Por que usar plantas de cobertura do solo? Publicado em:

Neste material você vai entender um pouco mais sobre:

  •  Importância do solo para manutenção da vida;
  •  Influência de plantas de cobertura sobre as características do solo;
  •  Espécies de plantas de cobertura utilizadas;
  •  Características do Sistema Plantio Direto.

A importância do solo

O solo é um recurso de extrema importância para a sobrevivência da nossa espécie: apresenta influência na qualidade da água; possui papel fundamental na ciclagem de nutrientes; é o habitat de uma grande diversidade de organismos; serve como base para edifícios, estradas e ainda sustenta o crescimento e a produção das plantas, base da nossa alimentação (Coelho et al. 2013). Desta forma, a preservação deste recurso se torna fundamental para a manutenção da vida.

Nas propriedades rurais práticas e manejos de solo podem ser adotados para manter ou aumentar a qualidade dos solos cultivados. Nesse sentido, a construção de um perfil é uma das formas encontradas que visa aliar o uso racional do solo com o aumento da produtividade. No entanto, esta prática passa por várias etapas e o resultado final deve ser um solo com características físicas, químicas e biológicas que possibilitem incremento da produção de maneira sustentável.

Plantas de cobertura do solo

A utilização de plantas de cobertura, por exemplo, pode ser uma alternativa economicamente viável ao produtor e com grande influência nas características do solo, podendo auxiliar na construção de um perfil adequado.

A adição de uma cultura de cobertura sobre o solo apresenta grande influência sobre a ciclagem de nutrientes; auxiliam na descompactação do solo, já que muitas apresentam sistema radicular bastante agressivo, como o nabo forrageiro (Raphanus sativus L.); podem incrementar a fixação de nitrogênio atmosférico através do cultivo de leguminosas, como por exemplo, feijão-de-porco (Canavalia ensiformis L.); podem reduzir a emergência de plantas daninhas, e algumas espécies ainda servem como base alimentar para a produção pecuária.

A adoção de culturas de cobertura também apresenta importante papel na manutenção da estrutura física do solo, evitando a exposição do solo a processos erosivos. Em geral, solos com ausência de cobertura vegetal são mais suscetíveis aos processos de erosão, podendo favorecer a ocorrência ao longo do tempo da formação de ravinas e voçorocas representando um estágio avançado de erosão do solo.

Assim, para evitar o desenvolvimento desses processos erosivos é recomendado o uso de culturas de cobertura, em especial nos períodos de entre-safra. A presença das plantas de cobertura pode evitar o processo de erosão por salpicamento (splash) provocado através do impacto direto da gota de água da chuva no solo, provocando seu desagregamento (Figura 1); minimiza a erosão laminar, que é quando ocorre o escoamento superficial da água levando a camada superficial do solo para as partes mais baixas do terreno; e ajuda na estruturação do solo através da formação de agregados estáveis através das raízes (Figura 2). 

 


Figura 2

Quais espécies usar?

A escolha da espécie de cobertura mais adequada ao sistema de produção deve estar de acordo com a época em que se deseja o cultivo, as condições agroclimáticas da região e o objetivo do produtor. Em geral, as culturas de cobertura devem apresentar rápido estabelecimento, possuir boa cobertura do solo, apresentar bom desenvolvimento radicular e não ser hospedeira de doenças e pragas (Lamas, 2017).

Algumas das espécies de leguminosas amplamente utilizadas são crotalária (Crotalaria spectabilis), ervilhaca (Vicia sativa), feijão de porco (Canavalia ensiformis) e guandu (Cajanus cajan). Entre as espécies de gramíneas destacam-se a aveia (Avena strigosa), azevém (Lolium multiflorum) e o centeio (Secale cereale). O nabo forrageiro (Raphanus sativus) é o grande e importante representante das crucíferas dentre as principais plantas de cobertura utilizadas.

Utilização de Mix de plantas de cobertura

Devido à baixa relação C/N (Carbono/Nitrogênio) e a consequente rápida decomposição de espécies leguminosas, muitos produtores vêm adotando a utilização de “mix” de culturas de cobertura com gramíneas, por exemplo, a fim de possibilitar alta produção forrageira e cobertura do solo por períodos mais longos decorrentes da lenta decomposição da massa seca destas ultimas (alta relação C/N), proporcionando diversidade de espécies ao sistema e um melhor manejo do solo.

Plantas de cobertura no sistema de plantio direto

As culturas mencionadas também podem ser incorporadas ao Sistema Plantio Direto (SPD). O SPD é uma alternativa que visa o aumento da produção agrícola de forma conservacionista a partir do uso racional do solo, decorrente da utilização de algumas práticas de forma simultânea: condução de uma cobertura permanente no solo, o não revolvimento do solo além da linha de semeadura e a diversificação de plantas o qual trás inúmeros benefícios ao sistema e incremento de produtividade (FEBRAPDP, 2018).

Um exemplo prático

Todos os “CASEs campeões” do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) safra 19/20 adotam práticas conservadoras em seus sistemas produtivos (CESB, 2020). Em especial, destacamos o produtor Laercio Dalla Vechia (Campeão Sul e Nacional), o qual nas últimas nove safras utilizou doze culturas e priorizou a construção de um perfil do solo (Balardin, 2020). Manejos com plantas de cobertura, diversidade de culturas e práticas conservacionistas estão intimamente relacionadas com altas produtividades.


Referências

Balardin, Ricardo. (2020) Case Campeão CESB 19/20: Região Sul/Nacional (sequeiro). Disponível em: http://www.cesbrasil.org.br/gde-case-campeao-19-20-sul-nacional/. Acesso em: 20 de julho de 2020.

Coelho, Mauricio R., Fidalgo, Elaine C., Santos, Humberto, Gonçalves dos., Brefin, Maria de L.M.S., Pérez, Daniel V. (2013) Solos: tipos, suas funções no ambiente, como se formam e sua relação com o crescimento das plantas. In: Moreira, Fatima M.S., Cares, Juvenil.E., Zanetti, Ronald., Stürmer, Sidney L. (2013) O ecossistema solo: Componentes, Relações ecológicas e Efeitos na produção vegetal. Editora UFLA, 351 páginas.

Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB). (2020) Cases Campeões 19/20. Disponível em: http://www.cesbrasil.org.br/publicacoes/. Acesso em: 20 de julho de 2020.

Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação (FEBRAPDP). (2018) O que é o sistema Plantio Direto? Disponível em: . Acesso em: 20 de julho de 2020.

Fernandes, J.A. (2011) Estudo da erodibilidade de solos e rochas de uma voçoroca em São Valentin, RS. Dissertação de mestrado. Universidade Federal de Santa Maria. Disponível em: https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/7774/FERNANDES%2C%20JOZELIA%20ASSUNCAO.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 24 de agosto de 2020.

Fortuna, A. (2012) The Soil Biota. Nature Education Knowledge 3(10):1. Disponível em: https://www.nature.com/scitable/knowledge/library/the-soil-biota-84078125/. Acesso em: 24 de agosto de 2020.

Lamas, Fernando Mendes. (2017) Plantas de cobertura o que é isso? Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Disponível em: . Acesso em: 20 de julho de 2020.

 

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