Biodiversidade do solo e o manejo agrícola

Publicado em: 16/02/2022
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Neste material você vai entender um pouco mais sobre:

  • Biologia do Solo;
  • Estratégias para aumentar a diversidade biológica do solo em sistemas agrícolas.

Diversidade biológica do solo

O solo é o ambiente que abriga a maior biodiversidade de organismos vivos no planeta. Esses organismos são divididos em diferentes grupos conforme tamanho corporal e funções. Assim, temos os microrganismos (bactérias, fungos, leveduras e vírus) e a fauna invertebrada do solo, que é dividida em microfauna (nematoides, protozoários e rotíferos), mesofauna (colêmbolos e ácaros) e macrofauna (formigas, minhocas, aranhas, besouros, etc.) (ANDRADE; RAMOS, 2020).

Diversos estudos já foram conduzidos e demonstraram que cada grupo de organismo vivo possui funções que são essenciais para manter a qualidade física, química e biológica dos solos. Por exemplo, é reconhecido que minhocas ajudam na distribuição da matéria orgânica do solo (MOS) e construção de bioporos (poros produzidos por organismos vivos) ao longo do perfil do solo. Enquanto isso, microrganismos (fungos e bactérias) ajudam na decomposição da MOS, na fixação de nitrogênio e também no controle de populações de pragas e doenças.

Contudo, apesar de sabermos um pouco sobre os efeitos benéficos da biota do solo, ainda temos grandes dificuldades em conseguir aproveitar os benefícios da comunidade biológica em solos agrícolas. Isso ocorre porque em ambientes naturais não há a entrada de insumos externos, como fertilizantes e pesticidas. Mas, em ambientes agrícolas ocorre a aplicação de fertilizantes (N, P e K), aplicação de pesticidas (inseticidas, fungicidas, herbicidas, etc), inoculação de outros microrganismos (Trichoderma spp., Beauveria  spp., Bacillus spp., etc), além de possuir menor diversidade de resíduos vegetais. Esses fatores modificam as condições do ambiente solo e consequentemente modificam a atividade dos macro e microrganismos do solo.

Em momento, ainda estamos buscando compreender melhor os efeitos de manejo do solo e o efeito das culturas agrícolas nas comunidades de organismos vivos do solo. O grande objetivo é criar estratégias de manejo que otimizem as funções benéficas da fauna do solo em ambientes agrícolas. 

Por exemplo, sabemos que muitos microrganismos realizam a fixação biológica de nitrogênio em vida livre, enquanto outros conseguem solubilizar fósforo a partir de fontes inorgânicas pouco acessíveis para as plantas. Esses microrganismos são influenciados pelo manejo e pelas fontes de alimentos que estão disponíveis no solo. Assim, se conseguirmos conhecer quais as condições de manejo que podem aumentar a população desses microrganismos, poderemos consequentemente aumentar a disponibilidade de nutrientes (N e P) para as plantas cultivadas, sem a necessidade de adição de grandes quantidades de fertilizantes.  

Mas é possível aumentar a diversidade e a atividade biológica dos solos agrícolas?

Sim. Atualmente sabemos que é possível estimular o crescimento das populações de micro e macrorganismos benéficos do solo. A diversidade biológica do solo é dependente das condições do ambiente solo. Assim, manejos que maximizem as condições ambientais adequadas aos organismos do solo resultam em maior atividade biológica benéfica.

Um bom exemplo é a rotação de culturas. Através dessa prática é possível aumentar a atividade biológica dos solos, pois significa que estamos adicionando ao solo fontes de alimentos diversificados. Cada espécie de planta estimula diferentes grupos de microrganismos no solo, por meio da produção de exsudatos radiculares. Isso significa que os microrganismos associados às raízes de plantas de soja não são os mesmos que estão associados às raízes de plantas de milho, por exemplo. Assim, a rotação de culturas faz com que exista uma maior diversidade de microrganismos ativos no solo.

Outra estratégia para aumentar a atividade biológica benéfica do solo é o sistema de plantio direto (SPD). Ao contrário do plantio convencional, no SPD não ocorre o revolvimento intenso da camada superficial do solo. Isso significa que no SPD ocorre uma menor oxidação da MOS e consequentemente uma maior preservação das fontes orgânicas de alimento para os microrganismos. Assim, a atividade biológica é mais estável e se mantém por mais tempo no SPD. Além disso, no SPD ocorre a preservação da umidade do solo e uma menor oscilação da temperatura, e assim os micro e macrorganismos sofrem menos estresse pelo ambiente e conseguem manter suas funções benéficas ao solo. 

Referencia:

ANDRADE, Nariane de; RAMOS, Rodrigo Ferraz. Biodiversidade do solo: Organismos a serviço do sistema produtivo. Disponível em: https://elevagro.com/materiais-didaticos/biodiversidade-solo/. Acesso em: 5 jun. 2021.


Autor(a)

Izabelle Scheffer Romagna

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