Vigor da semente e produtividade Publicado em:

Neste material você vai entender um pouco mais sobre:

  •  Qualidade de sementes
  •  Benefícios do alto vigor da semente
  •  Relação entre vigor e produtividade

Qualidade da semente

Para obtermos uma lavoura de alta produtividade, dependemos de diversos fatores, entre eles a associação de práticas culturais adequadas, a genética do material e os fatores ambientais (Silveira et al., 2010). Considerando o manejo agronômico, a utilização de sementes com elevada qualidade, ou seja, sementes que possuam os atributos genéticos, físicos, sanitários e fisiológicos, são fundamentais para garantir o máximo potencial da cultura no campo.

Entre os atributos de qualidade, o fisiológico é de grande importância, pois está relacionado à germinação e ao vigor das sementes. Estudos realizados por Carvalho e Nakagava (2012) mostram que sementes com porcentagem de germinação semelhante, oriundas de mesma cultivar, podem apresentar comportamento diferente no desenvolvimento de plântulas quando apresentam diferentes níveis de vigor (Figura 1).

Figura 1 – O vigor afeta visivelmente o estabelecimento inicial das plantas.

Vigor da semente e produtividade

O vigor das sementes pode ser entendido como o desenvolvimento rápido e uniforme do estande inicial de plântulas em condições de campo, sejam elas favoráveis ou desfavoráveis (Peske et al., 2012). Na cultura da soja, sementes vigorosas produzem plantas com elevado desempenho, ou seja, com maior taxa de crescimento, sistema radicular mais profundo, maior produção de vagens e sementes por planta, o que resulta em maior produtividade (França-Neto et al., 2016). Em trigo, Henning et al., (2019) observaram que a utilização de sementes de alto vigor promoveu a diminuição de falhas na semeadura, levando a um melhor estabelecimento da cultura no campo e conseqüente impacto positivo na produtividade.

De maneira geral, plântulas originadas de sementes de alto vigor produzem áreas fotossintéticas mais rapidamente, obtendo maior índice de matéria seca quando comparadas a plântulas oriundas de sementes de baixo vigor (Tavares et al., 2013). Em experimento realizado por Rodrigues et al., (2018), foram observados acréscimos de 30% na produtividade da soja com a utilização de sementes de alto vigor. Em trabalhos realizados em nível de campo, em que foram utilizadas sementes de soja de alto vigor, ocorreu um acréscimo de 10% na produtividade da cultura (França-Neto et al., 2012).

Portanto, a utilização de sementes com elevada qualidade é um fator determinante na busca por altas produtividades. Aliado a alta porcentagem de germinação de um lote de sementes, o seu alto vigor contribui para o sucesso da lavoura. Além disso, também devemos destacar que é importante conhecer o tipo de teste de vigor realizado no lote de sementes para conseguirmos interpretar os resultados de maneira correta.


REFERÊNCIAS

CARVALHO, N.M.; NAKAGAWA, J. Sementes: ciência, tecnologia e produção. 5ed. Jaboticabal: FUNEP, 2012. 590p.

FRANÇA-NETO, J.B.; KRZYZANOWSKI, F.C.; HENNING, A.A. Plantas de alto desempenho e a produtividade da soja. Seed News, Pelotas, Pelotas, v.16, n.6, p.8-11, 2012.

FRANÇA-NETO, J. B.; KRZYZANOWSKI, F. C.; HENNING, A. A.; PÁDUA, G. P.; LORINI, I.; HENNING, A. F. Tecnologia da produção de semente de soja de alta qualidade. Embrapa Soja, 2016. 10p.

HENNING, F. A.; ABATI, J.; FOLONI, J. S. S.; BASSOI, M. C.; BRZEZINSKI, C. R.; ZUCARELI, C.; FRANÇA-NETO, J. B.; KRZYZANOWSKI, F. C. Vigor de semente e densidade de semeadura na cultura do trigo em diferentes ambientes de produção do Paraná. Embrapa, Documentos, n. 425, 2019. 15p.

PESKE, S. T.; VILLELA, F. A.; MENEGHELLO, G. E. Sementes: fundamentos científicos e tecnológicos. Pelotas: UFPel, 2012. 34p.

RODRIGUES, D.S.; SCHUCH, L.O.B.; MENEGHELLO, G.E.; PESKE, S.T. Desempenho de plantas de soja em função do vigor das sementes e do estresse hídrico. Revista Científica Rural, v.20, n.2, p.144-158, 2018.

SILVEIRA, G .; CARVALHO, F.I.F.; OLIVEIRA, A.C .; VALÉRIO, I.P.; BENIN, G.; RIBERO, G.R.; CRESTANI, M.; LUCH, H.S.; SILVA, J.A.G. Efeito da densidade de semeadura e Potencial de afiliação sobre a adaptabilidade e estabilidade no trigo. Bragantia , v.69, n.1, p.63-70, 2010.

TAVARES, L.C.; RUFINO, C.A.; BRUNES, A.P.; TUNES, L.M.; BARROS, A.C.S.A.; PESKE, S.T. Desempenho de sementes de soja sob deficiência hídrica: rendimento e qualidade fisiológica da geração F1. Ciência Rural , v.43, n.8, p.1357-1363, 2013.

 

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