Antracnose em chuchu Publicado em:

Neste conteúdo você vai aprender sobre:

  • A doença
  • Sintomatologia
  • Epidemiologia
  • Disseminação 
  • Controle

 

A doença - Antracnose em chuchu

A antracnose, causada pelo fungo Colletotrichum lagenarium, é a doença mais frequente e com maior potencial destrutivo no chuchuzeiro. O fungo pode infectar todos os órgãos aéreos da planta, mas é nas folhas e nos frutos que provoca os maiores danos (DOMINGUES et al., 2011). A doença acomete danos devido à perda de área foliar, que causa a desfolha precoce, ocasionando assim a perda da área fotossintética, resultando na diminuição da vitalidade, podendo levar a planta à morte. Além disso, a doença provoca a depreciação dos frutos, que apodrecem em consequência do ataque do patógeno. Os frutos, se infectados, mesmo após a colheita podem apodrecer durante o transporte para o mercado, causando grandes prejuízos ao produtor (LOPES et al., 1993).

 

Sintomatologia da Antracnose

A doença afeta todas as partes da planta do chuchuzeiro. Nas folhas, as lesões iniciais são encharcadas e logo evoluem para lesões de aspecto necrótico. Apresentam o formato circular e de coloração parda com o centro mais claro (Figura 1). Com o aumento de severidade, as manchas coalescem, espalhando-se pelo limbo foliar.


Figura 1. Folha de chuchuzeiro com lesões iniciais e desenvolvidas de Colletotrichum lagenarium
Figura 1. Folha de chuchuzeiro com lesões iniciais e desenvolvidas de Colletotrichum lagenarium

Domingues et al. (2011) destacam que nos frutos as lesões são elípticas e deprimidas, e inviabilizam a sua comercialização (Figura 2). É muito comum o surgimento dos sintomas na pós-colheita, em frutos colhidos que aparentemente estavam sadios. Desta forma, pode ser considerado um patógeno latente, ou seja, o patógeno tem a capacidade de penetrar o fruto ainda verde no campo, e permanecer inativo até o seu amadurecimento, que muitas vezes coincide com o tempo de prateleira do mercado, conferindo as lesões por ocorrência do seu amadurecimento (AMORIM; PASCHOLATI, 2011). Nas hastes e pecíolos, as lesões são elípticas, deprimidas e de coloração de cinza a parda.

Figura 2. Fruto de chuchu apresentando lesões de Colletotrichum lagenarium
Figura 2. Fruto de chuchu apresentando lesões de Colletotrichum lagenarium

Epidemiologia da Antracnose

O fungo Colletotrichum lagenarium produz frutificações denominadas acérvulos. Sussel (2005) observou que quando o patógeno foi isolado no laboratório, este levou um período de 7 dias sob a temperatura de 20 a 21°C para a ocorrência da esporulação. A liberação dos conídios ocorre sob condição de elevada umidade, com a formação de uma massa rósea sobre as lesões. A doença é favorecida por chuvas ou irrigações excessivas, alta temperatura e alta umidade relativa do ar (LOPES et al., 1994). As condições de alta umidade e temperaturas entre 21 e 27ºC são favoráveis ao desenvolvimento da doença.

 

Disseminação da Antracnose no chuchu

Os conídios são disseminados pelos respingos de água e gotas da chuva e irrigação, por insetos, ferramentas e equipamentos agrícolas. O patógeno pode sobreviver em restos culturais por até dois anos, na ausência de hospedeiros ou parasitando cucurbitáceas cultivadas ou selvagens, que servirão de inóculo inicial para os novos cultivos (DOMINGUES et al., 2011). 

 

Controle da Antracnose

  • Evitar irrigação por aspersão, pois favorece a germinação e a disseminação dos conídios. Deve-se dar preferência à irrigação por gotejamento, evitando assim que as folhas fiquem molhadas por um longo período. Caso o único método que se tenha à disposição seja a irrigação por aspersão, esta deve ser efetuada no período da manhã, evitando-se os finais de tarde para que as folhas não permaneçam molhadas por muito tempo.
  • Utilizar mudas vigorosas e sadias, provenientes de plantas sem doenças. 
  • Eliminar os restos culturais, de maneira que não fiquem resíduos no local do plantio.

 

Referências

AMORIM, L.; PASCHOLATI, S. F. Ciclo de relações patógeno-hospedeiro. In: AMORIM, L.; REZENDE, J. A. M.; BERGAMIM FILO, A. Manual de fitopatologia. 4. ed. Piracicaba: Agronômica Ceres, 2011. p. 59-100. (vol. 1: Princípios e conceitos)

DOMINGUES, R. J.; TÖFOLI, J. G.; FERRARI, J. T.; AZEVEDO FILHO, J. A. de. Principais doenças fúngicas do chuchuzeiro (Sechium edule) no estado de São Paulo. Instituto Biológico. São Paulo, v. 73, n. 1, p. 5-9, 2011. 

LOPES, J. F.; OLIVEIRA, C. A. S.; FRANÇA, F. H.; CHARCHAR, J. M.; MAKISHIMA, N.; FONTES, R. R. A cultura do chuchu. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica; Embrapa, 1994. 55 p. (Coleção Plantar, 14).

LOPES, J. F.; OLIVEIRA, C. A. da S.; SOUZA, A. F. de; BARBOSA, S.; CHARCHAR, J. M.; CASTOR, O. S.; MAKISHIMA, N. O cultivo do chuchu. A lavoura, n. 603, p. 36-42, set./out. 1993.

SUSSEL, A. A. B. Caracterização de isolados de Colletotrichumlagenarium, agente causal da antracnose das curcubitáceas. 2005. 68 p. Dissertação (Mestrado) – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Piracicaba, 2005.

 

Entenda também sobre a Antracnose em outras culturas:

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