva relativamente mais favorável, diante da redução de estoques globais. Por outro lado, arroz, trigo e cana-de-açúcar enfrentam maior pressão de margem. No café, a expectativa de safra recorde pode acomodar preços, embora produtores eficientes ainda tendam a encontrar margens positivas.

O ponto comum entre essas cadeias é a seletividade. Em um ciclo mais apertado, os melhores resultados tendem a ficar com quem consegue produzir com eficiência, controlar custos, proteger margem e adaptar decisões ao comportamento do clima e do mercado.

O que muda para produtores, consultores e empresas do agro

Para o produtor, a safra 2026/27 pede planejamento antes da porteira. Fluxo de caixa, seguro, crédito, compra de insumos, travas de preço e escolha de tecnologia precisam ser avaliados em conjunto. Decisões isoladas tendem a aumentar o risco.

Para consultores e assistentes técnicos, o desafio será transformar dados em orientação prática. Não basta alertar que o clima pode ser difícil. É preciso traduzir esse cenário em recomendação de manejo, priorização de áreas, monitoramento e tomada de decisão durante a safra.

Para revendas, cooperativas e empresas, o cenário reforça a importância de equipes preparadas. Em momentos de margem apertada, a venda consultiva ganha relevância porque o produtor precisa entender por que determinada tecnologia faz sentido, onde ela deve ser usada e qual problema ela resolve. Esse é justamente o tipo de contexto em que a educação corporativa no agronegócio passa a ser estratégica.

Gestão de risco é a palavra da safra

A gestão de risco no agro deixa de ser uma pauta futura e passa a ser uma necessidade operacional. Isso envolve acompanhar previsões climáticas, revisar o histórico da fazenda, entender gargalos de solo e infraestrutura, proteger o fluxo financeiro e manter flexibilidade para ajustar decisões ao longo do ciclo.

Também envolve reconhecer que produtividade e rentabilidade não são a mesma coisa. Uma lavoura pode produzir bem e ainda assim entregar margem baixa se o custo de produção estiver mal dimensionado, se a venda for feita em momento desfavorável ou se o risco climático não tiver sido considerado no planejamento.

Por isso, a safra 2026/27 deve premiar menos a reação e mais a antecipação. Quem planeja melhor tende a errar menos, corrigir mais rápido e preservar margem em um ambiente de maior pressão.

Informação técnica precisa virar decisão

As notícias sobre El Niño, custos elevados, preços pressionados e novas medidas do Plano Safra apontam para um mesmo caminho: o agro precisará decidir com mais método.

O produtor que entra na safra apenas olhando para produtividade pode perder de vista o que realmente sustenta o resultado. Já quem combina conhecimento técnico, gestão financeira e leitura de risco tende a chegar mais preparado aos momentos críticos do ciclo.

Nesse cenário, a Elevagro reforça seu compromisso de transformar informação em conhecimento aplicado. Porque, em uma safra mais desafiadora, decidir bem pode ser tão importante quanto produzir mais. Para seguir acompanhando análises e conteúdos técnicos, acesse o blog da Elevagro.

Foto de Maria Eduarda Botelho

Maria Eduarda Botelho

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