Alternativas para avaliação da pastagem Publicado em:

Aprenda como realizar a avaliação de uma pastagem e quais parâmetros podem ser mensurados

A produtividade de uma pastagem é decorrente da escolha eficiente da espécie forrageira, da qualidade e seus efeitos no desempenho animal, além de condições específicas da espécie e suas exigências nutricionais, fertilidade do solo, nível tecnológico da propriedade, sistema de cultivo e do manejo adotado. 

Algumas formas de utilização da pastagem podem ser evidenciadas, como monocultivo, consórcios, integração lavoura-pecuária ou agropastoril, silvipastoril ou integração lavoura-pecuária-floresta, sendo a forrageira produzida destinada à produção de leite, carne, couro, lã, aves de corte, ovinos e equinos, bem como, armazenada como silagem, feno e pré-secado. O adequado manejo das pastagens proporciona o incremento de produção e maximiza o equilíbrio da interação solo x planta x animal. Neste sentido, as avaliações das pastagens buscam determinar qual o manejo e as técnicas que devem ser aplicadas onde se preconiza que as avaliações sejam fidedignas e representem as condições reais de oferta da forragem aos animais.

Metodologias e princípios das avaliações

A amostragem de forragem apresenta-se variada, busca-se a melhor distribuição das amostras e que estas representem a variabilidade e atendam ao objetivo do estudo. Pode ser realizada casual, sistemática e estratificadamente. 

1° passo: define-se o número de amostras básicas para representar fidedignamente a variabilidade da pastagem, busca-se o incremento da acurácia e minimiza-se os desvios entre as amostras. As amostragens dentro da pastagem devem ser realizadas em zig-zag ou em W. 

2° passo: determina-se a massa da forragem contida em uma área conhecida e corta-se a forragem em 0,25 m² (50 x 50 cm)

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Figura 1. Como realizar a amostragem de forragem. Fonte: Elevagro.

Como critério, utiliza-se no mínimo quatro e no máximo vinte amostragens por talhão de pastagem, mantém-se o cuidado para não contaminar a amostra com plantas daninhas e solo. Indiretamente, pode-se realizar a dupla amostragem, onde se ajusta a coleta da forragem e anexam-se parâmetros de qualidade na forragem, obtendo-se uma estimativa quantitativa e qualitativa estratificada da pastagem.

Amostragem Botonal

Esta amostragem é realizada em grandes áreas que evidenciam pastagens heterogêneas. Cinco escores são elencados para representar a situação quantitativa da pastagem. Primeiramente são definidos os escores um e cinco; após, definem-se os escores intermediários ponderados pela mensuração da massa verde e pela observação das condições da pastagem. 

Neste método, elencam-se as principais espécies forrageiras que compõem a pastagem, e utiliza-se um quadro de 0,25 m² para determinar a produtividade de forragem na área conhecida; posteriormente, aplicam-se os escores. Nestas condições, procede-se no mínimo 50 amostragens gerando seus respectivos escores; na sequência, obtém-se a razão entre o somatório dos escores e o número de amostras que representem a magnitude de forragem por hectare, ajustando-se os valores pela multiplicação por 25 % (MS) para obter a produtividade de matéria seca por hectare. As amostras de matéria verde podem ser submetidas à secagem em fornos micro-ondas ou em estufas de ventilação forçada por 72 h a 60 ºC até a obtenção da massa constante.

Componentes estruturais da amostra

Toda e qualquer amostra deve ser representativa da população de plantas forrageiras, e as espécies botânicas contidas nesta devem ser separadas e submetidas à secagem. As estruturas foliares podem ser divididas em lâmina e bainha, os colmos ou hastes podem ser separados das inflorescências, deve-se determinar a relação entre folhas e colmos ou hastes, e a proporção de material senescente contido na amostra. Após o processamento, as amostras secas devem ser moídas em partículas inferiores a dois milímetros e direcionadas ao laboratório para determinação dos caracteres qualitativos, como a digestibilidade, fibra em detergente neutro e ácido, fibra bruta, celulose, hemicelulose, lignina, carboidratos não estruturais e estruturais, lipídios, proteína bruta e material mineral. 

Índice de área foliar

Este atributo consiste na relação entre a área de folhas que recobrem a superfície do solo (m² de folha/ m² de solo) e pode expressar o potencial de produtividade da espécie forrageira. Esse caráter determina o momento de entrada e saída dos animais da pastagem e representa a máxima interceptação da radiação solar pela planta, através do nível crítico do índice de área foliar (IAF). Sendo necessário preservar um mínimo de lâminas foliares após o pastejo, que possibilite um rápido rebrote. Este atributo pode ser aferido por aparelhos tipo Scanner (Li-2000®), métodos destrutivos por discos de área conhecida, métodos fotográficos, biométricos, através das medidas de comprimento e largura das folhas ponderadas por um fator de correção. 

Taxa de acúmulo de biomassa

A disponibilidade de forragem para os animais é determinada através da biomassa acumulada durante o crescimento e o desenvolvimento das plantas. Em condições ambientais ideais, este processo caracteriza-se como contínuo e acumulativo, sendo o produto de interações genéticas, morfológicas, fisiológicas e ambientais, que em conjunto determinam a produtividade da forragem. 

Afilho marcado

Este método é baseado na observação das características morfogênicas da espécie forrageira, possibilitando compreender a emissão e a expansão das estruturas morfológicas da planta. É uma das mais importantes características, pois confere a persistência da forragem, mesmo em condições desfavoráveis do ambiente e sob pastejo intenso. Esta técnica apresenta-se confiável para a determinação da taxa de crescimento das plantas forrageiras em condições experimentais, quando as avaliações devem ocorrer durante o período de descanso da pastagem, mantendo as marcações das novas plantas ao longo do crescimento e desenvolvimento, pois o uso desta técnica possibilita obter a taxa de alongamento foliar, a taxa de senescência das folhas, a taxa de alongamento do colmo ou haste, a taxa de surgimento de folhas, o número de folhas vivas, o comprimento final da lâmina foliar, a densidade de afilhos, a altura do dossel e do filocromo, e possibilita determinar a acessibilidade do animal à forragem (extrusa), o que revela o quanto cada bocado pode capturar de forragem, e pondera-se pelo crescimento das plantas e o tempo de pastejo.

Tempo de pastejo

A escala de tempo de pastejo é resultante do consumo de forragem pelo animal em minutos ou horas, associado à acessibilidade e à qualidade da forragem. Observa-se a cada dez minutos o comportamento de todos os animais no pasto ou por meio de coleiras de rastreamento, e armazena-se as informações a cada cinco minutos; o animal ao entrar na pastagem evidencia várias paradas que são determinadas de prato forrageiro (área de alcance e coleta de forragem sem deslocamento). As estimativas são baseadas na observação do consumo, caminhamento e paradas transcorridas durante o pastejo do animal.

Taxa de bocados

Realiza-se a observação da frequência de bocados que cada animal efetua no momento do pastejo, obtém-se a mensuração do tempo necessário para que cada animal realize 20 bocados, analisa-se o ritmo e o número de bocados durante este procedimento, posteriormente, afere-se a massa de cada bocado. Para obter melhores estimativas, pode-se proceder o estudo em animais fistulados, compreender o tamanho do bocado e ajustar mediante o peso do animal, largura da arcada dentária e o estágio fisiológico de desenvolvimento do animal.

Consumo animal

Este parâmetro deve ser ponderado através das determinações do tempo gasto para ocorrer o pastejo do animal, taxa de bocados, tamanho do bocado e obter as estimativas. O ganho de peso animal deve ser estimado através da pesagem individual de cada animal junto à aferição do número de dias de pastejo; esta razão revelará o ganho diário médio por animal em uma determinada unidade de área.

Práticas de manejo

O manejo das espécies forrageiras tem por objetivo assegurar a longevidade, a persistência e a estabilidade da pastagem, promover a produtividade e a qualidade da forragem para suprir as carências alimentícias e nutricionais dos animais. O pastejo apresenta efeito positivo na espécie forrageira, resultando em maior capacidade de penetração da luz no dossel inferior das plantas, incrementa a proporção de folhas novas e a atividade fotossintética; em contrapartida, os efeitos negativos são atribuídos à redução da área foliar, à remoção dos meristemas apicais e à alta extração de nutrientes. 

Diante disto, as definições de manejo devem ser estruturadas de acordo com a base produtiva, ou seja, o perfil do sistema de produção, as respostas fisiológicas das plantas forrageiras e o desempenho animal frente ao manejo.

Definições da primeira desfolha ou pastejo

Como critério para a entrada dos animais na pastagem, a primeira desfolha é embasada através da máxima expansão foliar das plantas. As plantas, ao interceptarem 95 % da radiação solar incidente sobre o dossel, estarão aptas a serem pastejadas. Fatores como frequência, intensidade, uniformidade e época da desfolha em relação à fase de desenvolvimento da planta podem influenciar diretamente o momento de iniciar a desfolha. Ao identificar o índice de área foliar ótimo, este proporciona máximo rendimento forrageiro, acúmulo de reservas e qualidade da forragem, portanto, o ponto para realizar a primeira desfolha é dependente direto do IAF, da arquitetura e da densidade populacional de plantas.

REFERÊNCIAS

SILVA, J. A. G.; CARVALHO, I.R.; MAGANO, D. A. A cultura da aveia: da semente ao sabor de uma espécie multifuncional. Curitiba, PR: CRV, 2020. v. 1000. 404p.
CARVALHO, I. R.; SZARESKI, V. J.; NARDINO, M.; VILLELA, F. A.; SOUZA, V. Q. Melhoramento e produção de sementes de culturas anuais: soja, milho, trigo e feijão. Saarbrücken, Germany: Ommi Scriptum Publishing Group, 2018. v. 50. 229p.
CARVALHO, I. R.; NARDINO, M.; SOUZA, V. Q. Melhoramento e cultivo da soja. Porto Alegre: Cidadela, 2017. v. 100. 366p.
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