Controle da Broca-gigante da cana-de-açúcar Publicado em:

Praga Telchin licus

Neste material, você vai conhecer um pouco mais sobre:

  • Broca-gigante da cana-de-açúcar: Telchin licus
  • Características da praga
  • Medidas de controle 
  • Agentes de controle biológico

Uma das novas ameaças às plantações de cana-de-açúcar na Região Centro-Sul, que vem causando incerteza e inquietação entre os produtores, é a broca-gigante, Telchin licus.
A broca-gigante Telchin licus (Drury), também conhecida como Castnia licus, é considerada a principal praga no Nordeste, onde sua ocorrência é conhecida há mais de um século e seus danos acarretam prejuízos de 20 a 60% da produção, resultando em perdas anuais estimadas em R$ 34,5 milhões. 
Esta praga demorou quase 80 anos para sair do Nordeste, mas agora se alastra rapidamente no Centro-Sul. Além de São Paulo, já habita os canaviais do Sul de Minas Gerais, do Paraná e de Mato Grosso do Sul. Sua proliferação é agressiva, com perdas de produtividade média de 15 toneladas de cana por hectare por ano. 

Bioecologia

  • Ovos: medem 4 mm de comprimento, sua estrutura assemelha-se a uma carambola. A cor é variável, indo de verde a marrom. 
  • Lagartas: são de coloração branca e possuem uma mancha de forma irregular e coloração castanha no pronoto. O comprimento do corpo é de aproximadamente 8 cm e 1,2 cm de largura. As lagartas passam por cinco ínstares de desenvolvimento, e essa fase pode durar até 10 meses (Figura 1). Depois de completar o desenvolvimento, as lagartas permanecem nas bases das touceiras e perfuram a base do colmo para a saída do adulto após a fase de pupa. 
  • Pupa: esta fase ocorre no interior da planta, em um casulo construído com as fibras da cana. O período de pupa dura entre 30 e 45 dias, e após a emergência dos adultos, eles copulam e as fêmeas realizam a postura dos ovos.
  • Adultos: a fase adulta dura de 10 a 15 dias. As mariposas adultas desta espécie medem 3,5 cm de comprimento, com uma envergadura de 9 cm. No Nordeste, as brocas adultas aparecem no verão e põem de 50 a 100 ovos em touceiras velhas, no meio dos detritos e caules cortados. 
Figura 1. Ciclo da broca-gigante da cana-de-açúcar (Telchin licus). Fonte: Elevagro (2020).
Figura 1. Ciclo da broca-gigante da cana-de-açúcar (Telchin licus). Fonte: Elevagro (2020). 

Sintomas e danos


Os prejuízos causados pela broca gigante resultam na abertura de galerias verticais (Figura 2), na destruição completa do colmo por causa do tamanho, na redução do poder germinativo, no coração morto, e consequente podridão. Pode acontecer das lagartas acompanharem os colmos levados para a indústria, aumentando o grau de impurezas do caldo. 

Figura 2. Lagarta de Telchin licus em sua galeria no colmo de cana-de-açúcar. Fonte: Embrapa (2019).
Figura 2. Lagarta de Telchin licus em sua galeria no colmo de cana-de-açúcar. Fonte: Embrapa (2019). 

Os danos da broca-gigante também acarretam perdas na qualidade tecnológica da cana-de-açúcar como matéria prima, havendo reduções de 0,22% da quantidade de açúcar a ser extraído do caldo, 0,12% na pureza do caldo devido à contaminação por bactérias e 0,18% da produção de álcool, bem como, acréscimos de 0,21% de fibra e 0,76% de açúcares redutores, a cada 1% de colmos atacados.

Controle

Diferentes métodos de controle vêm sendo estudados, com o intuito de auxiliar no manejo da broca-gigante, diminuindo assim o uso de agrotóxicos. Como exemplos, têm-se o uso de inimigos naturais, o manejo cultural, e ainda de forma incipiente, o uso de semioquímicos. Ainda não existe um método eficiente de controle da praga. 

Controle microbiano:

Os fungos Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae podem ser usados para o controle desta praga. Os isolados de B. bassiana provocaram mortalidade, variando entre 53,3 e 83,3%, enquanto, que para M. anisopliae, o percentual de lagartas mortas variou entre 43,3 e 80%, demonstrando seu potencial para o controle desse inseto. Tendo em vista o hábito das lagartas de cobrirem a galeria logo após o corte da cana, a eficiência do controle com B. bassiana é passível de sucesso desde que a aplicação seja feita no momento adequado, ou seja, sobre as touceiras recém-cortadas.

Controle biológico:

Além dos fungos, existe possibilidade de serem encontrados outros agentes de controle biológico. Há relatos da ação das moscas parasitoides Palpozenillia palpalis (Aldrich) (Diptera: Tachinidae) e Emdenimyia myersi (Curran) (Diptera: Sarcophagidae) e da ação de formigas Solenopsis spp. (Hymenoptera: que chegam a predar 90% dos ovos de T. licus), no Panamá, o que comprova a existência de outros inimigos naturais para a praga.

Controle mecânico-cultural:

A catação manual (Figura 3) de lagartas e pupas com auxílio de enxadões e espetos é o método mais utilizado para controle da praga, isso porque a praga fecha o orifício após a cana ser cortada, inviabilizando o controle químico, porém os custos são elevados. Fazem-se levantamentos populacionais por amostragens e quando constatada sua presença, efetua-se o controle manual.

Figura 3. Eliminação manual de larvas e adultos. Fonte: ESALQ/USP (2019).
Figura 3. Eliminação manual de larvas e adultos. Fonte: ESALQ/USP (2019).

Controle químico:

O controle químico do inseto não tem se mostrado eficiente nas dosagens recomendadas pelos fabricantes dos produtos. Nos últimos anos, alguns inseticidas químicos e/ou biológicos, eficientes em testes de laboratório, não apresentaram desempenho satisfatório no campo, por causa do hábito dos insetos que se protegem na base da touceira e, em seguida, esconde-se na parte posterior do colmo, realizando o fechamento do orifício, o que impede a ação de qualquer produto. 
Este processo de tamponamento demora apenas de 10 a 15 minutos e, por isso, é importante que se desenvolvam metodologias adequadas para que os produtos químicos ou biológicos sejam colocados dentro da touceira, antes que o inseto se proteja. O controle químico quando ocorre na soqueira com o aplicador acoplado ao cortador de soqueira ou na colheita mecânica (acoplado na colheitadeira) pode dar bons resultados.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, L. C.; DIAS FILHO, M. M.; ARRIGONI, E. B.  Primeira ocorrência de Telchin licus (Drury, 1773), a broca gigante da cana-de-açúcar, no estado de São Paulo. Revista de Agricultura, Piracicaba, v. 82, p. 223-226, 2007.
ALMEIDA, L. C; STINGEL, E; ARRIGONI, E. de B.  Monitoramento e controle da broca gigante da cana-de-açúcar, Telchin licus. Centro de Tecnologia Canavieira, mar. 2008.
ALMEIDA, L. C. de; ARRIGONI, E. de B.  Parâmetros biológicos da broca gigante da cana-de-açúcar, Telchin licus licus (Drury, 1773). Revista de Agricultura, Piracicaba, v. 84, p. 56-61, 2009.
NEGRISOLI JR, A. S. et al.  Manejo da broca-gigante da cana-de-açúcar (Telchin licus) (Drury) (Lepidoptera: Castniidae) no Nordeste do Brasil. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros, 2015. (Documentos. Embrapa Tabuleiros Costeiros, 198). ISSN 1678-1953. Disponível em: https://www.bdpa.cnptia.embrapa.br
SILVA JR, M. P.; NICOLA, M. V.; ROSSI, M. M.  Broca gigante da cana-de-açúcar, Telchin licus licus (Drury, 1773) na Região Centro-Sul: preocupação para os produtores. Nucleus, Edição especial, p. 49-54. 2008.

 

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