DRES: A ferramenta para conhecer o solo. Parte 2 Publicado em:

Neste material você vai conhecer um pouco mais sobre:

  • O método desenvolvido por pesquisadores da Embrapa e da Universidade Estadual de Londrina para a avaliação da qualidade do solo;
  • Como dar as notas seguindo os critérios do método;
  • Interpretação a partir da nota obtida.

 

Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo

O Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo é um método recente de avaliação visual da qualidade do solo que permite rapidez, eficiência e a redução de custos na avaliação da qualidade estrutural do solo. Além de promover a autonomia dos técnicos, estudantes e agricultores, que podem avaliar os impactos de diferentes manejos agrícolas sobre a qualidade do solo, independentemente de laboratórios, técnicas rebuscadas ou empresas. Reconhecendo por meio do método quais práticas trazem benefícios ou são prejudiciais e promovem a degradação do solo, trazendo informações que auxiliam na tomada de decisão sobre quais manejos podem ser adotados visado a qualidade do solo. O DRES ainda permite o monitoramento dos manejos adotados, permitindo o acompanhamento da evolução da qualidade do solo ao longo do tempo.

A Parte 1  apresentou o método e as informações relevantes para que a amostragem e a coleta sejam feitas corretamente, bem como trabalhar a amostra para destorroar o bloco de solo, chegando até os agregados. O próximo passo é a identificação e delimitação de camadas em cada amostra, para posterior atribuição de notas, sendo que:

  • Cada camada é definida por características estruturais semelhantes, como a aparência e tamanho dos agregados, cor, aspecto do sistema radicular e a atividade biológica;
  • Cada amostra pode ter de uma a três camadas, onde é preciso que a camada tenha, pelo menos, 5 cm de espessura para ser considerada;
  • Para cada camada são atribuídas notas de 1 (solo totalmente degradado) a 6 (melhor qualidade estrutural), observando os seguintes critérios:

- Tamanho e forma dos agregados e torrões;

- Presença de aspectos de compactação e degradação do solo;

- Forma e orientação das fissuras;

- Rugosidade das faces de ruptura;

- Resistência à ruptura, distribuição;

- Aspecto do sistema radicular e evidências de atividade biológica.

  • As notas atribuídas à qualidade estrutural de cada camada (Qec) da amostra servirão de base para cálculo da qualidade estrutural dessa amostra (IQEA) e da gleba (IQES).

Mas como se chega efetivamente a nota da camada?


Pela observação de evidências de degradação ou de conservação/recuperação do solo e pela proporção visual da ocorrência dos diferentes tamanhos de agregados após a manipulação da amostra.

Primeiramente se observa na amostra se há a presença de feições de degradação ou de conservação do solo. Uma amostra com agregados muito grandes (7 cm ou mais) ou pulverizados (solo desagregado), com faces lisas de ruptura e ângulos retos, pouca ou nenhuma atividade biológica, raízes tortas crescendo achatadas e por entre fissuras indicam degradação do solo.

Por outro lado, agregados de tamanho médio (1 a 4 cm), arredondados e grumosos, raízes crescendo sem nenhum impedimento e alta atividade biológica sugerem um solo em recuperação ou em estado de conservação. Na figura 1 podemos observar um agregado de solo que apresenta feições de degradação, com faces lisas de ruptura e formação de ângulos retos (Figura 1A), e um agregado de um solo conservado, de tamanho médio, arredondado e grumoso, com raízes crescendo entre o agregado (Figura 1B).

Figura 1. Agregados ilustrando as feições de degradação (A) e conservação (B). Fonte: Arquivo pessoal.genda

O passo seguinte para chegar a nota da camada é a observação da proporção de agregados de tamanho “bom” (de 1 a 4 cm) para a camada com características de conservação/recuperação, e de agregados “ruins” (mais de 7 cm) para a camada com feições de degradação. E a partir da porcentagem destes agregados se chega a nota da camada: Qec.

A nota atribuída a camada (Qec) é relacionada com a sua espessura para a obtenção do Índice de Qualidade Estrutural da Amostra, o IQEA. A partir do IQEA de cada amostra, se calcula o IQES: Índice de Qualidade Estrutural do Solo pela média das notas de cada amostra. O IQES representa a nota geral daquela área homogênea avaliada. De acordo com o IQES recebido, o método ainda apresenta proposições de manejos para o sistema avaliado:

  1. Um solo com IQES de 5 a 6 apresenta qualidade estrutural muito boa e a recomendação é a manutenção das práticas de manejo já seguidas no sistema de produção.
  2. No outro extremo, um solo com IQES 1 a 1,9 apresenta qualidade estrutural muito ruim, e a recomendação é repensar todo sistema produtivo adotado, investigando mais a área com análises químicas e físicas, adotando práticas conservacionistas como terraceamento, operação e cultivo em nível, faixas de contenção, rotação e consorciação de cultivos, desenhando um sistema que promova alto aporte de fitomassa de parte aérea e raiz ao solo.

O DRES é uma metodologia acessível a todos e uma grande ferramenta para observarmos o que o manejo escolhido e todo sistema produtivo está causando ao solo, que é a base do nosso sistema. Há um manual completo, disponível para download no site da Embrapa, elaborado por Ralisch et al. (2017) descrevendo em detalhes cada etapa do método, que foram resumidas aqui com o objetivo de mostrar a simplicidade dos processos a serem seguidos, baixo custo e as poucas ferramentas necessárias para a realização da análise. Bem como o quão fácil se interpreta os resultados e os transformamos em ações concretas visando a qualidade do solo. Ter o conhecimento e poder avaliar as mudanças positivas ou negativas de maneira independente vai nos permitir obter rendimento máximo ao mesmo tempo que preservamos o solo para as futuras gerações.

 


Referências:

AMADO, T. J. C. et al. Qualidade do solo avaliada pelo “Soil Quality Kit Test” em dois experimentos de longa duração no Rio Grande do Sul. R. Bras. Ci. Solo, v. 31, p. 109-121, 2007.

BALL, B. C.; BATEY, T.; MUNKHOLM, L. J. Field assessment of soil structural. Quality: a development of the Peerlkamp test. Soil Use and Management, v. 23, p. 329-337, 2007.

DORAN, J.W.; PARKIN, T.B. Quantitative indicators of soil quality: a minimum data set. In: DORAN, J.W.; JONES, A.J. (Eds.). Methods for assessing soil quality, Wisconsin, p. 25-37, 1996.

KARLEN, D. L. et al. Soil Quality: A Concept, Definition, and Framework for Evaluation. Soil Science Society of America Journal, v. 6, n. 1 p. 4-10, 1997.

RALISCH, R. et al. Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo – DRES. Embrapa Soja: Documentos 390, Londrina, jun. 2017.

REICHERT, J. M.; REINERT, D. J.; BRAIDA, J. A. Qualidade dos solos e sustentabilidade de sistemas agrícolas. Ciência & Ambiente: Agricultura Sustentável, Santa Maria, v. 27, jul./dez. 2003.

SHEPHERD, T. G. Visual Soil Assessment: Volume 1. Field Guide for

Pastoral Grazing and Cropping on Flat to Rolling Country. 2 ed. 119 p. 2000.

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