Perguntas e Respostas - Tecnologia de Aplicação - 1º Seminário Phytus Publicado em:

Confira as respostas do pesquisador para as perguntas feitas durante as mesas redondas no 1º Seminário Phytus.


 

1. Há técnica ou ferramenta (in vivo) que permite saber se a superfície da folha está protegida pelo fungicida?

Atualmente, não há nenhuma ferramenta que permita identificar a presença do ingrediente ativo na superfície da folha.

 

2. Falam que não se aplica fungicida em pH baixo, mas existe algum trabalho que comprove essa perda de eficiência em %? Exemplo pH 5,5 versus pH 4,0?

A faixa de pH, que menos danos causa ao fungicida, fica entre 4 e 7, como foi mostrado pelos dados no seminário. Existem algumas exceções: o Elatus trabalha com pH acima de 7; o oxicloreto de cobre não pode trabalhar com pH menor que 5 apresentando elevado risco de fitotoxicidade fora deste valor.

 

3. Tem algum comparativo entre óleo vegetal versus óleo mineral na eficiência dos fungicidas?

A relação entre o vegetal ou mineral está na formulação do produto. Fungicidas como Fox® tem melhor performance com óleo vegetal e outros como Elatus e Orkestra com óleo mineral.

 

As respostas das questões 4, 5 e 6 você encontra abaixo da questão 6.

4. Qual o limite de redução de volume de calda, pensando em não reduzir velocidade de absorção, considerando estrobilurinas e carboxamidas, com número de gota/cm² adequado?

5. Quando utilizamos baixa vazão não modificamos a quantidade de ativo aplicado, mas alteramos volume de calda. Dentro deste parâmetro de vazão entre 30 a 100L/ha para fungicidas, qual seria o volume ou quantidade para melhor absorção da planta nas diferentes fenologias e ambientes?

6. Em relação à penetração de produto no terço inferior da planta, qual o tamanho ideal de gotas, tanto para produtos sistêmicos, quanto produtos de contato?

Reduções drásticas no volume são sempre arriscadas. Quanto maior o uso de misturas na calda e associação com produtos em pó ou granulados, maior será o problema com volumes baixos. Via de regra, com os equipamentos que temos hoje, as reduções abaixo de 90 litros/ha, incorrem em aumento gradativo no risco de perda de eficácia do controle. O n° de gotas/cm2 vai depender da característica de mobilidade do i.a., por exemplo, produtos imóveis necessitam de 60 a 70 gotas, já produtos sistêmicos podem ser trabalhados na ordem de 40 gotas.

 

7. Esse trabalho com diferentes vazões foram avaliados os tamanhos das gotas na aplicação? Tendo em vista que gotas finas proporcionam maior cobertura de plantas e alta vazão com gotas grossas diminui a penetração e pode causar escorrimento.

Sim. Em grande parte das situações o espectro fino é que permite maior penetração e cobertura de fungicida por unidade de folha. A medida que aumenta o tamanho de gota, a performance decresce.

 

8. Qual a importância dos adjuvantes nas aplicações de fungicidas? É possível ter uma boa qualidade de aplicação em uma soja com IAF > 5,0 com taxa de aplicação menor que 50L/ha? Vou ter uma boa cobertura do meu alvo?

Os adjuvantes têm várias funções na mistura, entre elas, aumentar a penetração do i.a. no tecido foliar. A medida que reduzimos esse componente, fica reduzida a chance de funcionamento do i.a., especialmente com misturas à base de estrobilurinas e carboxamidas, que adsorvem na camada de cera da cutícula. Como falamos, a preocupação com a redução no volume de calda não deve ser somente em função da cobertura, que será prejudicada, mas também com a qualidade da mistura dentro do tanque que sofre diversas incompatibilidades físicas e químicas.

 

9. Porque no Brasil não se discute o problema da deriva?

A deriva é um grande problema na aplicação, tanto pela perda de eficácia pelo deslocamento do i.a., como pela contaminação de outras áreas, especialmente urbanas. Este tema tem grande alcance nos países da Europa pela proximidade com áreas urbanas, porém deveria ser mais discutido.

 

10. Poderia esclarecer mais a interrupção da aplicação ao final da madrugada?

No final da madrugada temos uma planta com metabolismo baixo e se “preparando” para o início do dia com a presença da luz. Além disso, a formação de orvalho, pela gutação e condensação da umidade do ar, irá prejudicar o processo de difusão da gota para o tecido foliar. A difusão é a passagem do i.a. da zona mais concentrada [gota] para menos concentrada [folha]. A medida que temos mais orvalho, a concentração na gota é menor e, portanto, a penetração do i.a. no tecido também será menor.

 

11. Com que olhos são vistos: o baixo volume de água (30 a 60L/ha) a ser utilizado na soja até o estádio Vn para fungicidas? E após (R1), a utilização de mais volume de água (100 a 120L/ha)?

Hipoteticamente, as aplicações no vegetativo poderiam ser realizadas com volumes menores, pois teremos menos folhas. No entanto, os trabalhos desenvolvidos não permitiram confirmar esta hipótese, mostrando que a redução do volume afeta outros componentes, como a mistura dentro do tanque.

 

12. Têm muitos produtores substituindo o adjuvante por espalhante. Espalhante não significa absorção maior?

O espalhante tem a característica de quebrar a tensão superficial da gota e aumentar o contato com a superfície foliar. Mesmo que a tensão superficial seja quebrada, a penetração não é garantida, pois depende do produto utilizado e da taxa de óleo mineral ou vegetal na formulação .

 

13. Qual a relação da eficiência na absorção de moléculas de defensivos agrícolas (i.a.) em relação a uma mistura mais concentrada (menor volume de calda/ha) e uma menos concentrada (maior volume de calda/ha)?

Se estivéssemos trabalhando numa condição controlada, essa teoria seria válida, porém como trabalhamos em campo aberto, onde as condições climáticas são adversas, a vida útil da gota fica prejudicada. É estimado que uma gota de 100 micras demore menos de 7 segundos para desaparecer. Se esta gota estiver altamente concentrada, qualquer situação de perda é dramática.

 

14. Em relação à condutividade elétrica (C.E.), qual é o índice prejudicial? Existem parâmetros? Por exemplo, 80 mS?

O valor de C.E. 0,4 é bastante elevado, o que indica elevada quantidade de íons, que podem diminuir a eficiência biológica dos herbicidas (CARLSON & BURNSIDE, 1984).

 

15. Se o problema da aplicação é o orvalho que diminui a concentração, por que motivo a aplicação noturna anterior ao orvalho é mais eficaz se a absorção noturna é baixa?

O grande problema da aplicação noturna é a ocorrência de chuva ainda na noite ou no início da manhã, justamente pela lentidão no processo de difusão do i.a.. As aplicações anteriores ao orvalho permitem que o i.a. das estrobilurinas e carboxamidas iniciem o processo de adsorção na cutícula.

 

16. Em condições de estresse hídrico, quais são as principais alterações na absorção e eficiência dos três principais grupos de fungicidas (triazóis, estrobilurinas e carboxamidas)?

Em condições de estresse hídrico, o tecido foliar começa a ter maior presença de pelos e espessura de cutícula, isso irá prejudicar a penetração do i.a.. No entanto, estrobilurinas e carboxamidas não são tão prejudicadas como os triazóis, que precisam penetrar no tecido para chegar ao xilema. Além disso, a abertura estomática fica muito reduzida, prejudicando também a penetração do produto.

 

17. Em situações de déficit hídrico, com planta murcha, a absorção da aplicação diurna fica comprometida? Levando-se em consideração que a planta está murcha e não absorverá bem o produto, em que momento a absorção é melhor?

A folha murcha indica o estresse vegetal, e a planta evita a perda de água pela cutícula e pela abertura estomática. Qualquer produto jogado sobre este tecido terá dificuldades de funcionamento, mesmo herbicidas. Os melhores momentos para a penetração do i.a. é no início da manhã e final da tarde.

 

18. A aplicação de fim de tarde sofre influência da inversão térmica? Esse é um fator limitante para aplicações neste momento?

Sim. A inversão térmica é um grande problema na aplicação. Geralmente, no final da tarde, a velocidade do vento chega a zero e, por convecção, o calor da superfície se eleva, impedindo que as gotículas penetrem na vegetação, sendo removidas para outros locais.

 

19. Considerando uma boa tecnologia de aplicação, onde realmente o ativo chegasse no alvo em uma soja em período vegetativo, qual o período em que esse ativo permanece em nível de controle para controle ferrugem da soja e as variáveis entre grupos químicos?

A partir da chegada do i.a. na folha, necessitamos que haja penetração no interior dos tecidos foliares. Partindo disso, o tempo de residual de controle vai depender de 3 fatores associados: condição hídrica na planta, concentração de produto por unidade de folha e epidemia da doença. A velocidade e intensidade com que estes eventos acontecem combinados afetará diretamente o residual de controle.

 

20. Qual seu posicionamento em relação à substituição de óleos minerais e vegetais por outros adjuvantes ou óleos sintéticos. Há pesquisas que comprovem produtividades muito superiores?

A substituição dos minerais e vegetais tem sido um grande objetivo das companhias com relação aos seus adjuvantes, porém essa tarefa é tão difícil quanto descobrir um novo i.a.. Até o momento não há efeito superior comprovado dos adjuvantes de mercado em substituição aos recomendados pelas companhias.

 

Ouça os podcasts deste material:

Autor(es)