Caracterização de gramíneas forrageiras - Parte I Publicado em:

Gramíneas forrageiras

Na Parte I, você vai conhecer um pouco mais sobre as seguintes gramíneas forrageiras:

  • Aveia amarela, branca e preta;
  • Azevém anual e perene;
  • Capim-Lanudo;
  • Capim-Nilo;
  • Capim-Sudão;
  • Centeio;
  • Cevada Forrageira;
  • Festuca;
  • Tifton;
  • Grama Missioneira;
  • Hermártria;
  • Pensacola;
  • Trigo;
  • Triticale.

Existem inúmeras espécies de gramíneas forrageiras para o cultivo nas condições brasileiras, sendo a maioria aclimatada e adaptada às condições tropicais ou subtropicais. A decisão de qual forrageira deve ser implantada torna-se difícil, mas, extremamente importante para o sucesso da atividade agropecuária. No Brasil, as pastagens cultivadas ocupam aproximadamente 105 milhões de hectares, sendo que a maioria das áreas são formadas por gramíneas.

Aveia Amarela (Avena byzantina):

Gramínea oriunda da Europa, Norte da África e Oeste da Ásia, seu genoma é hexaploide (2n=6x=42), tem ciclo anual, crescimento cespitoso, estruturas morfológicas glabras e estatura que pode evidenciar até 1,3 metros. Sua inflorescência é caracterizada como uma panícula piramidal composta por glumas aristadas e vigorosas, pouco retorcidas, e com comprimento de 15 a 30 milímetros. Dentre as características agronômicas para esta espécie, é possível destacar uma grande semelhança com a aveia branca (Avena sativa), sendo proveitosa para o pastejo direto e fenação, por ser pouco fibrosa e mais palatável, porém, são plantas exigentes quanto à umidade do solo e pouco tolerantes a geadas. As maiores produtividades desta forrageira são obtidas no final do inverno e durante a primavera, com densidades de semeadura de 60 a 90 quilos por hectare.

Aveia Branca (Avena sativa):

É originária da Europa com genoma hexaploide (2n=6x=42), caracterizada como uma gramínea anual de inverno. Pode ser cultivada na Região Sul do Brasil para a produção de grãos, alimentação animal, pastejo e duplo propósito. No Rio Grande do Sul há mais de 20 cultivares registradas, e a semeadura deve ser realizada entre abril e junho, com densidade de semeadura variando entre 80 e 100 quilos por hectare, na profundidade de 3 a 5 centímetros.

Aveia Preta (Avena strigosa):


Esta espécie é oriunda da Europa, caracteriza-se como anual, cultivada no inverno, e sua base genética é diploide (2n=2x=14). Dentre as características agronômicas intrínsecas desta espécie, destacam-se a sua rusticidade, baixa exigência em fertilidade do solo, adaptação às regiões Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste. Apresenta maior capacidade de afilhamento, não sendo destinada à alimentação humana, tem crescimento vigoroso e tolera solos ácidos. Devido à sua precocidade e elevada produtividade de matéria seca, pode ser utilizada para pastejo direto, produção de feno, silagem, pré-secado, cobertura verde, rotação de culturas, sistema de integração lavoura-pecuária e consorciada com outras espécies, podendo minimizar os efeitos do vazio outonal.

Azevém (Lolium multiflorum):

Oriundo da Europa, Ásia e Norte da África, caracteriza-se por ter ciclo anual com plantas cespitosas cultivadas no inverno e seu genoma é diploide (2n=2x=14). É difundido em condições subtropicais e temperadas, com plantas de até 1,2 metros de altura. Dentre as características agronômicas, esta forrageira destaca-se por ser uma planta rústica, vigorosa e com crescimento agressivo. Apresenta elevado afilhamento e produtividade de forragem, que pode ser utilizada para o corte, pastejo, feno e integração lavoura-pecuária.

Azevém Perene (Lolium perenne):

Tem origem na Europa, Ásia e Norte da África, com base genética tetraploide (2n=4x=28), amplamente difundida nas Américas e na Austrália. Perante as características agronômicas, recomenda-se o cultivo em regiões de clima subtropical, com temperaturas variando de amenas a frias, e com elevada precipitação pluviométrica. Pode ser utilizada para o pastejo em várzeas e solos úmidos, exige alta fertilidade do solo e proporciona o consórcio com espécies forrageiras leguminosas. 

Capim-Lanudo (Holcus lanatus):

Apresenta ciclo bienal destinado à produção na estação fria, sendo oriundo da Península Ibérica no Sudoeste da Europa. Esta espécie forrageira é dependente das características físicas do solo e principalmente de nitrogênio. A inflorescência é classificada como uma panícula que proporciona a ressemeadura natural. Durante seu ciclo produtivo, proporciona elevada produção de forragem com alta qualidade, tem alta habilidade competitiva com outras espécies forrageiras (azevém, trevos e cornichões). Dentre as vantagens, destaca-se a espontaneidade das plantas, o baixo custo de produção ao longo dos anos e a estabilidade de produção; em contrapartida, como desvantagem, são altamente exigentes em fertilidade do solo. 

Capim-Nilo (Acroceras macrum):

Oriundo da África do Sul, as plantas evidenciam ciclo perene e genoma diploide (2n=2x=36). Revelam rizomas rastejantes e rígidos com produtividade de forragem no verão. As plantas apresentam metabolismo fotossintético C3, respondem à altitude (1000 a 2000 metros) e às precipitações de 625 a 1500 mm, com baixa exigência quanto às peculiaridades físicas do solo. Sua implantação ocorre no período quente do ano, com uso de até 2 toneladas de mudas por hectare, dispostas em sulcos espaçados em 30 centímetros.

Capim-Sudão (Sorghum sudanense):

Tem sua origem no Sudão e Egito, sendo amplamente utilizado no Brasil, Estados Unidos, Argentina e Uruguai. Apresenta ciclo anual com hábito de crescimento ereto e cespitoso. Dentre as vantagens de sua utilização, revela-se a facilidade de semeadura; em contrapartida, as desvantagens são menor tolerância ao déficit hídrico e presença de durrina (tanino intrínseco às sementes).

Centeio (Secale cereale):

Espécie forrageira oriunda da África, de ciclo anual e cultivo na estação fria. As plantas desenvolvem-se bem em diferentes tipos de solo e clima, apresentam crescimento vigoroso, são rústicas, toleram o frio, a acidez do solo, o alumínio e a incidência de doenças. Evidenciam sistema radicular profundo e agressivo, possibilitando o consórcio (azevém, ervilhaca, trevo vermelho e subterrâneo).

Cevada Forrageira (Hordeum vulgare):

Espécie forrageira oriunda do Egito, destinada ao cultivo no período de inverno. Produz elevada quantidade de massa seca por unidade de área, sendo dependente do número de folhas por planta, largura e comprimento (área foliar). Dentre as características agronômicas, ressaltam-se as diferenciações quanto à disposição das espiguetas na espiga, em que a cevada forrageira evidencia seis fileiras com três espigas férteis originando seis cariopses por nó da ráquis (hexagonal); em contrapartida, a cevada cervejeira apresenta uma flor por nó da ráquis formando três cariopses (retangular). Tanto a forragem quanto os grãos apresentam elevado teor proteico em suas estruturas. As plantas não toleram o excesso ou o déficit hídrico e temperaturas baixas, são dependentes das propriedades físicas e químicas do solo (nitrogênio e fósforo). 

Festuca (Festuca arundinacea):

Forrageira oriunda da Europa, caracteriza-se por ter ciclo perene. Dentre as características agronômicas, apresenta-se precoce com produções no outono e ausência de dormência no verão, adapta-se a áreas com declives, apresenta grande número de raízes, possui estolões horizontais curtos e espessos, tem baixa capacidade competitiva com plantas daninhas durante o período de implantação, sendo definidas como plantas rústicas e recomendadas para as condições da campanha do Rio Grande do Sul. Tolera períodos com excesso de umidade no solo e não resiste ao calor excessivo e à baixa disponibilidade de fósforo.

Grama Bermuda, Tifton, Estrela da África (Cynodon dactylon):

São oriundas da Ásia e amplamente utilizadas em países tropicais e subtropicais, apresentam ciclo perene. São indicadas para solos com textura média argilosa e arenosa, preferindo solos úmidos e bem drenados, altitudes de 1800 metros, sendo responsivas à fertilidade do solo, tolerantes à seca, às geadas e ao fogo. Como desvantagem, revelam baixo valor nutricional, se comparado com outras forrageiras, necessitam de elevada fertilidade do solo no momento de implantação e alto custo devido à produção de mudas.

Grama Missioneira, Grama Argentina (Axonopus compressus):

Originária da Argentina e Paraguai, caracteriza-se como um híbrido triploide (3n=3x=30). Como características agronômicas, revelam ampla difusão em ambientes tropicais e subtropicais, adaptados a quase todos os tipos de solos, altamente exigente em umidade para seu crescimento e desenvolvimento, suporta temperaturas baixas e geadas, pode ser cultivada em uma faixa de altitude de 1000 a 2500 metros, tolera sombreamento, solos encharcados e alagamento por curto período de tempo. Sua propagação é exclusivamente vegetativa, por meio de mudas ou estolões implantados na primavera devido às suas sementes não serem viáveis.

Hermártria (Hermarthria altíssima):

É uma espécie tetraploide oriunda da África do Sul, tem ciclo perene e produção de forragem no verão, sendo amplamente difundida na Região Sul do Brasil. Dentre as características agronômicas, evidencia-se a persistência, a elevada produção e o rebrote vigoroso; suporta o pastejo contínuo, revela rápido estabelecimento, boa digestibilidade da matéria seca, possibilita o consórcio e têm alta aceitabilidade pelos animais. Sua implantação ocorre por meio de mudas com densidade populacional de 2500 quilos por hectare.

Pensacola, Grama Forquilha (Paspalum notatum):

Esta espécie forrageira é oriunda das Américas do Sul e Central, sendo extremamente difundida na Região Sul do Brasil, tem hábito de crescimento prostrado e formação de estolões. Dentre as características agronômicas, tem elevada rusticidade, possibilita o consórcio com outras espécies forrageiras, responde vantajosamente ao nitrogênio e ao fósforo. As sementes produzidas apresentam dormência e devem ser escarificadas quimicamente. A espécie deve ser implantada entre abril e outubro com densidade de 2,0 até 3,0 gramas de sementes por metro quadrado e profundidade de no máximo 2 centímetros.

Trigo (Triticum aestivum):

Espécie forrageira de dupla aptidão – para a produção de forragem e de grãos. É oriunda da Síria, Iraque, Turquia e Jordânia, com base genética hexaploide (2n=6x=42). Evidencia ciclo anual, hábito de crescimento ereto e cespitoso, com plantas que revelam até 1,5 metros de altura, sistema radicular fasciculado com raízes seminais (oriundas das sementes) e permanentes (oriundas da coroa). Revela elevado afilhamento, inflorescência caracterizada como uma espiga (composta e dística), onde as espiguetas apresentam três flores (férteis e a central geralmente estéril), responde eficientemente à adubação nitrogenada, ao rebrote, à elevada área foliar e à fração proteica da forragem.

Triticale (Triticosecale):

Esta espécie forrageira é caracterizada como anual é destinada ao cultivo no inverno. Foi desenvolvida por hibridação interespecífica entre o trigo e o centeio. Caracteriza-se como uma planta rústica, tolerante ao acamamento e à acidez do solo, sendo difundida em regiões frias (Brasil, África do Sul, Rússia, Estados Unidos, México, Colômbia, França e Turquia). Requer pH entre 4,5 e 5,5 com mais de 3,5% de matéria orgânica do solo e temperatura do ar entre 10 a 12 ºC, é dependente da oferta hídrica, da temperatura e da umidade relativa do ar, bem como da fertilidade do solo. Deve ser implantada em abril, na densidade de 400 sementes por metro quadrado ou 90 quilos de sementes por hectare, em linhas ou a lanço, na profundidade de no máximo 3 centímetros.

Na Parte II que dá sequência a este conteúdo, você vai conhecer um pouco mais sobre as seguintes gramíneas forrageiras:

  • Brachiaria Brizantha, Decumbens, Humidícola, Mutica e Ruziziensis;
  • Capim Colonião;
  • Capim-Elefante;
  • Capim Gamb;
  • Milheto;
  • Sorgo Forrageiro;
  • Tanner Grass;
  • Teosinto.

 

Referências

CARVALHO, I. R.; SOUZA, V. Q.; NARDINO, M.; OLIVEIRA, A. C. Resultados Experimentais em Plantas Forrageiras. Porto Alegre: Cidadela, 2016.

CARVALHO, I. R.; SZARESKI, V. J.; DEMARI, G.; SOUZA, V. Q. Produção e Cultivo de Espécies Forrageiras. Cidadela: Porto Alegre, 2018.

 

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