Café e ingá: cultivados juntos para promover o controle biológico de pragas no cafeeiro Publicado em:

Neste material você vai conhecer um pouco mais sobre:

  • Controle biológico em café
  • Cultivos consorciados
  • A ação do ingá sobre os inimigos naturais

Vários estudos sobre diversas estratégias de controle biológico de pragas no cafeeiro vêm sendo realizados pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG). Um destes estudos une o cultivo de ingá ao de café, na mesma área, e tem se mostrado eficiente contra pragas importantes dos cafezais: a broca-do-café e o bicho-mineiro. Os primeiros resultados vieram de consórcios feitos em agroflorestas em Araponga, município da Zona da Mata Mineira, mas a EPAMIG já expandiu o estudo para o município de Paula Cândido, localizado na mesma região.

Segundo a coordenadora do Programa Estadual de Pesquisa em Agroecologia da EPAMIG, Madelaine Venzon, o projeto vai além de experimentos a campo, sendo avaliado também em laboratório e em casa de vegetação, contando com a parceria dos departamentos de Entomologia e de Solos da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e da University of Amsterdam, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

O ingá está sendo usado neste estudo por possuir nectários extraflorais – estruturas externas às flores e que secretam néctar –, responsáveis por atrair inimigos naturais. Este néctar é fonte de carboidratos que alimentam e mantêm vivos predadores e parasitoides, os quais têm sua longevidade e fecundidade aumentados por esta fonte extra de alimento. Em contrapartida, estes organismos controlam os herbívoros presentes na lavoura. Unindo plantas de ingá às lavouras de café, os inimigos naturais das pragas encontradas no cafezal são favorecidos, aumentando a ação de controle das pragas do café, com ressalta a pesquisadora.

Figura 1. Experimentos apontam que os nectários extraflorais da planta atraem inimigos naturais que controlam a broca-do-café e o bicho mineiro. Foto: Madelaine Venzon, coordenadora do Programa Estadual de Pesquisa em Agroecologia da EPAMIG.
Figura 1. Experimentos apontam que os nectários extraflorais da planta atraem inimigos naturais que controlam a broca-do-café e o bicho mineiro. Foto: Madelaine Venzon, coordenadora do Programa Estadual de Pesquisa em Agroecologia da EPAMIG.

Vespas, crisopídeos, tripes predadores e formigas predadoras foram alguns dos inimigos naturais encontrados nos nectários extraflorais e que são inimigos naturais das pragas do café. Ao associar estes dois cultivos, em sistemas agroflorestais ou em parcelas do experimento no município de Paula Cândido, a pesquisa evidenciou que houve uma redução na população do bicho-mineiro e da broca-do-café, duas das mais importantes pragas do cafeeiro. Os trabalhos conduzidos em casa de vegetação e em laboratório, de acordo com Venzon, confirmaram que o néctar extrafloral serviu de adequação nutricional para os inimigos naturais, potencializando sua ação contra as pragas. 

Plantio Consorciado

Como características importantes do ingá, podemos citar seu crescimento acelerado e o desenvolvimento dos nectários extraflorais já no início do seu desenvolvimento, atraindo os inimigos naturais logo após ser transplantado para a lavoura. Quanto mais se desenvolve, mais nectários o ingá terá, e com isso, mais disponibilidade de néctar para os inimigos naturais. De acordo com Madelaine, o ideal seria a inclusão do ingá ainda no planejamento do cafezal, porém, é possível introduzir o ingá em lavouras de café já implantadas, na forma de cercas-vivas, corredores ou ilhas.

Além do ingá, a EPAMIG também tem testado outras plantas que podem vir a ser usadas em consórcios para favorecer os inimigos naturais, como plantas de cobertura e de adubação verde, além de espontâneas, perenes e nativas

Madelaine ainda explica que as espécies passam por uma seleção em laboratório e em casa de vegetação, que é baseada no fornecimento de recursos para os inimigos naturais e não para as pragas, no aumento da presença de polinizadores, na compatibilidade com as práticas realizadas nas lavouras, no aumento da atividade biológica no solo, na promoção da qualidade do solo e na facilidade do manejo das plantas introduzidas, para depois levar estas espécies para serem avaliadas a campo.

 

Artigo de autoria de Mariana Vilela Penaforte de Assis,
publicado originalmente pela Revista Cultivar 

 

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