Fitorremediação: uma introdução Publicado em:

Neste material você vai entender um pouco mais sobre:

  •  Definição e aplicação da fitorremediação
  •  Poluentes orgânicos
  •  Poluentes inorgânicos

Fitorremediação

A fitorremediação tem por princípio o uso de plantas e seus microrganismos associados na limpeza ambiental, buscando reduzir as concentrações ou os efeitos tóxicos de contaminantes ambientais. A grande vantagem da fitorremediação é o fato que essa tecnologia utiliza processos que ocorrem naturalmente. Esses processos estão relacionados a capacidade das plantas e da microbiota associada a rizosfera em estabilizar, sequestrar ou degradar um poluente. Assim, em um programa de fitorremediação as plantas podem ser usadas para estabilizar, extrair, degradar ou volatilizar um poluente (Pilon-Smits 2005).

Plantas na fitorremediação

Os poluentes podem ser orgânicos ou inorgânicos e o programa de fitorremediação pode ser aplicado para reduzir as concentrações e efeitos tóxicos de contaminantes no solo, na água ou na atmosfera (Figura 1). No solo, as plantas podem ser usadas como uma barreira hidráulica, evitando o escoamento superficial do poluente para regiões mais baixas do relevo ou evitando que o poluente seja lixiviado das camadas superficiais e concentrado em áreas mais profundas do solo ou até mesmo atingindo o lençol freático. Em ambiente aquático, as plantas podem ser usadas na filtragem da água através de suas raízes, sendo esse processo denominado de rizofiltração. Ainda, as plantas podem ser usadas como uma barreira para evitar a dispersão de partículas pelo ar, realizando assim, um processo de filtragem do ar.

Figura 1. Plantas como barreira ou controle hidráulico (a), plantas na filtração de partículas do ar (b) e plantas na filtragem de poluentes na água (c). Adaptado de Pilon-Smits, 2005.

Poluentes orgânicos

Os poluentes orgânicos são geralmente produzidos pelos humanos e são xenobióticos para os organismos vivos, ou seja, são substâncias químicas estranhas e incomuns aos sistemas biológicos. Para humanos, muitos dos poluentes orgânicos podem ser altamente tóxicos e até mesmo carcinogênicos. Em geral, as principais fontes de contaminação orgânica dos solos e da água são a partir de derramamentos acidentais de combustíveis e solventes, uso de pesticidas na agricultura, tratamento químico de madeira e descartes da indústria química e petroquímica.

Poluentes inorgânicos

Em contrapartida, os poluentes inorgânicos são elementos naturais que encontram-se distribuídos na crosta terrestre e na atmosfera. Todavia, as atividades antropogênicas podem contribuir para aumento local das concentrações de alguns elementos até níveis tóxicos, podendo assim, comprometer a saúde ambiental e humana (Mahar et al. 2016). Em geral, os poluentes inorgânicos são representados pelos metais pesados, como o cobre (Cu), zinco (Zn), cromo (Cr), arsênio (As), mercúrio (Hg), níquel (Ni), entre outros (Ali et al. 2013). Há também diversos poluentes inorgânicos que são isótopos radioativos como urânio ( 238 U), estrôncio ( 90 Sr) e césio ( 137 Cs). As principais fontes de contaminação inorgânica dos solos e da água são a indústria em geral, metalurgia, tráfego de veículos, mineração e agricultura.


Referências:

Ali H., Khan E., Sajad M.A. Phytoremediation of heavy metals - Concepts and

applications. Chemosphere, 91:869–881, 2013.

Mahar A., Wang P., Ali A., Awasthi M.K., Lahori A.H., Wang Q., Li R., Zhang Z.

Challenges and opportunities in the phytoremediation of heavy metals

contaminated soils: A review. Ecotoxicology and Environmental Safety,

126:111-121, 2016.

Pilon-Smits, E. Phytoremediation. Annual Revisions in Plant Biology, v. 56,

p.15-39. 2005.

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