Durante décadas, o agronegócio brasileiro operou sob o conforto de calendários previsíveis e médias históricas de precipitação. No entanto, o retorno confirmado do fenômeno El Niño em 2026, com projeções de intensidade entre moderada e forte, sinaliza que o clima deixou de ser apenas o “ambiente” para se tornar a variável central de risco operacional.
Para a Elevagro, o compromisso é elevar o nível do setor através do conhecimento que antecipa desafios. Abaixo, detalhamos como essa nova face do clima impactará as decisões técnicas e financeiras nesta safra.
A Dinâmica do Fenômeno em 2026
Diferente de eventos mais sutis, o El Niño de 2026 apresenta um início acelerado. O aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, previsto para manifestar-se na atmosfera já a partir de maio, deve ganhar força entre agosto e outubro.
A grande preocupação dos especialistas é a sinergia entre o oceano aquecido e uma atmosfera global que já registra temperaturas recordes. Esse cenário aumenta a energia disponível, favorecendo extremos térmicos e temporais severos que podem desorganizar o planejamento logístico e produtivo.

O gráfico ilustra a queda da neutralidade climática e a consolidação do El Niño (barras vermelhas) a partir do segundo semestre, sinalizando um período de maior instabilidade e riscos para o agronegócio brasileiro.
Foto: NOAA
Impactos Regionais: Onde a Tomada de Decisão se Torna Crítica
1. Região Sul: O Perigo da Saturação Hídrica
Existe um mito no setor de que chuva é sempre sinônimo de produtividade. No Sul, o El Niño traz o risco oposto. A primavera de 2026 deve ser marcada por sistemas de tempestades de grande extensão (CCMs), resultando em enchentes e solos encharcados.
- Gestão Técnica: O excesso de água causa a asfixia radicular, impedindo que as raízes respirem e absorvam nutrientes.
- Risco de Perda: O investimento em fertilização pode sofrer com a lixiviação de nutrientes, onde os insumos são literalmente lavados para camadas profundas do solo, aumentando o custo por saca produzida.
2. Norte e Nordeste: A Luta pela Sobrevivência Vegetal
Enquanto o Sul lida com o excesso, o Norte e partes do Nordeste entram em alerta para secas severas.
- Fisiologia da Planta: O estresse hídrico prolongado e o calor extremo forçam a planta a entrar em modo de sobrevivência, priorizando a reprodução antes do desenvolvimento ideal.
- Impacto no Solo: A falta de umidade favorece a compactação do solo, o que dificulta ainda mais a expansão do sistema radicular e a busca por água em profundidade.
3. Centro-Oeste e Sudeste: Instabilidade e Calor
Nestas regiões, o padrão será a irregularidade. Ondas de calor longas e intensas, especialmente a partir de julho, devem alternar com pancadas de chuva mal distribuídas. Essa dinâmica eleva a sensibilidade climática das culturas estratégicas como soja, milho e café, afetando diretamente a qualidade do produto final.
O Fim do Calendário Fixo: Informação como Insumo
Diante dessa fragmentação, o produtor não pode mais confiar em médias regionais; o que acontece em um município pode ser oposto ao que ocorre na fazenda vizinha. A agricultura resiliente agora opera sob a lógica dinâmica:
- Tecnologia de Campo: O uso de monitoramento agrícola e sensores de umidade permite uma leitura em tempo real do ambiente.
- Estratégia Conservacionista: Áreas que adotam o manejo conservacionista, com foco na manutenção da palhada e rotação de culturas, funcionam como “amortecedores”, respondendo melhor aos choques climáticos.
De Reação para Gestão
O El Niño 2026 evidencia que a gestão de risco no agro não é mais um diferencial, mas uma necessidade de sobrevivência. Transformar o dado climático em leitura operacional é o que diferencia o profissional que reage ao desastre daquele que gere a incerteza.
A Elevagro continua investindo na conexão entre ciência e prática para que cada decisão no campo seja baseada em informação técnica sólida e atualizada.