Integração Lavoura-Pecuária Publicado em:

Assuntos abordados no material:

  • Contextualização;
  • Objetivos da Integração Lavoura-Pecuária;
  • Benefícios ao solo;
  • Problemas;
  • Atenção.

Muitas vezes considerada vilã, a Integração Lavoura-Pecuária pode ser um aliado ao sistema produtivo. Caracterizada pela FAO como uma forma sustentável de produção de alimentos. Ainda segundo a organização, os sistemas integrados de produção agropecuária alimentarão cerca de 9 milhões de pessoas até 2050. Além disso, também é reconhecida como uma tecnologia sequestradora de carbono.

Integração Lavoura-Pecuária é um termo popular usado para Sistemas Integrados de Produção Agropecuária (SIPA).

Uma das principais finalidades desse sistema é tornar produtiva áreas que ficam em pousio na entressafra, especialmente na região sul do Brasil (figura 1). Também, pode ser uma alternativa ao cultivo de cereais de inverno.

Figura 1 - Área com Integração Lavoura-Pecuária no município de Júlio de Castilhos/RS. (Foto: Daiane Dalla Nora)

Objetivos da Integração Lavoura-Pecuária

  • Recuperar pastagens ou lavouras degradadas;
  • Quebrar o ciclo de pragas e doenças;
  • Produzir pastagem para alimentar os animais e palhada para o cultivo subsequente.

 

     Você também pode gostar destes conteúdos:

          • Indicadores de qualidade do solo;

          • Curso de Micronutrientes: absorção, assimilação, funções e deficiência.

 

Benefícios ao solo


A pastagem no inverno transfere a fase agrícola uma série de benefícios. A introdução de espécies forrageiras na entressafra pode trazer uma série de vantagens, como por exemplo, a conservação estrutural do solo e o aumento do teor de matéria orgânica.

A matéria orgânica, é considerada um indicador de qualidade do solo, e pode trazer uma série de benefícios ao sistema produtivo, como por exemplo:

  • aumento da retenção e infiltração de água;
  • formação de agregados;
  • aumento da capacidade de troca de cátions;
  • aumento do pH do solo;
  • sorção de metais pesados e defensivos agrícolas;
  • aumento da atividade microbiana do solo.

Solos com cobertura vegetal ou palhada em níveis adequados são menos suscetíveis a erosão. Além disso, a palhada deixada na superfície do solo faz com que menos água seja perdida por evaporação.

Os animais têm um papel fundamental na ciclagem de nutrientes. O pastejo dos animais estimula a formação de novas folhas nas plantas forrageiras, e consequentemente aumenta o crescimento radicular (figura 2), a fim de atender a demanda do novo perfilho. O estímulo ao crescimento de raízes faz com que aumente a formação em quantidade e continuidade de bioporos. O aumento dos bioporos faz com que o cálcio atinja maiores profundidades, através da descida física das partículas.

Isso proporciona uma correção em profundidade do solo. Além da melhoria de atributos químicos em profundidade, como por exemplo, aumento da saturação de bases e do pH, outros nutrientes podem retornar ao solo via fezes e pela urina, como por exemplo cálcio, magnésio e potássio.

Figura 2 - Crescimento radicular com e sem pastejo animal.

 

Problemas

Apesar dos inúmeros benefícios que a ILP pode trazer, o uso de animais na área de cultivo ainda é muito relacionada com a compactação do solo, que pode prejudicar a cultura subsequente. Isso é fruto, em boa parte, de práticas inadequadas de manejo adotadas nos sistemas, que por sua vez estão diretamente relacionadas a lotação animal inadequada na área.

O uso de um número de animais muito acima do que a pastagem suporta gera inúmeros prejuízos para o sistema produtivo. O aumento da intensidade (menos que 10 cm) de pastejo faz com que diminua a macroporosidade e consequentemente aumente a densidade do solo, principalmente na camada superficial do solo (0-5cm).

A falta de cobertura vegetal, em alturas de pastejo inferiores a 10 cm, ficam extremamentes sujeitas a compactação superficial, devido a exposição do solo (Carvalho et al., 2015). Pesquisas apontam que alturas de pastejo acima de 20 centímetros podem não causar compactação no solo (Carvalho et al., 2015). Além disso, o pastejo mais intenso da área faz com o solo fique mais exposto, isso pode gerar uma série de problemas, como por exemplo, erosão hídrica do solo, e o surgimento de plantas (figura 3).

Figura 3 - As duas fotos demonstram diferenças bem significativas com relação a intensidade de pastejo. (Fotos: Daiane Dalla Nora)

Atenção

Como já citado acima, um aspecto extremamente importante é o ajuste da carga animal, de acordo com a capacidade da pastagem. O controle desta variável, faz com que utilização dos animais não tragam prejuízos e sim benefícios ao sistema de produção.

A adoção de alturas de pastejo acima desse valor, fazem com que os animais busquem menos por alimentos, que consequentemente traz um menor gasto energético para os animais e menos pisoteio na área.

O ajuste da carga animal é considerada por muitos pesquisadores a principal variável dentro da Integração Lavoura-Pecuária.


Referências

Carvalho et al. Integração soja-bovinos de corte no sul do Brasil/Grupo de Pesquisa em Sistema Integrado de Produção Agropecuária. Porto Alegre, 2015.

Autor(es)