Soja louca II é detectada em lavouras do Rio Grande do Sul

Publicado em: 02/05/2016
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Veja no material o detalhamento técnico do nematoide de parte aérea da família Aphelenchoididae contendo: suas características, sintomas, ciclo de vida, disseminação e as estratégias de manejo.


Nematoide de parte aérea

O Instituto Phytus recebeu diversas reclamações de produtores de alguns municípios do Rio Grande do Sul (Júlio de Castilhos, Tupanciretã, Jóia, Cacequi e Cachoeira do Sul) referentes à ocorrência de um distúrbio fisiológico nas plantas de soja.

Segundo os produtores, grande parte destas lavouras apresentaram diferenças nítidas em relação ao ciclo de maturação, tendo partes com estádios avançados de senescência e outras expressando uma forte retenção foliar e ausência de legumes.

Estes sintomas estavam muito semelhantes aos já comprovados cientificamente pelo pesquisador da Embrapa, Mauricio Meyer, denominada de “Soja Louca II”, causada pelo nematoide Aphelenchoides sp. Após as análises no laboratório de Nematologia do Instituto Phytus, foram identificados dezenas de exemplares deste nematoide, parasitando folhas e legumes

 

Detalhamento Técnico:

Família Aphelenchoididae

Nematoides desta família são mundialmente conhecidos como fitoparasitas de parte aérea dos vegetais, ora sobrevivendo como micófagos, alimentando-se de fungos presentes no solo (Figura 1).


Existem relatos diversos de danos em culturas como arroz, ornamentais e florestais. 

Figura 1 – Representantes da família Aphelenchoididae.

A característica de ectoparasita migrador permite que promova a infecção/dano no hospedeiro e, posteriormente, desloque até o próximo sitio de infecção. 

 

Sintomas

Em plantas de soja, tem se observado grande abortamento de legumes durante o estádio reprodutivo (R3 – R6), seguido de sintomas atípicos nas plantas como brotamento excessivo nas hastes, folhas enfezadas, afiladas, com coloração verde escuro e hastes muito alongadas.

Em arroz, pode atacar as folhas resultando no sintoma chamado de “ponta branca”, reduzindo a área fotossinteticamente ativa e as panículas. Além disso, destrói parcial ou totalmente os órgãos florais e consequentemente, a produção de sementes. Já em ornamentais acaba prejudicando a qualidade final de folhas, flores e frutos. 

 

Ciclo de Vida


Pode variar entre 8 a 10 dias, em função da temperatura do ambiente onde está localizado, sendo menor quanto mais frio e vice-versa.

As sementes contaminadas são levadas ao solo onde os nematoides utilizam micélios como fonte de alimentação, proporcionando seu desenvolvimento, sendo atraído para as áreas meristemáticas.

Com o crescimento do vegetal, a abundância de água livre na superfície do colmo permite com que os nematoides se desloquem até as axilas de folhas e flores, ovipositando.

A abundância de chuva permite que se prolifere intensamente nestes locais, podendo decrescer com a queda da temperatura. No caso de estresse hídrico, o nematoide pode sobreviver anos em anidrobiose.

Após a colheita, os locais de sobrevivência são plantas hospedeiras ou alimentando-se de fungos de solo.

Figura 2 – Ciclo do Aphelenchoides sp. na planta de soja.

Disseminação

Entre áreas: sementes contaminadas, principalmente em gramíneas que já foi comprovado e ainda em pesquisa e sem comprovação na soja;
Entre plantas: contato entre plantas doentes e sadias em dias chuvosos.

Estratégias de Manejo

Ainda são restritas e em fase de pesquisa, entretanto medidas são possíveis de serem adotadas
para prejudicar o ciclo do patógeno:

  • Tratamento de sementes;
  • Destruição de material contaminado;
  • Controle da irrigação. 
Autor(a)

Dr. Marcelo Gripa Madalosso

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