O que é a microbiologia do solo e como usá-la a nosso favor

Publicado em: 23/01/2022
Compartilhe:

Neste material você vai conhecer um pouco mais sobre:

  • O que é microbiologia do solo 
  • Fatores que afetam os microrganismos
  • Microrganismos como bioindicadores de qualidade

O que é a microbiologia do solo?

O solo é o reservatório mais importante de biodiversidade no planeta Terra. Os organismos que vivem no solo são classificados em função do seu tamanho em microrganismos e macrorganismos. Os microrganismos são importantes por realizarem processos tidos como chave para a manutenção da vida no planeta, como a ciclagem de nutrientes, a fixação do nitrogênio atmosférico e a decomposição da matéria orgânica. A microbiologia do solo é o ramo da ciência que estuda os microrganismos que vivem no solo, os processos relacionados a eles e sua influência sobre o solo. 

Fatores que afetam os microrganismos do solo

O crescimento e a atividade dos microrganismos no solo são afetados por diversos fatores bióticos (relações entre as comunidades microbianas) e abióticos (relacionados ao ambiente). Dentre os fatores abióticos, os mais importantes são: umidade, temperatura, disponibilidade de oxigênio, pH e disponibilidade e proporção de nutrientes presentes no substrato, onde todos atuam de forma iterativa, e por isso, nenhum é mais ou menos importante para os microrganismos.

  • As células microbianas são em torno de 80 % de conteúdo citoplasmático e 20 % de substâncias dissolvidas na água. Assim, a umidade é crucial para os microrganismos, sendo essencial a presença de água para o correto funcionamento celular. É preciso que esta água esteja disponível, não podendo estar ligada a macromoléculas por forças físicas. 
  • A temperatura determina a taxa de crescimento e a atividade dos microrganismos. Entretanto, devido a sua grande adaptabilidade, encontramos microrganismos desde -20 °C até temperaturas acima de 100 °C. Mesmo com esta diversidade, cada microrganismo possui uma faixa de temperatura que vai de um valor mínimo, passando pelo valor ótimo, até o valor máximo de temperatura para seu crescimento. Esses três pontos são as temperaturas cardeais.
  • A quantidade de oxigênio presente no ambiente vai determinar o potencial de oxidação-redução deste. Em solos bem drenados, com alto teor de oxigênio, encontramos organismos que realizam a respiração aeróbica. Em solos alagados, encontramos o oposto – microrganismos que realizam a respiração anaeróbica, ou seja, utilizam outros aceptores finais para a cadeia respiratória que não o oxigênio. 
  • Os microrganismos do solo suportam diferentes faixas de pH e sua variação, como quando realizamos a calagem. De forma genérica, as bactérias preferem valores de pH mais elevados, de 5 a 8. Já os fungos preferem as condições mais ácidas, pH de 4 a 6. Assim, o pH do solo irá refletir em formações de populações microbianas um pouco diferentes para cada faixa.
  • Para que os microrganismos cresçam, uma série de condições e nutrientes são necessários: fontes de carbono, de energia, de nitrogênio, vitaminas, sais minerais e água. De modo que tanto a composição do substrato como o equilíbrio dos nutrientes presentes nele são importantes para que a população de microrganismos se desenvolva.

Microrganismos como bioindicadores

Tendo em vista o importante papel desempenhado pelos microrganismos – que são influenciados por vários fatores, apresentam capacidade de responder prontamente a alterações ou perturbações causadas ao solo e possuem características mensuráveis – esses podem ser utilizados como indicadores de qualidade ou degradação do solo. 
Avaliar a qualidade do solo é fundamental para a sustentabilidade da atividade agrícola e também quando pensamos em produtividade, pois o solo é a base de toda produção agrícola. E como queremos atingir altos níveis produtivos se o solo não vai bem? O uso de indicadores de qualidade permite ainda acompanhar os efeitos que determinado manejo adotado está tendo sobre o solo, se está melhorando sua condição ou promovendo sua degradação.

Curiosidade

As bactérias no solo possuem um tamanho médio de 0,5 x 1 µm e apresentam-se em altas quantidades, chegando a 108 a 109 unidades por grama de solo. Em biomassa úmida, podemos ter de 300 a 3000 kg por ha de bactérias. Para os fungos, o tamanho médio é de 8 µm, considerando o diâmetro da sua hifa, o número chega a 105 a 106 unidades por grama de solo e de 500 a 5000 kg de biomassa úmida por hectare.

Referências

AITA, C.; GIACOMINI, S. J. Microbiologia do solo. Santa Maria: UFSM, 2009. (Apostila didática da disciplina Microbiologia do Solo do curso de Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria)
LEITE, L. F. C.; ARAÚJO, A. S. F. Ecologia microbiana do solo. Teresina: Embrapa Meio-Norte, 2007. (Documento 164).
SILVEIRA, A. P. D.; FREITAS, S. S. Microbiologia do solo e ambiental. Campinas: Instituto Agronômico, 2007.

Autor(a)

Elevagro Plataforma

MATERIAIS MAIS ACESSADOS:
VOCÊ PODE GOSTAR: