Metarhizium anisopliae no controle biológico de pragas Publicado em:

Neste Material você vai conhecer um pouco mais sobre:

  • O fungo Metarhizium anisopliae;
  • Como ocorre a infecção dos insetos;
  • Cuidados com o fungo;
  • Condições para aplicação.

O controle biológico é uma alternativa de manejo que vem recebendo destaque nos últimos anos, principalmente no manejo de fungos de solo e pragas de difícil controle.

Dentre os diversos agentes biológicos usados no controle de pragas, o fungoMetarhizium anisopliae é um dos mais estudados no manejo de artrópodes. Essa espécie é relacionada a um dos casos de sucesso mais conhecidos do controle biológico em larga escala, que foi no manejo da cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata) , importante praga na cultura da cana-de-açúcar

O fungo pode agir em qualquer fase de desenvolvimento dos insetos (larvas, ninfas, pupas e adultos). Seu sucesso no campo está diretamente relacionado à facilidade de dispersão. Na natureza pode ser facilmente encontrado em três condições:

  • Saprófita;
  • Endófitas;
  • Infecciosas.

  No Brasil, existem produtos registrados para o controle de 5 espécies de insetos:

  • Mahanarva fimbriolata (Cigarrinha-das-raízes);
  • Zulia entreriana (Cigarrinha-das-raízes);
  • Deois flavopicta (Cigarrinha-das-pastagens);
  • Scaptocoris castanea (Percevejo-castanho);
  • Notozulia entreriana (Cigarrinha-das-pastagens).

 

Etapas da infecção 

A infecção ocorre via tegumento, em aproximadamente 72 horas o inseto pode estar totalmente infectado pelo fungo (Figura 1). É importante destacar que isso irá depender das condições que o fungo irá encontrar após a aplicação. 

  1. Conídios chegam ao hospedeiro suscetível ao fungo;
  2. Adesão dos conídios no inseto;
  3. Desenvolvimento do tubo germinativo e apressório;
  4. Penetração através da cutícula;
  5. Após a penetração, o fungo supera as respostas imunes do hospedeiro e produz toxinas, que irão causar a morte do inseto;
  6. Após a morte, acontece a produção de conídios na superfície do hospedeiro, que servirá como fonte de inóculo na área de cultivo. 
Figura 1. Infecção do fungo M. anisopliae em insetos.  Adaptado de Silva (2012). 

Cuidados com o fungo

Fungos entomopatogênicos estão sujeito a diversos fatores bióticos e abióticos, que podem afetar negativamente sua sobrevivência, virulência e infecção  (Franco et al., 2005). Por se tratar de um organismo vivo, deve-se tomar alguns cuidados com armazenamento, transporte e aplicação. O transporte deve ser realizado em condições refrigeradas, para que o organismo não seja exposto a condições extremas de temperatura, mesmo vale para o armazenamento. As condições ideais de transporte e armazenamento são diretamente dependentes do tipo de formulação do produto, e devem ser consultadas na bula. 

 

Dicas para aplicação 

  • A aplicação deve ser planejada de acordo com  o hábito do alvo. Por exemplo, os insetos das espécies M. fimbriolata, Z. entreriana, D. flavopicta, S. castanea ficam localizados na base das plantas, desta forma, a aplicação deve atingir esse local; 
  • A aplicação deve ser realizado com umidade relativa do ar superior a 70%; 
  • Temperaturas entre 25 e 30°C são consideradas mais favoráveis para o desenvolvimento do fungo (Onsongo et al., 2019);
  • Evitar a aplicação em dias de radiação solar intensa, pois pode tornar o fungo ineficiente, já que fungos entomopatogênicos são extremamente sensíveis a radiação ultravioleta.

A temperatura e a umidade relativa são as duas variáveis consideradas mais importantes (Alves, 1998)


Referências bibliográficas 

ALVES, S.B. Fungos Entomopatogênicos, in Controle Microbiano de Insetos, ed. S.B. Alves, Piracicaba: Fealq, pp. 289–381, 1998. 

FRANCO, M. P. J. Tolerância de conídios às radiações UV-A e UV-B em função do tempo de cultivo de fungos entomopatogênicos. 2005. 42 f. Dissertação (Mestrado em Microbiologia Agropecuária) - Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Unesp, Jaboticabal, 2005.

ONSONGO, Susan K. et al. Performance of three isolates of Metarhizium anisopliae and their virulence against Zeugodacus cucurbitae under different temperature regimes, with global extrapolation of their efficiency. Insects, v. 10, n. 9, p. 270, 2019.

SILVA, R.A.. Estudo de Metarhizium anisopliae (Metsch) Sorok: Toxicidade a compostos extraídos de Tibraca limbativentris Stal (Heteroptera: Pentatomidae), efeitos de agroquímicos utilizados na cultura do arroz e aumento da patogenicidade a T. limbativentris com doses subletais de inseticidas químicos. Tese apresentada ao Instituto de Química da Universidade Federal de Goiás, para a obtenção do título de Doutor em Química, 2012.

 

 

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