Milho safrinha: conheça as principais pragas

Publicado em: 17/02/2022
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As pragas-chave do milho safrinha

Neste material, você vai conhecer um pouco mais sobre:

  • A expectativa para a 2ª safra de milho
  • As pragas-chave da safrinha

A Conab estima que serão plantados 14.356,7 mil hectares de milho 2ª safra em 2021, representando um acréscimo de 4,4% em relação ao exercício anterior. Já a produção esperada é de 80.076,6 mil toneladas, representando incremento de 6,7% em comparação à safra passada. Os motivos que levam à escolha do milho para a segunda safra e o aumento de área estão relacionados às cotações recordes, à demanda firme, tanto externa quanto interna, e à comercialização avançada.

Porém, essa grande expectativa de produção também traz preocupações acerca das pragas-chave do milho safrinha, que são diferentes daquelas encontradas nos plantios de verão. Com isso, o conhecimento da dinâmica populacional de insetos em plantios de safrinha, a correta identificação e o monitoramento são muito importantes para que o manejo seja correto e efetivo.

O primeiro passo é o tratamento de sementes. Por meio deste, há um auxílio significativo no controle das pragas iniciais do milho, sendo uma estratégia que auxilia na manutenção do estande de plantas, que deve ser realizado acompanhado de monitoramento, para garantir a eficácia do tratamento e minimizar os riscos de perdas.

A seguir, serão elencadas as principais pragas que acometem a segunda safra de milho e causam dor de cabeça ao produtor.

Lagarta-do-cartucho: Spodoptera frugiperda


A lagarta-do-cartucho do milho (Figura 1) é uma das principais espécies de pragas da cultura do milho, com o controle dificultado pelo seu hábito de instalar-se e alimentar-se no interior da planta. Assim, o correto monitoramento desta praga é fundamental para que o controle seja eficiente.

Figura 1. Spodoptera frugiperda: lagarta gerando danos nas estruturas meristemáticas. Fonte: Maurício Pasini (2019).
Figura 1. Spodoptera frugiperda: lagarta gerando danos nas estruturas meristemáticas.
Fonte: Maurício Pasini (2019).

Dados da Fundação MS mostram que a safrinha 2019 foi caracterizada pelo aumento da incidência desse inseto nas plantas de milho, e apontam que é fundamental a aplicação dos inseticidas (químicos e/ou biológicos) quando as lagartas são pequenas e ainda estão raspando as folhas, permitindo, assim, que as estratégias de controle sejam efetivas na redução dos danos causados por esta praga (GRIGOLLI; GRIGOLLI, 2020). A partir do momento que as lagartas se encontram dentro do cartucho das plantas, seu controle é bastante difícil.

Percevejo barriga-verde: Dichelops melacanthus

O percevejo barriga-verde é outra praga-chave do milho (Figura 2), e em situações de alta infestação, seus danos podem comprometer significativamente a produtividade. A fase crítica de dano do percevejo compreende o período de semeadura até o estádio fenológico V5, ou seja, cinco folhas completamente expandidas (lígula aparente). A partir dessa fase, os danos causados por esta praga são menos expressivos.

Figura 2. Adulto de Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus. Fonte: Maurício Pasini (2019).
Figura 2. Adulto de Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus.
Fonte: Maurício Pasini (2019).

Para o controle satisfatório da praga, diversos trabalhos no sistema soja/milho desenvolvidos pela Fundação MS indicam três momentos em que o controle químico apresenta alta eficácia: 
No momento da dessecação pré-colheita da soja;
Logo após a semeadura do milho, quando há grande movimentação por parte da praga, o que aumenta a principal via de contaminação do inseto;
Após a colheita, quanto as pragas também apresentam movimentação intensa na lavoura. 

Cigarrinha-do-milho: Dalbulus maidis

Nos últimos anos, além das dificuldades de controle encontradas com a lagarta-do-cartucho e com o percevejo barriga-verde em milho safrinha, um novo componente passou a figurar entre as pragas-chave da cultura. A cigarrinha-do-milho (Figura 3), em função da transmissão do enfezamento, passou a ser decisiva na escolha dos híbridos e na utilização das ferramentas de controle da praga.

Figura 3. Dalbulus maidis: cigarrinha-do-milho. Fonte: Maurício Pasini (2019).
Figura 3. Dalbulus maidis: cigarrinha-do-milho. Fonte: Maurício Pasini (2019).

Para melhor controlar a praga, além do uso de inseticidas, é importante controlar adequadamente o milho tiguera durante a safra de soja e escolher híbridos de milho com certa resistência/tolerância ao enfezamento. As três ações articuladas reduzirão os impactos do enfezamento na cultura do milho safrinha.

Referências

CONAB - Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento da safra brasileira de grãos: Safra 2020/21, v. 8, n. 5, quinto levantamento. Brasília: Conab, 2020.

GRIGOLLI, J. F. J.; GRIGOLLI, M. M. K. Manejo e Controle de Pragas do Milho Safrinha. In: LOURENÇÃO, A. L. F. et al. (ed.). Tecnologia e produção: safrinha 2019. Maracaju, MS: Midiograf, 2020. p. 89-103.


Autor(a)

Caroline Maria Rabuscke

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