Neste material você vai conhecer um pouco mais sobre:
- Inibidores de nitrificação recomendados.
- Como utilizar inibidores de nitrificação com a adubação nitrogenada.
Em nosso último material, discutimos a importância do nitrogênio (N) para as plantas e as vias de perda desse nutriente a partir da aplicação de adubos nitrogenados. Além disso, verificamos como as perdas podem ser reduzidas pelo uso de inibidores de nitrificação (Para acessar o conteúdo clique aqui). Agora, neste material, vamos conhecer os principais inibidores de nitrificação e as suas características.
Inibidores de nitrificação recomendados
A Instrução normativa n° 61, de 8 de julho de 2020, estabelece os grupos de aditivos e os produtos que podem ser utilizados juntamente com fertilizantes comerciais.
Dentre os inibidores de nitrificação temos a dicianodiamida (DCD) e 3,4 – dimetilpirazol fosfato (DMPP). As especificações sobre sua indicação podem ser vistas na tabela a seguir.
Tabela 1. Inibidores de nitrificação e sua recomendação de utilização
Conforme Cantarella (2007), os inibidores de nitrificação considerados agronômica e economicamente mais eficientes são a nitrapirina, a DCD e a DMPP. A seguir, vamos conhecer as principais características desses inibidores.
Características dos inibidores de nitrificação
DCD: é uma molécula amida que, além do efeito de inibir a nitrificação, também é um fertilizante nitrogenado (65 % de N). Tem como característica a baixa solubilidade em água, não é higroscópico e se apresenta na forma de pó cristalino que pode ser incorporado a fertilizantes sólidos, líquidos ou soluções. O efeito desse inibidor manifesta-se entre seis e oito semanas após a aplicação dos fertilizantes. (CANTARELLA, 2007).
DMPP: é um composto nitrogenado heterocíclico muito eficiente na inibição da nitrificação, sendo que seu efeito residual é maior do que o do DCD. Aplicações de 0,5 a 1,5 kg ha-1 (dependendo da dose de N aplicada) são eficientes para inibição da nitrificação por um período de 4 a 10 semanas. (ZERULLA et al., 2001).
Nitrapirina: recomendado para o uso com fertilizantes nitrogenados amoniacais como amônia anidra, ureia, sulfato de amônio, nitrato de amônio e estercos animais. Devido a sua rápida volatilização, é recomendado que seja incorporado ao solo juntamente com o fertilizante (5 a 10 cm de profundidade). A degradação desse inibidor ocorre em até 30 dias e seu efeito inibidor manifesta-se por seis a oito semanas. No entanto, esse inibidor está sujeito à volatilização. (CANTARELLA, 2007).
Dessa forma, apesar dos adubos nitrogenados apresentarem perdas potenciais, há no mercado disponibilidade de produtos que retardam as perdas e aumentam a janela com alta disponibilidade de N para as raízes das plantas. Recomenda-se a utilização de produtos indicados pelo MAPA, respeitando as doses prescritas.
Referências:
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretária de Defesa Agropecuária. Instrução normativa n° 61, de 08 de julho de 2020. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, edição 134, p. 5, 15 jul. 2020.
CANTARELLA, H. Nitrogênio. In: NOVAIS, R. F. et al. (ed.). Fertilidade do solo. Viçosa, MG: SBCS, 2007. p. 375-470.
ZERULLA, W. et al. 3,4-Dimethylpyrazole phosphate (DMPP) – a new nitrification inhibitor for agriculture and horticulture. Biology and fertility of soils, v. 34, n. 2, p. 79-84, 2001.
4 respostas
Para evitar nitrificação do nitrato de amónio deve-se usar adubos com azoto ureico? Mas o uso de adubos com azoto nítrico a sua vantagem é o facto de estar pronto para ser absorvido logo pelas plantas, nas vez de o azoto ureico, que precisa de ser transformado antes que possa ser usado e absorvido pelas plantas. Mas a desvantagem de usar nitratos de amónio é a perda por lixiviação ou a desnitrificação (transformação por óxido nitroso)…isto parece uma pescadinha de rabo na boca..
(não sou conhecedor, mas estou a tentar perceber fazendo perguntas aos IA da internet, para tentar perceber qual o melhor adubo azul (NPK), onde, entre dois[12-8-16], um tem 2.5% azoto nitrico+9.5% azoto amoniacal e outro tem 8% azoto amoniacal + 4% azoto ureico. Ambos são 12% azoto e procurava saber qual seria a melhor escolha para a horta/plantas. Se alguém puder dar umas luzes agradecia. Obrigado
Olá Vitor, tudo bem?
Os autores do artigo responderam com a seguite dica: a avaliação mais importante é o custo beneficio do adubo, ou seja, o percentual de N de cada fertilizante em função do seu valor. Atualmente o mais utilizado é a ureia, mas vale fazer uma consulta de mercado.
Esperamos ter ajudado, abraços!
E já agora, nos restantes componentes PK (Fósforo e no Potássio, adubo NPK 12-8-16(19enxofre)ou 12-8-16(24enxofre)), aparecem percentagens de ambos com partes em que são soluveis em água ou soluvel em citrato de amonio neutro (no caso do fósforo) [um: 4%+8% (Fósforo total=9% ?? estranho ?:/ ), outro: 6%+8% (Fósforo total=8%)] e no Enxofre ( no primeiro: 19% total e soluvel em água, no 2º= 24% onde 17% é soluvel em água)?
As partes que são confusas são os totais do fósforo, a diferença percentual do fósforo soluvel em água vs fósforo soluvel em citrato de amónio e outra é a diferença percentual de enxofre (mais é bom? e a parte percentual soluvel em água dos componentes é mais ou menos importante?) O que significa ter mais percentagem na componente soluvel em água, é mais vantajoso ou menos vantajoso? Obrigado
Olá Vitor, tudo bem?
Os autores do artigo enviaram a seguinte resposta à sua pergunta: se tratando de componente solúvel em água em um fertilizante, isso se refere à fração do nutriente que dissolve rapidamente em água e, portanto, fica imediatamente disponível para as plantas. Isso pode ser bom considerando que a planta necessita de nutrientes ou pode ser ruim, porque nutrientes muito solúveis também são mais sujeitos a perdas por lixiviação ou por volatilização, o que pode reduzir a eficiência a médio/longo prazo.
Esperamos ter ajudado, abraços!