Mofo branco na soja: infecção e desenvolvimento da doença Publicado em:

O  desenvolvimento de mofo branco em soja

Neste material você vai conhecer um pouco mais sobre:

  • O que é mofo branco
  • Estruturas de resistência do fungo Sclerotina sclerotiorum
  • Germinação miceliogênica e carpogênica

O que é mofo branco?

O mofo branco é uma doença provocada pelo fungo Sclerotina sclerotiorum. Esta doença atinge diversas culturas agrícolas, como feijão, girassol, algodão e soja. Na cultura da soja, o mofo branco pode provocar perdas de produtividade superiores a 30%, na ausência de manejo adequado. Plantas de soja infectadas pelo S. sclerotiorum apresentam inicialmente lesões encharcadas que se desenvolvem até a formação abundante de micélios brancos e densos, podendo infectar qualquer parte da planta, desde caule, flores e legumes até raízes (Figura 1).

Figura 1: Sintomas de mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum) em uma lavoura comercial de soja (Glycine max) localizada na região do Planalto do Rio Grande do Sul. Fonte: Bruno Rafael Casarin Gai
Figura 1: Sintomas de mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum) em uma lavoura comercial de soja (Glycine max) localizada na região do Planalto do Rio Grande do Sul. Fonte: Bruno Rafael Casarin Gai

Estruturas de sobrevivência do S. sclerotiorum

Após o estabelecimento da doença, o fungo produz os esclerócios (Figura 2). Os esclerócios são estruturas de resistência, de coloração preta, que, na ausência de plantas hospedeiras, podem sobreviver no solo por mais de 10 anos, aguardando as condições adequadas para germinar e se desenvolver. Os esclerócios também podem ser transportados para outras áreas de cultivo aderidos a torrões de solo nos rodados das máquinas agrícolas, podendo assim infectar plantas em outras áreas.

Figura 2. Formação do esclerócio de Sclerotinia sclerotiorum em soja - Mofo Branco. Fonte: Nedio Tormen (2013). Formação do esclerócio de Sclerotinia sclerotiorum em soja - Mofo Branco. Disponível em: https://elevagro.com/foto/formacao-do-esclerocio-de-sclerotinia-sclerotiorum-em-soja-mofo-branco/. Data de acesso: 25 de março de 2021.
Figura 2. Formação do esclerócio de Sclerotinia sclerotiorum em soja - Mofo Branco. Fonte: Nedio Tormen (2013). Formação do esclerócio de Sclerotinia sclerotiorum em soja - Mofo Branco. Disponível em: https://elevagro.com/foto/formacao-do-esclerocio-de-sclerotinia-sclerotiorum-em-soja-mofo-branco/. Data de acesso: 25 de março de 2021.

Germinação miceliogênica e carpogênica

Os esclerócios podem germinar, produzir micélios e infectar diretamente os tecidos das plantas (germinação miceliogênica). Concomitantemente, podem germinar na superfície do solo e desenvolver um corpo frutífero (apotécio) semelhante e a um pequeno cogumelo (germinação carpogênica). No segundo caso, os apotécios liberam uma grande quantidade de ascósporos a partir de estruturas denominadas de ascas. Os ascósporos são esporos fúngicos que podem ser transmitidos pelo vento e atingir as estruturas reprodutivas das plantas de soja, infectando assim as flores e, consequentemente, os legumes e sementes da soja.

Figura 3. Apotécios de Sclerotinia sclerotiorum germinados de esclerócio retirado do solo. Fonte: Marcelo Gripa Madalosso (2013). Disponível em: https://elevagro.com/foto/apotecios-de-sclerotinia-sclerotiorum-germinados-de-esclerocio-retirado-do-solo/. Acesso em: 25 mar. 2021.
Figura 3. Apotécios de Sclerotinia sclerotiorum germinados de esclerócio retirado do solo. Fonte: Marcelo Gripa Madalosso (2013). Disponível em: https://elevagro.com/foto/apotecios-de-sclerotinia-sclerotiorum-germinados-de-esclerocio-retirado-do-solo/. Acesso em: 25 mar. 2021.

Referências

MAYER, M. C.; CAMPOS, H. D.; GODOY, C. V.; UTIAMADA, C. M.; SEII, A. H.; DIAS, A. R.; JACCOUD FILHO, D. S.; BORGES, E. P.; JULIATTI, F. C.; NUNES JUNIOR, J.; SILVA, L. H. C. P. da; SATO, L. N.; MARTINS, M. C.; VENANCIO, W. S. Eficiência de fungicidas para controle de mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) em soja, na safra 2017/2018. Londrina: Embrapa Soja, 2018. (Embrapa Soja. Circular Técnica, 140).
AMORIM, L.; REZENDE, J. A. M.; CAMARGO, L. F. A. Manual de Fitopatologia: doenças em plantas cultivadas. 5. ed. São Paulo: Agronômica Ceres, 2016.

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