Verrugose do limão Publicado em:

Neste conteúdo, você vai poder entender um pouco mais sobre:

  • A verrugose 
  • Epidemiologia
  • Sintomatologia
  • Controle

A verrugose prejudica várias espécies de citros, causando grandes danos por modificar a aparência dos frutos, o que dificulta sua comercialização. 

Epidemiologia

O inóculo da doença inicia-se com a formação das pústulas, principalmente nos frutos, havendo a formação dos conídios. A disseminação destes dá-se principalmente através dos respingos da chuva, e entre os fatores que se mostram essenciais para a colonização do patógeno, destacam-se a temperatura e a umidade.

A germinação do patógeno apresenta grande dependência da presença de água nos tecidos jovens de 12 a 14 horas. O período de tempo que a planta leva para expressar os sintomas é de 4 a 6 dias, como podemos observar nitidamente no quadro 1. A fonte de inóculo são os próprios frutos infectados, portanto, fazer a limpeza da área pode ser uma alternativa de prevenção da doença. 

 

Quadro 1 - Epidemiologia da Verrugose. Fonte: adaptado de Timmer; Duncan (1999) e Feichtenberger et al. (1997).

 


Sintomatologia

O patógeno provoca lesões corticosas, cor de palha, mais ou menos salientes, atacando frutos, folhas e ramos ainda jovens, e causa deformações salientes na casca, que vão crescendo à medida que o fruto se desenvolve. (SASSERON, 2008).

Sintomatologia em frutos

A verrugose ataca tecidos jovens, de forma que os maiores prejuízos são causados quando ocorrem nos frutinhos, já que os frutos são suscetíveis até 12 semanas após a queda das pétalas (FUNDECITROS, 2015). Nos frutos, a casca adquire manchas corticosas que prejudicam a sua aparência, devido às lesões salientes e ásperas que o acometem externamente (FACHINELLO; NACHTIGAL; KERSTEN, 2008). As lesões causadas pela verrugose depreciam os frutos para o mercado de fruta fresca (Figura 1) e restringem sua exportação, principalmente para a União Europeia (FUNDECITROS, 2015).  

 

Figura 1- Danos causados por Elsinoe fawcetti em frutos de limão jovens

 


Controle de verrugose no limão

  1.  Aquisição de mudas livres do patógeno.
  2. Evitar realizar irrigação por aspersão até três semanas após as brotações, dando preferência para a irrigação por gotejamento, que evita o molhamento foliar.  
  3.  No pomar, eliminar frutos caídos e galhos contaminados, para evitar fontes de inóculo para a posterior propagação da doença.
  4. Realizar podas de manutenção, visando facilitar a circulação de ar, e evitando o acúmulo de água por grandes períodos nos tecidos suscetíveis.  

 

Dentre outras alternativas de manejo, a utilização de produtos químicos pode ser uma alternativa de controle. Podendo-se aplicar fungicidas de grupos químicos (Quadro 2):

 

Quadro 2 - Principais princípios ativos e grupos químicos utilizados para o controle de Elsinoe fawcetti em citros. Fonte: AGROFIT (2020).

 

No entanto, alguns cuidados na escolha de qual fungicida aplicar são cruciais dependendo do destino da fruta. A Fundecitros (2015) ressalta que os benzimidazóis só podem ser usados no país se os frutos forem produzidos para o mercado de fruta fresca, pois a indústria não processa frutos de pomares tratados com esse grupo de fungicida.

A primeira aplicação para proteger os frutos recém formados deve ser feita quando houver queda de 2/3 das pétalas, e a segunda aplicação, quatro semanas após (OLIVEIRA et al., 2012). Deve-se ter alternância na utilização dos benzimidazóis com os cúpricos, para prevenir a resistência do fungo aos benzimidazóis. (FEICHTENBERGER; MÜLLER; GUIRADO, 1997).

 

Referências

AGROFIT. Sistemas de agrotóxicos fitossanitários. Disponível em: http://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons. Acesso em:  08 jul. 2020.

AZEVÊDO, C. L. L. Sistema de Produção de Citros para o Nordeste, doenças do citros. Embrapa Mandioca e Fruticultura – Documentos, 2003.

 FACHINELLO, J. C.; NACHTIGAL, J. C.; KERSTEN, E. Fruticultura: fundamentos e prática. Pelotas, 2008. 183 f. 

FEICHTENBERGER, E.; MÜLLER, G. W.; GUIRADO, N. Doenças dos citros (Citrus spp.). In: KIMATI, H. et al. Manual de fitopatologia: doenças das plantas cultivadas. 3. ed. São Paulo: Agronômica Ceres, 1997. p. 315-324.

FUNDECITROS. Guia do citricultor, pragas e doenças. Revista Citricultor, n. 28, p. 11-12, fev. 2015.

  OLIVEIRA, R. P.; SCIVITTARO, W. B.; MIGLIORINI, L. C.; SIMCH, R. L. Tecnologias para produção de citros na propriedade de base familiar. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2012. 72 p. (Embrapa Clima Temperado. Documentos, 343).

SASSERON, G. R. Desenvolvimento e validação de diagnóstico molecular de fungos patogênicos a citros. 2008. 71 fls. Dissertação (Mestrado em Agricultura tropical e subtropical) – Instituto Agronômico. Campinas, 2008.

TIMMER, L. W.; DUNCAN, L. W. Citrus. Health Management Series. APS Press, St. Paul, MN, USA, 1999. 108p.

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