Tecnologia de Aplicação: Compatibilidade de defensivos agrícolas

Publicado em: 07/01/2013
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Neste material você vai ter acesso a informações de como avaliar e perceber a compatibilidade na mistura de defensivos agrícolas, tais como:

- O que é compatibilidade de defensivos agrícolas

- Qual a ordem de mistura dos defensivos agrícolas

- Quais variáveis devem ser observadas na compatibilidade de defensivos agrícolas

- Como realizar um teste de compatibilidade de produtos na fazenda

 

Sempre que for realizar a mistura de defensivos agrícolas, é fundamental conhecer a compatibilidade da mistura dos defensivos.


 

O que é compatibilidade de defensivos agrícolas?

A compatibilidade da mistura de defensivos agrícolas pode ser definida de três formas:

- Efeito aditivo:

Quando misturados, um produto não interfere na eficácia do outro. A eficácia dos produtos aplicados em mistura é a mesma do que se forem aplicados separadamente.

- Efeito sinérgico:

Quando misturados, um produto melhora a eficácia do outro. A eficácia dos produtos aplicados em mistura é maior do que se forem aplicados separadamente.

-Efeito antagonista:

Quando misturados, há incompatibilidade entre os produtos, nesse caso a mistura deve ser evitada. A Incompatibilidade pode ser de duas formas:

                - Incompatibilidade física: floculação, separação, precipitação.

                - Incompatibilidade química: inativação, degradação de moléculas.

A medição dos valores do Potencial Hidrogeniônico (pH) e da Condutividade Elétrica (CE) da água que será utilizada no preparo da calda, e a da calda pronta (depois da dosagem dos produtos), é muito importante para prever possíveis problemas de incompatibilidade na mistura, sejam elas físicas ou químicas.

 

Potencial Hidrogeniônico (pH)

O pH das caldas de produtos químicos influencia na eficiência de controle, pois afeta:

- a estabilidade do i.a.

- o grau de dissociação.

pH < 3,5 pode ocorrer a dissociação iônica e precipitação produto com redução solubilidade aumentando riscos de fitotoxicidade;

pH >7,0 pode ocorrer a hidrólise alcalina com degradação do i.a., afetando a vida do Produto.

Figura 1 – Demonstração da medição do pH com a utilização de pHmetro.

 A influência do pH da calda na eficácia de controle da ferrugem asiática, pode ser observada na Figura 2.

Figura 2 – Número de dias para o surgimento do 1° sintoma de P. pachyrhizi influenciado pelo pH da calda de aplicação.

 

 Condutividade Elétrica (CE)

A CE é outra variável importante de avaliar, pois valores de CE altos indicam a presença de grandes quantidades de íons, os quais podem diminuir a eficiência biológica dos produtos.

Na maioria das vezes, há uma relação entre pH e CE da calda, onde caldas com valores de pH muito baixos ou muito altos apresentam alta presença de íons (Figura 3).

Figura 3 - Valores de Condutividade elétrica de caldas com fungicida em diferentes pH.

 

Qual a ordem de mistura dos defensivos agrícolas?


De maneira geral, os produtos fitossanitários devem ser adicionados à calda na seguinte ordem:

1° Formulações Pó molhável (WP) e grânulos dispersíveis (WG)

2° Suspensão Concentrada (SC)

3° Óleos emulsificantes e Concentrado Emulsionável (CE)

4° Adjuvantes*

- Surfactantes: modificadores das propriedades dos líquidos;

- Aditivos: afetam a absorção pelas plantas;

5° Fertilizantes foliares quelatizados**

* No caso de água dura (ph>7,0) e/ou herbicidas como glifosato, o redutor de pH pode ser colocado antes.

** Quelatizante são compostos que isolam a carga elétrica e suprimem a reatividade de moléculas e íons, sua função é proteger os nutrientes catiônicos (Ca2+, Mg2+, Co2+, Cu2+, Fe2+, Mn2+ e Zn2+) para que estes fiquem menos sujeitos as reações de precipitação ou de insolubilização.

São compostos utilizados como quelatizantes o:

-EDTA (etilenodiaminotetracetato)

-DTPA (ácido dietileno triamino pentaacético)

-Ácido cítrico

-Ácido fenólico

 

Como realizar um teste de compatibilidade de produtos na fazenda

O teste básico para avaliar a compatibilidade de produtos é realizar uma pré-mistura dos agroquímicos, nas mesmas proporções que serão adicionadas à calda de aplicação, em um recipiente. Após a dosagem, verificar por 30 minutos se há formação de espuma, decantação, floculação ou qualquer processo de desestabilização da calda.

Para realizar esse teste, é fundamental que os produtos sejam dosados na mesma proporção que será aplicada a campo. Por exemplo, se a dose a ser utilizada do produto “A” é de 1 L.ha-1, e do produto “B” é de 2 L.ha-1, em um volume de calda de aplicação de 100 L.ha-1. Nesse exemplo, ao testar a compatibilidade da mistura dos produtos, deve ser dosado em 1 L de água, 10 mL do produto “A” e 20 mL do produto “B”, para que a calda do teste fique com a mesma concentração dos produtos da calda a ser utilizada no campo.

 

Esse teste pode ser realizado em tanques de pré mistura (Figura 4), ou em litros PET (Figura 5).

Figura 4 – Teste de compatibilidade de pré aplicação, realizado em tanque de pré mistura.

 

Figura 5 – Teste de compatibilidade de pré aplicação, realizado em garrafas PET.

Para saber mais sobre compatibilidade para misturas em tanque, acesse a  tabela desenvolvida pela UENP (Universidade Estadual do Norte do Paraná) e Embrapa Soja, em parceria com a Agro DBO


 

Autor(a)

Dr. Marcelo Gripa Madalosso

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