A importância da polinização para o maracujá Publicado em:

Neste material vamos aprender um pouco mais sobre:

  • Morfologia da flor do maracujá
  • A polinização na cultura do maracujá
  • Polinização Natural
  • Polinização Manual

O maracujazeiro, assim como acontece em outras plantas, é dependente da polinização para a produção de frutos. A fruta tem grande destaque no mercado brasileiro, o maracujá amarelo ou azedo é destinado à exportação, consumo e matéria prima para agroindústria. O maracujá doce tem importância principalmente para o mercado de frutas frescas. Além do consumo dos frutos, as plantas podem ser utilizadas como ornamentais, devido à beleza de suas flores.

 

Botânica da flor


 O maracujazeiro pertence à família Passifloraceae e ao gênero Passiflora. As espécies de Passiflora são majoritariamente auto-incompatíveis, isto é, precisam de polinização cruzada para formar frutos (SILVA et al., 2014). As flores do maracujazeiro surgem nas axilas das folhas em brotações novas, com cinco sépalas, cinco pétalas e cinco estames (MARBELO-SOUZA & RIBEIRO, 2010). A corona é formada por vários filamentos ou fímbrias, é a marca característica do gênero Passiflora. A flor apresenta um odor agradável, e produz uma grande quantidade de néctar, o que ajuda a atrair agentes polinizadores. As flores são compostas de partes femininas (Estigma, estilete e ovário) e masculinas (antera e estames), como observamos na figura 1.

A flor do maracujá abre somente uma vez e permanece aberta apenas por algumas horas (JUNQUEIRA et al., 2016). A abertura floral pode ocorrer no período matutino, vespertino ou noturno. Segundo Silva et al. (2014) as flores do maracujazeiro-doce abrem por volta de 4 horas da manhã e pode se estender até as 18 horas, enquanto as flores do maracujazeiro-amarelo abrem quase todas ao mesmo tempo, por volta das 12 horas.

Figura 1 – Estruturas da flor do maracujá doce (Passiflora alata).

A polinização na cultura do maracujá

No momento da polinização os estiletes devem estar totalmente ou parcialmente curvados. A figura 1 ilustra uma flor não receptível a polinização, com as anteras voltadas para cima. Devido as flores serem auto incompatíveis, o pólen da mesma flor não pode fecundá-la ou fecundar uma da mesma planta, o que tornam necessária polinização, que pode ocorrer naturalmente ou artificialmente. Na falta das abelhas polinizadoras o custo do agricultor aumenta, pois, o método de polinização manual deve ser incrementado. Quando a flor não é polinizada não ocorre a formação do fruto, que ocasiona o abortamento floral (Figura 2).

 

Figura 2 – Flores abortadas devido à ineficiência da polinização.

A polinização natural

Esta polinização em ambiente natural é realizada por abelhas, conhecidas como mamangavas. Elas pertencem a espécies de diferentes gêneros, como por exemplo, Xylocopa frontalis, conhecida como mamangava-de-toco, Bombus morio conhecida como mamangava-de-chão, Eulaema nigrita que faz seus ninhos em cavidades preexistentes, Epicharis flava que constrói seus ninhos escavando o solo e Centris scopipes, que constrói seus ninhos em cupinzeiros (Silva et al., 2014).

Estas abelhas apresentam um grande tamanho se comparadas as abelhas africanizadas, dependendo do gênero e da espécie, como é o caso do Xylocopa frontalis que pode medir de 30 a 36 mm, consideradas ideais para a polinização.

Ao buscarem o néctar, as abelhas dos gêneros Xylocopa, Centris e Eulaema, tocam as anteras com o seu tórax, deixando o pólen depositado no dorso, quando voam para outra flor, essas abelhas contatam o estigma com o seu tórax cheio de pólen, polinizando a flor (SILVA et al., 2014).

O número de flores polinizadas, e a qualidade dos frutos irá depender do número de abelhas grandes que estão no pomar. É importante destacar que o ambiente de cultivo deve ter boas condições para que esses insetos tão importantes o habitem.

Um ambiente com boas condições:

  1. Deve conter áreas naturais no entorno;
  2. Os inseticidas devem ser utilizados com cautela, e se deve priorizar o uso de produtos seletivos.

 Silva et a (2014) descreve uma vasta gama de plantas que servem como atrativo para as espécies polinizadoras do maracujá, tais como, ipê-de-jardim (Tecoma stans), timbó-do-campo (Serjania reticulata), folha-da-serra (Ouratea spectabilis), hibisco (Hibiscus rosa-sinensis), ipê-amarelo do cerrado (Handroanthus chrysotrichus), ipê-roxo (Handroanthus impetiginosus), unha-de-vaca-lilás (Bauhinia variegata), chuva-de-ouro (Cassia ferruginea). Junqueira et al. (2016) ressalva que tem sido verificado, que o plantio de pelo menos 2% das plantas com maracujá-doce e outros maracujás silvestres, como a espécie P. cincinnata, atraem e mantêm as mamangavas durante o dia todo no pomar, nos períodos com temperaturas e umidade mais elevadas.

Polinização manual

A polinização manual, deve levar em consideração o horário da abertura das flores, assim como a percepção se elas estão receptíveis ao pólen. A realização da polinização deve ocorrer quando os estiletes estiverem parcialmente ou totalmente curvados. O produtor deve tocar as anteras da flor retirando o pólen e transferir para outra flor de uma planta que não seja a mesma que se retirou e assim consecutivo (Figura 2). Além disso, a pessoa que irá realizar o procedimento deve evitar que o pólen da mesma flor atinja os estigmas, caso isso ocorra não haverá sucesso na polinização.

Ao contrário das abelhas que exercem seu trabalho naturalmente e sem custo nenhum ao produtor, este acarreta em custos adicionais para o cultivo. No entanto Junquiera et al. (2001) relata que nas condições do cerrado brasileiro os índices de pagamentos dos frutos pelos insetos variam de 13% no período de outubro a maio e 2 a 3% no período de junho a setembro, implicando em frutos com menor peso e quantidade de suco.

A polinização manual se torna importante garantindo melhores índices de frutos. Segundo Junqueira et al. (2001) a realização da polinização manual deve ser feita quando:

- Em áreas com frequente utilização de inseticidas;

- Em áreas onde as mamangavas são ausentes;

- Em extensas plantações com mais de 3.000 plantas;

- Em áreas que há intensas visitações da abelha Apis mellifera, sendo esta responsável pela retirada do pólen das flores interrompendo o trabalho das mamangavas.

 

Figura 2- Exemplo de polinização em flores de diferentes plantas.

Para que a polinização seja facilitada deve-se plantar em uma mesma fileira genótipos ou cultivares diferentes para diversificar o pólen, devido o fator de autoincompatibilidade (JUNQUEIRA et al., 2001).

Junqueira et al. (2001) recomenda que em lugares em que há abelhas indesejadas que roubam o pólen das flores, seja realizada a coleta das anteras com pólen antes da abertura floral nas que estejam apresentando as pontas brancas, colocando dentro de uma vasilha ou um saquinho feito com papel pardo, mantê-los na sombra, até o horário em que as plantas estejam aptas a serem polinizadas, o processo deve ser realizado no mesmo dia da coleta.

 


Referências bibliográficas

JUNQUEIRA, K.P et al.. Polinização natural e manual. In: FALEIRO, F.G; JUNQUEIRA, N.T.V. Maracujá: O produtor pergunta, a Embrapa responde. 1. Ed. Brasilia- DF: Embrapa, 2016. p. 153-163.

JUNQUEIRA, N. T. V. et al.. A importância da polinização manual para aumentar a produtividade do maracujazeiro. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2001. 18 p.

MALERBO-SOUZA, D. T.; RIBEIRO, M. F. Polinização do maracujá doce (Passiflora alata Dryander). Scientia Agraria Paranaensis. Vol. 9, n. 2 - 2010, p. 37 – 46.

SILVA, C.I et al.. Manejo dos Polinizadores e Polinização de flores do Maracujazeiro. 1ed. São Pulos, 2014. 64 f.

 

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