Cannabis: saiba a diferença entre maconha e canabidiol

Publicado em: 15/02/2022
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Cannabis é um gênero de plantas provenientes da Ásia. Dentro deste grupo encontramos, por exemplo, a maconha e o cânhamo. 

A maconha (Cannabis sativa subsp. sativa) é considerada ilícita em muitos países, inclusive no Brasil. O motivo dessa proibição reside na presença da molécula tetrahidrocanabinol, mais conhecido como THC, que é o maior responsável pelos efeitos psicoativos dessa planta.

Já o cânhamo (Cannabis sativa subsp. ruderalis) tem níveis baixos de THC (menor que 1%), mas mantém a presença do Canabidiol (CDB). É esta última a molécula que detém muitas propriedades terapêuticas.

Canabidiol

O Canabidiol, embora apresente propriedades farmacológicas, não é considerado um “psicoativo”. Isso quer dizer que independentemente do modo de administração, ele não causará alterações no comportamento ou na percepção da pessoa que o utilizar.

O potencial terapêutico do canabidiol tem sido avaliado, em grande parte (mas não somente), por seu poder analgésico. Estão entre as condições atualmente sendo avaliadas: epilepsia, câncer, dores crônicas, ansiedade, distúrbios do sono, autismo, Alzheimer, esclerose múltipla entre outras.

O corpo humano naturalmente produz moléculas similares ao canabidiol. Por este motivo já temos em nossas células receptores de canabidiol. Moléculas conhecidas como “receptores” ficam geralmente na superfície das células, e, ao se unirem a diversas moléculas, podem alterar a biologia e o funcionamento no interior celular. 

Os receptores do canabidiol são conhecidos como CB1 e CB2, e estão localizados principalmente em células do sistema nervoso central e imune. Os primeiros (CB1) podem ser encontrados por todo o corpo, e participam, por exemplo, na coordenação motora, no movimento, no apetite, no humor entre outros. Já os receptores CB2 são mais encontrados no sistema imune e afetam reações à inflamação e dor. 

Legislação brasileira

Embora o cultivo siga proibido, em 2019 a ANVISA aprovou o registro de medicamentos que contenham Cannabis. As principais mudanças são a simplificação na obtenção desses remédios, como facilitação nos processos de importação.

Outras aplicações

O canabidiol não é a única utilização que pode derivar do cultivo de cânhamo. Historicamente esta planta foi utilizada para a confecção de tecidos e tramas diversas, como cordas, sacos e redes. As fibras do caule da planta são resistentes, e também podem ser utilizadas na produção de papel, já que o índice de celulose é elevado (aproximadamente 70%).

Outras aplicações vêm sendo progressivamente desenvolvidas, como a produção de cosméticos e óleos para usos diversos. Também vem se estudando o uso de extratos de Cannabis para o controle biológico, para inibir o crescimento de patógenos de plantas (como fungos, bactérias etc.).

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Figura 1. Cultivo comercial da Cannabis. Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Commercial_Cannabis_Greenhouse_Facility.jpg


Autor(a)

Dr. Descascando a Ciência

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