Nematoide-das-galhas no pessegueiro Publicado em:

Os nematoides do gênero Meloidogyne apresentam grande diversidade de hospedeiros e ocorrem em quase todas regiões do globo, causando danos em diferentes culturas. As principais espécies do nematoide-das-galhas que parasitam ao pessegueiro são: Meloidogyne javanica, Meloidogyne incoginta, Meloidogyne arenaria e Meloidogyne hapla

O principal sintoma do parasitismo do nematoide-das-galhas é a presença de galhas nas raízes da planta (Figura 1). As plantas afetadas apresentam sinais de declino, diminuição da produção, desfolhamento, podendo ocorrer a morte de planta, sendo os sintomas são agravados em anos com pouca chuva.

Figura 1. Raízes de pessegueiro apresentando galhas causadas por Meloidogyne sp. 

O ciclo de vida destes patógenos inicia quando os juvenis de segundo estágio J2 de Meloidogyne sp. penetram nas raízes do pessegueiro e estabelecem um sítio de alimentação na raiz (Figura 2). Com o desenvolvimento do nematoide, os J2 diferenciam-se em machos e fêmeas. Durante o desenvolvimento da fêmea de Meloidogyne spp., são colocados até 2000 ovos. Estes são depositados em uma matriz gelatinosa, dos quais eclodem os J2, que reinfestam o sistema radicular do pessegueiro. O ciclo de vida do nematoide-das-galhas é de aproximadamente quatro semanas, podendo aumentar sob condições de temperatura desfavoráveis. Temperaturas inferiores a 20 °C ou superiores a 35 °C e condições de seca ou de encharcamento do solo afetam o desenvolvimento e a sobrevivência do nematoide. Geralmente, o pessegueiro sofre mais danos pelo nematoide em solos arenosos do que em solos de textura mais fina.

 

 

Figura 2. Ciclo do nematoide-das-galhas (Meloidogyne sp).

Manejo do nematoide-das-galhas no pessegueiro 


A medida adequada de manejo do nematoide-das-galhas constitui-se no plantio de mudas isentas do patógeno. Antes do plantio, é recomendável a realização de um  análise nematológica na área do futuro pomar . No caso de detecção de nematoides prejudiciais ao pessegueiro, deve-se proceder a rotação de culturas na área infestada por, no mínimo, dois anos consecutivos. A produção de mudas em viveiro deve ser realizada em locais livres de fitonematoides, uma vez que plantas contaminadas são importantes agentes de disseminação desse patógeno, podendo comprometer a sanidade do pomar futuramente.

 A utilização de porta-enxertos resistentes ou tolerantes é uma alternativa barata que pode ser adotada pelo agricultor quando detectada a presença do nematoide no local de plantio. As cultivares mais utilizados como porta-enxertos no Brasil, 'Capdebosq' e 'Aldrig', são materiais de baixo nível de resistência à Meloidogyne spp. Os porta-enxertos 'Nemaguard', 'Nemared', 'Okinawa', 'Flordaguard', são resistentes ao nematoide-das-galhas.

A utilização da rotação de culturas, além de melhorar a estrutura do solo, é uma boa opção para áreas infestadas com nematoides, seja para instalação de viveiros e novos pomares. Para áreas infestadas com nematoide-das-galhas podem ser utilizadas, em rotações as seguintes espécies: mucuna-preta, mucuna-anã, Crotalaria, aveia-preta, aveia-amarela, aveia-branca, nabo-forrageiro, capim-mombaça e azevém. Híbridos de milho podem ser utilizadas em áreas infestadas com M. javanica. Entretanto essa cultura não é recomendada para áreas infestadas com M. incognita devido à sua suscetibilidade ao nematoide.

O controle químico de nematoides através do uso de nematicidas é uma alternativa para o manejo de fitonematoides porém, no Brasil, ainda não se dispõe de nenhum nematicida registrado para a cultura do pessegueiro. 

Para o manejo mais eficiente é de grande importância à integração de várias práticas que vão desde a produção das mudas até a escolha da área de plantio.

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