1. Dano devido ao mau controle da ferrugem:

A otimização do controle da ferrugem na cultura da soja ocorre através da utilização de múltiplos métodos. Observações pessoais apontam para uma redução anual média e aproximada de 20% na produtividade da soja devido à incidência de doenças. No caso particular da ferrugem, estes valores variam entre locais e dependendo da adequação do clima à evolução do patógeno.

Considerando a área plantada com soja e ocupada em sua maior extensão por cultivares suscetíveis, tanto no Brasil como na América do Sul, aliado à fácil disseminação de esporos abundantemente produzidos pelo patógeno, é evidente que a quantidade de inóculo disponível para infecção tem aumentado continuamente, refletindo diretamente no início das infecções à campo.

Caso não sejam adotadas medidas importantes para redução dos níveis de inóculo inicial de Phakopsora pachyrrizi, não haverá combinação de ativos capaz de entregar um controle adequado. Não basta avaliar a eficácia de controle de fungicidas, decidir pelo seu banimento e colocar a responsabilidade na indústria de buscar soluções. Devem ser tomadas medidas sérias e técnicas sobre as causas do avanço acelerado da epidemia, sobretudo na reversão da magnitude de inóculo do patógeno, primeiro obstáculo a ser vencido. Caso este fator não seja observado, serão lançados diversos produtos ou combinações e iremos observar sua queda em poucos anos/safras.

 

2. Fatores que afetam a performance dos programas de controle químico:

A ferrugem da soja pode ser controlada de forma eficaz através da aplicação de fungicidas apropriados. De maneira geral, a eficácia dos programas de controle está relacionada tanto ao desempenho dos fungicidas, pela própria sequencia de produtos utilizada, como devido à sequencia de ativos empregada.

Neste particular, o momento em que os fungicidas são posicionados, tanto em relação à chegada do patógeno na área como em relação à planta, são fundamentais e implicam uma série de dificuldades.

Além disso, o desempenho do produto irá depender da tecnologia de aplicação e de propriedades físicas e químicas da molécula que influenciam na chegada do ativo no sítio onde está o patógeno.

Tendo por base as características dos fungicidas, o momento da primeira aplicação de fungicidas muitas vezes, é o fator que determina o sucesso ou o fracasso dos programas de controle de Phakopsora pachyrrizi em soja.

 

O desempenho dos fungicidas sistêmicos é reduzido gradativamente à medida que a aplicação é atrasada em relação ao início da infecção.

 

A grande maioria dos fungicidas apresenta efeito residual variável entre 14 a 20 dias, podendo ser alterado em função da pressão de inóculo. Aplicações preventivas visam atrasar o inicio da doença e o inicio dos ciclos secundários do patógeno. A redução significativa na produção de esporos do patógeno que serve de inóculo secundário, é o ponto chave para um maior residual dos fungicidas quando de aplicações preventivas.

Aplicações realizadas após a observação dos primeiros sintomas, permitem que o patógeno se estabeleça no hospedeiro e entre em reprodução ativa, aumentando a pressão do inóculo que irá atingir tecidos sadios.

Aplicações antecipadas podem atingir o dossel inferior das plantas mais facilmente, protegendo as folhas baixeiras. Isso é extremamente importante, porque este é o local onde a doença encontra as melhores condições para dar início às primeiras infecções. A proteção do dossel inferior reflete em atraso da doença proporcionando um maior residual do fungicida.

O número de aplicações é dependente da época de semeadura e das condições ambientais. O número de aplicações será ditado em função do intervalo maior ou menor entre uma aplicação e outra. Em campos de soja semeado mais no tarde, os agricultores necessitam reduzir o intervalo entre as aplicações de fungicidas devido à maior quantidade de inoculo produzido nas áreas semeadas mais no cedo. Portanto, o número médio de aplicações de fungicidas durante uma safra de soja aumenta.

O residual de controle também dependerá do metabolismo e meia-vida de dissipação ou taxas constantes dos fungicidas nas plantas. Outro fator importante, e que interfere na persistência e consequentemente na eficácia de aplicações de fungicida, é a ocorrência de chuva após o tratamento. A precipitação pode reduzir a eficácia dos fungicidas, lavando o ingrediente ativo e removendo-o para fora da planta, causando uma perda na eficácia.

Diversos fatores agronômicos podem afetar a eficácia de um fungicida:

1) o momento da aplicação de fungicidas em relação à patogênese e à idade da planta;

2) arranjo de plantas que pode influenciar a deposição/cobertura de fungicidas ou permitir maior penetração de luz reduzindo as chances de infecção por parte do patógeno;

3) diferenças varietais responsáveis pela variação na tolerância ao patógeno ou na taxa de absorção de fungicidas;

4) nutrição das plantas que afeta diretamente a expressão das defesas vegetais devendo haver maior atenção aos níveis de cálcio, potássio, fósforo e manganês; ciclo da cultivar.

 

Espaçamento e nível nutricional poderão ser indicadores locais importantes para a formatação dos programas de controle. Situações com menor espaçamento entre linhas ou áreas com nível nutricional não balanceado tendem a indicar maior probabilidade no estabelecimento precoce da doença.

É importante que estas variáveis sejam analisadas localmente de sorte a que os programas de controle empregados sejam adequados à pressão local da doença. É necessário que o produtor esteja preparado, tanto do ponto de vista do gerenciamento como do ponto de vista operacional, para implementar uma estratégia de controle adequada.

A partir do surgimento dos primeiros focos a evolução da epidemia apresenta uma evolução definida e relacionada à frequência local de chuva sofrendo uma interferência devido à variedade, manejo cultural e nutricional.

 

3. Desafios:

Fungicidas são desenvolvidos para controlar doenças. Entretanto, estrubirulinas e carboxamidas dependem, para seu funcionamento pleno, de plantas fisiologicamente ativas, ao contrário de outros grupos cuja ação de controle ocorre diretamente sobre o alvo.

Este novo cenário impõe programas de controle preventivo. Ocorre que o mercado considera preventivo como sendo curativo ou mesmo erradicativo. Este erro de conceito é grave e recorrente.

O problema que estamos enfrentando resulta de uma precariedade técnica no campo, decisões técnicas por parte de produtores ou consultores motivadas principalmente por fatores financeiros. É fundamental que um plano de Manejo Integrado com medidas culturais, genéticas, legislativas e químicas plenamente adotadas.