Nabo forrageiro como planta armadilha em áreas com mofo-branco Publicado em:

O nabo forrageiro tem sido uma cultura bastante utilizada como planta de cobertura no período de entressafra. Na região Sul onde comumente se planta cereais de inverno como trigo e cevada, o nabo tem sido uma cultura estratégica na janela de plantio entre a colheita da soja e a semeadura da cultura de inverno.

O nabo é uma planta que tem se encaixado bem nessa janela de outono devido algumas características como o rápido crescimento, bom volume de massa de raízes e de parte aérea e por ser uma planta positiva tanto para as gramíneas de inverno quanto para a soja que virá no verão. Como essa janela é curta, em média de 30 a 60 dias, o nabo se encaixa bem nesse cenário.

Nabo como cultura “armadilha” em áreas com mofo-branco


Desde que bem manejada, a cultura do nabo pode ser uma boa opção de manejo em áreas com mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum). Mas como isso se o nabo é uma cultura hospedeira de mofo-branco?

A ideia é similar ao manejo do banco de sementes de plantas daninhas, ou seja, estimular a germinação das estruturas de resistência do fungo e posteriormente eliminar a planta hospedeira não permitindo a sua multiplicação. Em áreas com histórico de mofo-branco, existem estruturas de resistência do fungo no solo, chamados escleródios, os quais podem persistir viáveis por longos anos (Figura 1). Os escleródios no solo funcionam como um banco de sementes.

A cultura do nabo cria condições favoráveis de umidade devido ao rápido crescimento e fechamento do dossel, bem como estímulos para germinação dos escleródios devido a abundância na produção de flores que caem ao solo. Os escleródios germinados formam as estruturas reprodutivas chamadas de apotécios (Figura 1). Os apotécios aparecem na superfície do solo e são responsáveis pela produção de uma grande quantidade de esporos infectivos do fungo (ascósporos), os quais são ejetados e dispersos até as flores da cultura hospedeira para dar início as infecções iniciais. As infecções iniciais ocorrem mais eficientemente via pétalas de flores.

Figura 1. Escleródio germinado e apotécios formados (A) e apotécios na superfície do solo (B).

A dessecação do nabo no momento certo 


 

Após a formação de microclima e caída de flores do nabo no chão, tem-se condição para germinação de uma grande quantidade de escleródios no solo. Próximo a esse momento, após a formação de apotécios e antes do mofo atacar a cultura, é fundamental realizar a dessecação do nabo. O fundamento é estimular a germinação dos escleródios, mas não permitir que o mofo se multiplique, eliminando a planta hospedeira. Com a dessecação consegue-se reduzir o número de escleródios viáveis no solo, reduzindo o inóculo inicial para a cultura da soja.

Figura 2. Abundância na produção de flores de nabo

Cuidado! E se a dessecação for mal posicionada?

Se a dessecação for muito antecipada, no período vegetativo do nabo, antes da produção de flores, é possível que os estímulos não sejam suficientes para a germinação de uma grande quantidade de escleródios. A derrubada de flores é importante.

Por outro lado, o atraso da dessecação é muito preocupante. Se a dessecação for atrasada e o mofo-branco atacar o nabo, o fungo pode se multiplicar e aumentar a produção de escleródios, comprometendo o objetivo dessa prática. Permitir que infecções ocorram no nabo e novos escleródios sejam formados, a pressão de ataque para a cultura da soja no verão poderá ser ainda maior, por isso, é muito importante que essa estratégia do nabo seja bem utilizada. 

Figura 3. Formação de novos escleródios em soja.

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