Sintomas e controle de Mancha de Alternaria em feijão Publicado em:

Fungo causador da mancha de alternaria em feijão.

Neste material, você vai saber mais sobre:

  • Etiologia do fungo
  • Sintomas da doença
  • Medidas de controle

    A mancha de alternaria é considerada uma doença secundária em feijoeiro, porém, nos últimos anos, ocorreram surtos da doença em algumas regiões, o que deixou muitos produtores em estado de atenção.

    Soldatelli et al. (2017) realizaram testes em sementes de feijão para avaliar a sobrevivência, a viabilidade e o controle do fungo Alternaria sp. em sementes de feijão carioca em quatro cultivares, detectando o fungo em todas as cultivares, lotes e épocas de amostragem. Esse estudo demonstrou que a mancha de alternaria tem potencial para se constituir como um problema nas lavouras de feijão brasileiras. Portanto, identificar corretamente a doença é importante para realizar o controle efetivo e evitar perdas na produção.

Etiologia

    A doença é causada por fungos do gênero Alternaria, que sobrevivem saprofiticamente em restos culturais de várias espécies de plantas, inclusive plantas daninhas, e são favorecidos por condições de alta umidade.    

    O fungo se estabelece no início do ciclo do feijão como um parasita fraco, que se nutre de exsudatos foliares e coloniza a cavidade estomática, aumentando sua população conforme o tecido senesce naturalmente.

Sintomas


    Os sintomas iniciam com pequenas manchas irregulares e aquosas nas folhas. Conforme a doença evolui, as lesões nas folhas aumentam de tamanho e tornam-se circulares, de cor marrom-avermelhada.    

    Em alguns casos, é possível observar a formação de anéis concêntricos no centro da lesão (Figura 1), podendo o tecido secar e cair, deixando furos nas folhas (Figura 2).  Também é comum a presença de um halo clorótico ao redor das lesões, que podem coalescer, formando manchas maiores e irregulares.

Figura 1. Halos concêntricos no centro da lesão causada por Alternaria sp. em feijoeiro. Fonte: Mônica Debortoli (2020).
Figura 1. Halos concêntricos no centro da lesão causada por Alternaria sp. em feijoeiro.
Fonte: Mônica Debortoli (2020).
Figura 2. Folha de feijão com ataque de Alternaria sp., em que o tecido lesionado secou e caiu, deixando um “buraco” no tecido. Fonte: Mônica Debortoli (2020).
Figura 2. Folha de feijão com ataque de Alternaria sp., em que o tecido lesionado secou e caiu,
deixando um “buraco” no tecido. Fonte: Mônica Debortoli (2020).

    Nas vagens, as manchas são pequenas e escuras. Sementes infectadas apresentam descoloração acinzentada e riscas marrons, e têm sua germinação comprometida pela doença.

    Ao passo que o tecido infectado atinge a maturidade, o fungo esporula sobre este tecido, em grande quantidade, um mofo negro, que é facilmente visualizado (Figura 3).

Figura 3. Presença do mofo negro sobre a lesão de Alternaria sp. em feijoeiro. Fonte: Mônica Debortoli (2020).
Figura 3. Presença do mofo negro sobre a lesão de Alternaria sp. em feijoeiro.
Fonte: Mônica Debortoli (2020).    

Controle

    O fungo Alternaria sp. infecta as sementes de feijão e permanece viável nestas desde o beneficiamento das sementes (maio) até o momento da semeadura (dezembro) nas regiões frias do Sul do país (SOLDATELLI et al., 2017). Portanto, o uso de sementes de qualidade é a medida principal, bem como o uso de tratamento de sementes. Rotação de culturas, menor densidade de semeadura e escolha de variedades resistentes à doença completam as medidas de controle. 

    Para produção de sementes, a colheita deve ser em período seco e com a planta em condição de maturidade fisiológica. Em caso de colheita em umidade elevada, as sementes devem ser secas e armazenadas adequadamente, com ventilação e temperatura baixa. 

Referências 
BIANCHINI, A.; MARINGONI, A. C.; CARNEIRO, S. M. T. P. G. Doenças do feijoeiro. In: KIMATI, H. et al. Manual de Fitopatologia v. 2. 4 ed. São Paulo: Agronômica Ceres, 2005.

SOLDATELLI, P. et al. Sobrevivência, viabilidade e controle de Alternaria sp. em sementes de feijão. Summa Phytopathol., Botucatu, v. 43, n. 3, p. 193-199, 2017.

 

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