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Início / IV Seminário Phytus: perguntas e respostas – nematologia

  • Materiais Técnicos
  • 18/02/2022

IV Seminário Phytus: perguntas e respostas – nematologia

Sumário

Nos estudos com nematoides na soja, como são realizados os ensaios para avaliação de produtividade? Qual o nível de infestação e tipo de solo?

A maioria dos nossos estudos são realizados em lavouras comerciais de soja de produtores parceiros, áreas com histórico do problema, com níveis elevados de infestação e com forte impacto na produtividade de grãos. A maioria dessas áreas são em solos arenosos.

 

Qual a relação da fertilidade do solo com o desenvolvimento e infecção dos nematoides na planta?

Sabemos que a capacidade que as plantas têm de se defender é diretamente influenciada pelo seu vigor, e consequentemente, seu estádio fenológico. Por exemplo, uma planta com deficiências nutricionais (desequilibrada/desbalanceada) normalmente é mais vulnerável ao ataque, não só de fitonematoides mas também a outros patógenos, quando comparada a uma planta em boas condições nutricionais. Uma planta bem nutrida tem maior capacidade de tolerar o ataque dos nematoides por meio do acionamento dos mecanismos de defesa, tanto químicos quanto estruturais.
Além disso, a nutrição pode contribuir para um desenvolvimento/crescimento “mais acelerado” das raízes, permitindo a evasão de zonas com maior infestação dos nematoides, bem como a região de preferência para a infecção, funcionando como um escape ao período de maior vulnerabilidade da planta. Vale lembrar também que, quando falamos de nutrição equilibrada, nos referimos tanto a falta quanto ao excesso, pois ambos podem ser desfavoráveis para a planta. 

 

Melhorar a vida microbiana do solo tem efeito positivo no manejo de nematoides?

Sim, a melhoria da microbiota do solo está ligada ao aumento da população de microrganismos benéficos no solo, os chamados “inimigos naturais”. Com os inimigos naturais, um ambiente mais diversificado, é possível explorar mecanismos de ação contra os nematoides tais como a competição por recursos do meio, a predação e/ou parasitismo, antibiose, dentre outros, o que é muito importante no manejo integrado de nematoides. 

 

Como manejar áreas de soja com elevada infestação por nematoides? Qual o tempo necessário? 

A reversão de áreas com elevada infestação varia de acordo com a espécie. Além disso, quanto maior a infestação, maior poderá ser o tempo e o custo para manejo. As medidas para reversão são de médio a longo prazo, não existem medidas imediatistas para solucionar o problema. Como mencionado no IV Seminário Phytus, o primeiro passo é conhecer a espécie e o nível populacional presente na lavoura, que certamente estará associado com o histórico de manejo da área, sequência de cultivos, enfim.
As principais estratégias ou medidas para reverter esse quadro, baseiam-se na aplicação de nematicidas, químicos ou biológicos, via tratamento de sementes ou sulco de semeadura, na utilização de variedades resistentes/tolerantes, e principalmente na rotação de culturas com plantas não-hospedeiras. Vale lembrar que essas medidas devem ser utilizadas de maneira integrada, pois o manejo de nematoides é de convivência, tendo em vista que sua erradicação é praticamente impossível. 

 

A “nova agricultura” quanto ao manejo de nematoides, irá mais pelo caminho da redução populacional dos nematoides no solo ou pelo caminho do desenvolvimento de cultivares mais tolerantes/resistentes? 

Na nossa opinião, pelos dois caminhos. Se conseguirmos reduzir a população no solo para um limiar que não interfira negativamente na produtividade, isso com certeza será muito benéfico. Felizmente, hoje temos ferramentas para atuar eficientemente nesse caminho, mesmo que demore um pouco de tempo. A tolerância de plantas ainda tem sido pouco explorada e acreditamos que ganhará cada vez mais importância. Cultivares tolerantes suportam mais o ataque dos nematoides e geralmente conseguem produzir mais, numa mesma condição de infestação, em comparação a cultivares suscetíveis.
Nos trabalhos atuais, a genética das cultivares tem sido muito relacionada ao fator de reprodução (FR) frente as espécies de nematoides. Isso tem levado os produtores a escolher as cultivares baseados única e exclusivamente nesse parâmetro. No entanto, em alguns estudos temos notado baixa relação da produtividade da cultivar com o fator de reprodução (FR), evidenciando que existe algo a mais na relação planta/nematoide. A princípio sempre se imaginou que quanto menor o FR da cultivar, maior seria sua produtividade e vice-versa. Isso evidencia que pode haver outros parâmetros ligados a maior tolerância de determinadas cultivares, os quais podem não estar relacionados a um baixo FR.

 

Em uma área com Pratylenchus brachyurus, que alternativas de manejo seriam interessantes?

A rotação de culturas é uma das melhores alternativas para o manejo, visando reduzir a população no solo. Por ser uma espécie extremamente polífaga, ou seja, tem a capacidade de parasitar inúmeras plantas, a escolha de plantas adequadas, tanto para cobertura, quanto para rotação, será fundamental. Na plataforma Elevagro disponibilizamos uma tabela com a reação de algumas plantas de cobertura frente a diferentes nematoides e ela poderá auxiliar nessa escolha. A tabela pode ser acessada aqui.
O controle químico com nematicidas e uso de agentes de controle biológico, via tratamento de sementes ou sulco de semeadura, tem apresentado resultados promissores no manejo desse nematoide-das-lesões-radiculares e deverá ser uma alternativa dentro de um programa de manejo integrado.  

Foto de Dr. Paulo S. Santos

Dr. Paulo S. Santos

Possui graduação em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário de Várzea Grande (2009), Especialização em Processamento Pós-colheita de Grãos e Sementes pela Universidade Federal de Mato Grosso (2012), Mestrado em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Santa Maria (2015), Doutorado em Agronomia pela Universidade Federal de Santa Maria (2020). Atualmente é coordenador de pesquisa na área da Nematologia pelo Instituto Phytus/DF.
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