Azevém: a importância da sanidade

Publicado em: 16/02/2022
Compartilhe:

O azevém (Lolium multiflorum Lam.) é uma gramínea herbácea, cespitosa e ereta que se reproduz via sementes, as quais são facilmente dispersadas via animais ou máquinas. Estas características tornaram o azevém um ótimo competidor com as demais culturas. O advento da sua resistência ao glifosato tornou o cenário ainda pior, de forma que esta planta está em praticamente todas as lavouras de inverno no Sul do Brasil.


Por outro lado, há regiões em que o azevém é a alternativa escolhida para o inverno, tanto para cobertura do solo com também para pastejo, já que produz pastagens de boa qualidade e permite a ressemeadura natural, diminuindo o trabalho do produtor. 

No cenário de duplo propósito do azevém: cobertura e pastoreio, é preciso atentar para sua sanidade, visando a uma palhada sadia sem ser fonte de inóculo e uma pastagem de qualidade.

Três doenças de panícula são as mais comuns para o avezém: giberela (Fusarium graminearum), brunose (Pyricularia grisea) e ergot (Claviceps purpurea). Esta última é importante por causar riscos ao animal que consumir a pastagem infectada.

O fungo Claviceps purpúrea ataca o ovário no período de florescimento das plantas. Nenhuma outra parte da planta é infectada. No campo, durante a fase de infecção das inflorescências pelo patógeno, observa-se o sintoma conhecido como mela das inflorescências, formado por um líquido pegajoso exsudado dos ovários das flores infectadas. Conforme a doença evolui, o ovário vai sendo destruído e substituído por uma manta micelial, a qual se transforma em um escleródio de coloração púrpura-escura (Figuras 1 e 2).

O escleródio apresenta alta concentração de alcaloides (ergosterol, ergotamina, ergotoxina, ergotetrina e outros) tóxicos e, se consumido por animais (bovinos, equinos, suínos, ovinos, caprinos e caninos) ou pelo homem, pode causar o ergotismo, também conhecido por “Envenenamento por Ergot” e “Fogo de Santo Antônio”.

As medidas de controle para esta doença incluem: 


  • Rotação de cultura com plantas não hospedeiras e eliminação dos restos da cultura com aração profunda para reduzir o nível de inóculo; 
  • Evitar atraso na época de semeadura; 
  • Uso de semente de boa procedência e certificadas (livre de patógenos);
  • Tratar as sementes;
  • Promover adubação equilibrada com cobre, nitrogênio e potássio. 

Além disso, para evitar a ocorrência de ergotismo, recomenda-se observar a pastagem, mantendo porte baixo e ao sinal da doença, retirar os animais da pastagem.

Figura 1. Sintomas de ergot em azevém causado por Claviceps purpurea
Figura 1. Sintomas de ergot em azevém causado por Claviceps purpurea
Figura 2. Sintomas de ergot em panícula azevém causado por Claviceps purpurea
Figura 2. Sintomas de ergot em panícula azevém causado por Claviceps purpurea

Referências

LORENZI, H. Manual de identificação e controle de plantas daninhas. 7 ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2014.

NUNES, C. D. M.; MITTELMANN, A. Doenças do azevém. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2009.

REIS, E. M.; DANELLI, A. L. D. O azevém e a sanidade das lavouras de cereais de inverno: uma planta do bem ou do mal? Revista Plantio Direto. set./out. 2011.


Autor(a)

Caroline Maria Rabuscke

MATERIAIS MAIS ACESSADOS:
VOCÊ PODE GOSTAR: