Pecuária leiteira sustentável?

Publicado em: 22/03/2022
Compartilhe:

Neste material, você vai conhecer um pouco mais sobre:

  • Funcionamento e modelos de biodigestores
  • Biogás
  • Biofertilizante

Desafio da pecuária leiteira

A pecuária leiteira representa uma parcela importante do produto interno bruto referente ao agronegócio brasileiro. A produção de leite e seus derivados contribui para a economia brasileira como fonte de renda para muitas famílias, gerando emprego e renda. No Brasil, a bovinocultura leiteira é bem difundida por todas as regiões, devido às características climáticas e ambientais. No entanto, uma preocupação que afeta os produtores é a sustentabilidade da pecuária leiteira, principalmente com os constantes aumentos referentes à energia elétrica, que é um dos principais custos da produção.

Nesse contexto, a busca por fontes de energias alternativas tem sido a saída para alguns produtores de leite, mas não somente (suinocultores e avicultores). Dentre as fontes de energias alternativas buscadas para a diminuição dos custos, os biodigestores surgem como opções para viabilizar economicamente a produção. A produção de energia elétrica a partir de dejetos na produção animal já é uma realidade no Brasil, apesar da aplicação ainda ser avaliada como baixa se considerarmos a alta relevância da atividade agropecuária no país.

Figura 1. Estrutura do Biodigestor localizado na unidade da Embrapa Gado de Leite. Foto: Rubens Neiva, disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/41719708/pesquisa-comprova-eficiencia-economica-de-biogas-na-pecuaria-de-leite.
Figura 1. Estrutura do Biodigestor localizado na unidade da Embrapa Gado de Leite. Foto: Rubens Neiva, disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/41719708/pesquisa-comprova-eficiencia-economica-de-biogas-na-pecuaria-de-leite.

Como acontece o processo dentro do biodigestor?

O processo ocorre por meio da degradação da matéria orgânica por digestão anaeróbica, ação realizada por microrganismos, na ausência de oxigênio. Este processo produz o biogás, composto principalmente por metano (o gás de maior interesse) e dióxido de carbono. Todo este processo ocorre dentro de um biodigestor, que é composto por um reservatório que armazena a biomassa ao longo do tempo (Figura 2).

Figura 2. Ilustração de como ocorre o processo dentro do biodigestor. Fonte: Elevagro.
Figura 2. Ilustração de como ocorre o processo dentro do biodigestor. Fonte: Elevagro.

O biogás resultante da digestão anaeróbica fica armazenado separadamente e pode ser canalizado para a geração de energia. Em suma, o gás metano possui energia suficiente para o funcionamento de um gerador que produz energia elétrica, que é recebida pela rede interna para o uso local ou distribuição. 

Outra aplicação

Além da produção de energia, outro produto de valor também é gerado no processo, que é o biofertilizante (líquido que sai do efluente do sistema), que pode ser utilizado na fertirrigação, substituindo ou diminuindo o excesso de fertilizantes inorgânicos.

Figura 3. Biofertilizante. Fonte: Caroline Maria Rabuscke.
Figura 3. Biofertilizante. Fonte: Caroline Maria Rabuscke.

O biofertilizante é um adubo na forma líquida, que é utilizado para complementar o processo de adubação. Ele oferece nutrição para o solo e auxilia no controle de doenças e insetos por conter uma microbiota benéfica para o solo. No entanto, vale ressaltar que o uso do biofertilizante deve passar por critérios técnicos que investiguem a segurança microbiológica do produto, uma vez que podem conter microrganismos potencialmente patogênicos, que possam contaminar o solo e o ambiente circundante.

E a sustentabilidade ambiental?

A biomassa produzida pela atividade agropecuária é altamente poluente e pouco tem-se discutido sobre questões que envolvam sustentabilidade ambiental. Nesse contexto, a biodegradação do metano no ambiente gera um potencial 21 vezes maior de provocar efeito estufa, quando comparada ao dióxido de carbono. Porém, quando a biomassa é degradada dentro do sistema, o metano obtido para gerar energia sofre reação química e libera para atmosfera vapor de água e dióxido de carbono como produto da reação, que é consideravelmente menos prejudicial em relação ao metano livre. Dessa forma, promove a geração de energia renovável e reciclagem desses compostos.

Modelos de biodigestores

Dentre os modelos mais utilizados para volumes maiores de dejetos, destacam-se: o indiano, o chinês e o canadense. Cada um com sua particularidade, sendo o modelo canadense considerado de tecnologia mais moderna, apesar de ser uma construção relativamente simples. O modelo canadense também é o de maior adesão entre os produtores brasileiros. Alguns estudos têm avaliado o custo-benefício do sistema em algumas fazendas que fizeram a implementação e os resultados têm sido animadores, com uma produção mais sustentável, do ponto de vista econômico e ambiental.

Figura 3. Biodigestor modelo canadense. Foto: Ser Engenharia, disponível em: https://www.engenhariaser.com.br/post/biodigestor-canadense
Figura 3. Biodigestor modelo canadense. Foto: Ser Engenharia, disponível em: https://www.engenhariaser.com.br/post/biodigestor-canadense

Referências

ALMEIDA, Mariza et al. Pecuária Leiteira do Rio Grande do Sul: uma análise espacial da produtividade a partir da década de 1980. Colóquio - Revista do Desenvolvimento Regional, v. 19, n. 1, p. 123-147, jan./mar. 2022.
DEMEU, Fabiana Alves et al. Economic viability of a canadian biodigester for power generation in dairy farming. Embrapa Pecuária Sudeste - Artigo em periódico indexado (ALICE), 2021.
RESENDE, J. A. de et al. Dejetos bovinos para produção de biogás e biofertilizante por biodigestão anaeróbica. Embrapa Gado de Leite, 2015. (Circular Técnica).
SILVA, José Antonio Ramos da et al. Tratamento de dejetos no Brasil: comparativo entre as técnicas de compostagem e biodigestores anaeróbios. Revista em Agronegócio e Meio Ambiente, v. 13, n. 2, p. 797-817, 2020. 
OLIVEIRA, A. J. S.; et al. Biodigestor caseiro aplicado à produção de biofertilizante a partir de biomassa bovina. Scientia Amazonia, v. 8, n. 1, E14-E19, 2019.

Autor(a)

Me. Marlon do Valle Barroso

MATERIAIS MAIS ACESSADOS:
VOCÊ PODE GOSTAR: