Tecnologia de Aplicação: conheça melhor os alvos biológicos Publicado em:

Aprenda mais sobre fungos, insetos, plantas daninhas e nematoides como alvos biológicos na Tecnologia de Aplicação

Neste material, você vai conhecer um pouco mais sobre:

  • Fungos, insetos, plantas daninhas e nematoides como alvos biológicos
  • Particularidades dos alvos biológicos quanto à TA

Você sabia que menos de 10% das aplicações atingem o alvo? O restante do produto acaba sendo pulverizado, mas não aplicado corretamente, ocasionando perdas por derivas, evaporação, escorrimento superficial, entre outras.
Para sermos mais assertivos na aplicação, que é a deposição em quantidade e qualidade do ingrediente ativo definido sobre o alvo desejado, conhecer este alvo é fundamental.

Entenda o que é alvo biológico

Alvo é o objeto que será atingido pelo processo de aplicação, podendo possuir características distintas em função da mobilidade, da forma, do tamanho, da posição etc. O que mostra a importância do conhecimento da biologia do alvo para que tenhamos efetividade no controle, já que o produto deverá ser aplicado no momento em que o alvo está mais exposto.

Quais são os alvos biológicos na agricultura?

Plantas daninhas, fungos, insetos e nematoides são os principais alvos biológicos na agricultura, sendo controlados por meio da aplicação de produtos fitossanitários, em função das perdas econômicas que sua ação pode causar sobre as culturas.
Vamos conhecer um pouco mais sobre cada alvo biológico importante na Tecnologia de Aplicação na sequência:

Insetos

O conhecimento da praga que precisa ser controlada é importante e auxilia na definição do melhor tipo de produto, da dose mais adequada, da forma de aplicação correta e do período mais apropriado para o tratamento da cultura. 
Para os insetos, a mobilidade é um fator que precisa ser levado em conta para acertar no momento da aplicação, que deve ser realizada quando a praga está mais exposta. Pois, caso o inseto esteja no interior do dossel vegetativo, dificilmente ele será atingido pelo inseticida aplicado.

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Figura 1. O percevejo barriga-verde é um exemplo de alvo biológico de grande mobilidade, então conhecer seus hábitos é determinante para escolher o momento de aplicação. Fonte: Elevagro

O conhecimento dos hábitos dos insetos permite que a aplicação seja realizada no momento em que eles estejam na parte superior da planta para alimentação, reprodução ou secagem do corpo.

Temos que dar atenção especial aos insetos que têm hábitos noturnos e que por isso têm o controle comprometido em aplicações diurnas, assim como as lagartas, que geralmente evitam a exposição ao sol no período mais quente do dia, devido à ocorrência de desidratação.

Fungos

Para estes, que são pequenos alvos biológicos e que geralmente estão localizados no terço inferior da planta, em função do microclima, do hospedeiro e da aplicação, é importante conhecermos sua origem para acertar no controle, podendo os fungos serem biotróficos ou necrotróficos, por exemplo. 

Os biotróficos  desenvolvem-se, obrigatoriamente, sobre tecido vivo e, portanto, necessitam de hospedeiros para aumentar a taxa de progresso da infecção. Já os necrotróficos desenvolvem-se tanto sobre tecido vivo quanto tecido morto, possuindo capacidade de sobreviver em restos culturais, estruturas de resistência e sementes.

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Figura 2. O fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da Ferrugem da soja, é um patógeno biotrófico. Fonte: Elevagro

O microclima é relevante para os fungos, pois o fechamento do dossel da cultura limita a penetração de radiação solar, fazendo com que o molhamento da superfície da folha permaneça por um período prolongado, possibilitando a formação de microclima adequado para a germinação e a infecção dos tecidos da planta pelo fungo. 

Quando a planta entra na fase reprodutiva, ocorrem muitas mudanças nas relações de fonte/dreno, o que favorece o desenvolvimento e o crescimento de órgãos como flores, frutos e sementes. Porém, com esta partição de fotoassimilados, os mecanismos de defesa da planta ficam limitados, tornando as folhas mais suscetíveis ao ataque dos fungos. Além disso, as folhas do terço inferior da planta apresentam sombreamento precoce, reduzindo sua atividade fisiológica, o que acelera o processo de senescência e facilita o início do processo de infecção.

Não devemos esquecer o momento de aplicação do produto, pois o fechamento do dossel da cultura atua como barreira física à penetração e à cobertura de gotas nas folhas do terço inferior da planta. Dessa forma, a aplicação não atingirá o alvo, e a evolução da doença comprometerá todo o programa de controle e, consequentemente, a produtividade.

Plantas daninhas

Já as plantas daninhas são consideradas os alvos de maior tamanho, em comparação a insetos e fungos, porém merecem atenção quanto ao momento de aplicação, para que não ocorra o efeito guarda-chuva.

Para este alvo biológico, ainda temos que considerar a idade da planta daninha, pois quanto maior e mais velha for a planta, menor será a eficiência de controle, devido a mecanismos de desintoxicação utilizados. A fisiologia da planta também deve ser considerada, pois condições de baixa área foliar, alta densidade de pelos e estresse hídrico ou térmico podem ser desfavoráveis à absorção do herbicida pela planta, mesmo após a chegada da gota.

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Figura 3. Quanto mais velha a planta daninha, menor será a eficiência de controle. Fonte: Elevagro.

Nematoides

Os nematoides são alvos biológicos que estão presentes no solo onde atingem as raízes desde as fases primordiais da cultura, comprometendo a absorção de água e nutrientes.

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Figura 4. Amarelecimento nas extremidades das folhas, devido ao ataque do nematoide das galhas, e formação das galhas em raízes de soja. Fonte: Paulo Santos. Disponível em Elevagro.

Para seu controle, a aplicação deve ser realizada em tratamento de sementes ou ao sulco de plantio. O uso, tanto de nematicidas químicos quanto biológicos, tem sido uma ferramenta de manejo eficiente para reduzir a infecção inicial nas raízes no estabelecimento da cultura, período crítico para o controle.

 

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