Produtor de milho safrinha: previna-se contra os riscos do enfezamento

Publicado em: 23/02/2022
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Rede Agroservices

Produtor de milho safrinha: previna-se contra os riscos do enfezamento

Nas últimas duas safras, o Sudeste e o Centro Oeste brasileiro vem sofrendo com a presença de uma doença bem conhecida: o enfezamento.  

Essa doença pode dizimar grandes extensões das lavouras produtoras de grãos e sementes de milho, devido ao elevado poder de migração de seu inseto vetor, a cigarrinha-do-milho.

Nestas regiões do Brasil, grandes extensões de lavouras de milho ocorrem concomitantemente. Em consequência da oferta do alimento e da intensa atividade migratória da espécie-praga, as lavouras semeadas tardiamente, incluindo a safrinha, são as que mais sofrem com os surtos da doença.

 
Lavouras de milho vizinhas, em estádios diferentes, cenário propício para a ocorrência de enfezamento
 
Lavoura, no Centro-Oeste do Brasil, com ocorrência de enfezamento

A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é um inseto-vetor, ou seja, uma praga que se alimenta da seiva do milho e transmite os patógenos causadores do enfezamento pálido e enfezamento-vermelho.

Os sintomas do enfezamento são percebidos tardiamente, mas a presença da cigarrinha pode ocorrer desde os primeiros estádios de desenvolvimento do milho. Quanto a mais cedo a planta for atacada e infectada, maior serão os danos causados pela doença.

Para prevenir-se é necessário o uso de algumas medidas como:

Evitar a semeadura tardia do milho,

Não fazer novos plantios de milho próximos a lavouras mais velhas, já infectadas, evitar que as cigarrinhas infectantes ataquem a nova lavoura.

Evitar a utilização de semeadura escalonada, para evitar a concentração de cigarrinhas infectantes;

Utilizar cultivares de milho com resistência genética aos enfezamentos;

Rotacionar as cultivares entre uma safra e outra, evitando a resistência genética dos patógenos aos híbridos resistentes,

Eliminar plantas voluntárias de milho, quando estas apresentarem molicutes e cigarrinhas, ajudam a reduzir o inóculo.

Utilizar tratamento de sementes com inseticida, sempre que possível, para controlar a cigarrinha, principalmente em áreas onde a incidência e época de ocorrência dos enfezamentos oferece mais riscos.

 

Lembrando que, quando a pressão de inóculo dos patógenos for muito alta, apenas o tratamento inseticida para controle da cigarrinha não é eficaz.

 

ATENÇÃO!

A utilização de cultivares de milho sem algum nível de resistência aliado ao constante fluxo de entrada de cigarrinhas infectantes na lavoura, contribuem para ineficácia dos inseticidas. O plantio de mais de uma safra ao ano requer uma análise prévia da região, sincronizando as épocas de plantio com as demais lavouras vizinhas para, deste modo, evitar a proliferação dos patógenos e do inseto-vetor.

 


Autor(a)

Drª. Sílvia Ortiz

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