Conheça as principais doenças do milho safrinha - parte 2

Publicado em: 16/02/2022
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O controle eficiente das doenças é indispensável quando desejamos atingir uma produtividade adequada em qualquer cultura, e para o milho semeado em segunda safra, também chamado de milho safrinha, não é diferente, principalmente quando consideramos as adversidades climáticas desta época de plantio, que deixa a lavoura mais suscetível ao surgimento de doenças. Para que o manejo dessas doenças seja efetivo, é preciso conhecer os sintomas e as características daquelas que são as principais “dores de cabeça” do produtor. 
Na parte 1 você conheçeu as sequintes doenças chave que acometem as lavouras de milho safrinha no Brasil: 

  • Cercosporiose (Cercospora zeae-maydis)
  • Mancha branca (Phaeosphaeria maydis)
  • Ferrugem Polisora (Puccinia polysora)
  • Ferrugem Tropical ou Ferrugem Branca (Physopella zeae)

Neste material, a parte 2, você vai conhecer um pouco mais sobre:

  • Helmintosporiose (Exserohilum turcicum)
  • Mancha de Bipolaris maydis
  • Enfezamento pálido e vermelho

Helmintosporiose (Exserohilum turcicum)

O patógeno E. turcicum está em todas as lavouras de milho brasileiras, de forma que em condições ambientais favoráveis, como alta umidade e temperaturas entre 18 e 27°C, somadas a um híbrido com baixo nível de resistência, às perdas podem ser bastante significativas.

Os sintomas da doença são lesões necróticas, elípticas, variando de 2,5 a 15 cm de comprimento, como podemos ver na imagem a seguir. O tecido necrosado das lesões varia de verde-cinza a marrom e, no interior das lesões vemos uma intensa esporulação do patógeno. As lesões começam a aparecer, geralmente, nas folhas mais velhas da planta de milho.


Figura 1. Sintomas de helmintosporiose (Exserohilum turcicum) em milho. Fonte: Mônica Debortoli. Disponível em: https://elevagro.com/foto/sintomas-de-helmintosporiose-exserohilum-turcicum-em-milho-6/.
Figura 1. Sintomas de helmintosporiose (Exserohilum turcicum) em milho.

As medidas de controle incluem a adoção de rotação de culturas em áreas
de plantio direto e uso de controle químico, que só deve ser utilizado mediante a identificação correta da doença.

Mancha de Bipolaris maydis

Esta doença ocorre em todo o território brasileiro, porém geralmente em baixa e média severidade. Atualmente, em algumas áreas do Centro-Oeste e do Nordeste, a doença tem ocorrido com elevada severidade em materiais suscetíveis ao patógeno.

São reconhecidas duas raças do fungo B. maydis com sintomas diferentes, a “0” e a “T”. A raça “0” é predominante nas principais regiões produtoras, com sintomas em forma de lesões alongadas, orientadas pelas nervuras com margens castanhas e com forma e tamanho variáveis. Mesmo que as lesões sigam a orientação das nervuras, as bordas das lesões não são tão bem definidas, como ocorre em cercosporiose, sendo uma forma de diferenciar estas duas doenças. Já as lesões causadas pela raça “T” são maiores, predominantemente elípticas e com coloração de marrom a castanha, podendo haver formação de um halo clorótico.

Para o controle da doença, é preciso escolher cultivares resistentes e praticar a 
rotação de culturas, já que não há fungicidas registrados para o controle
desta doença no Brasil.

Enfezamento

Para o milho, existem dois enfezamentos, o enfezamento pálido (Figura 2) e o enfezamento vermelho (Figura 3), sendo o primeiro causado pelo espiroplasma Spiroplasma kunkelii, e o segundo associado a um organismo do tipo micoplasma, atualmente chamado de fitoplasma. Ambas as doenças são transmitidas por um inseto vetor, a cigarrinha do milho Dalbulus maidis.

Figura 2. Enfezamento pálido em milho. Fonte: Mônica Debortoli. Disponível em: https://elevagro.com/foto/enfezamento-palido-em-milho/.
Figura 2. Enfezamento pálido em milho. Fonte: Mônica Debortoli

Como podemos ver na figura 2, os sintomas típicos do enfezamento pálido são a formação de estrias esbranquiçadas irregulares nas folhas,
a partir da base. Também o crescimento do milho pode ser drasticamente reduzido, de forma que a planta se torne raquítica e improdutiva. Dependendo
da idade em que a planta é infectada e do nível de resistência da cultivar, os sintomas podem variar, indo de um amarelecimento generalizado até apenas
avermelhamento das folhas apicais. 

Nos grãos vemos uma diminuição de tamanho, além de manchados, frouxos na espiga, ou chochos, devido ao seu enchimento incompleto. As plantas doentes
ficam enfraquecidas e secam rapidamente, de maneira precoce e atípica.

Os sintomas típicos do enfezamento, como o nome já diz, são o avermelhamento intenso e generalizado da planta (Figura 3), geralmente associado à grande proliferação de espigas, que pode ocorrer em uma ou em várias axilas foliares na planta. Algumas cultivares também perfilham na
base ou nas axilas foliares. O avermelhamento inicia-se no ápice e nas margens das folhas, podendo atingir toda a planta. Depois da mudança de cor, as folhas começam a secar. 

Figura 3. Enfezamento vermelho em milho. Fonte: Nedio Tormen. Disponível em: https://elevagro.com/foto/enfezamento-vermelho-em-milho/.
Figura 3. Enfezamento vermelho em milho. Fonte: Nedio Tormen.

Geralmente, as plantas crescem aparentemente normais e os sintomas do enfezamento vermelho se mostram apenas durante o estádio de enchimento de grãos. A doença ainda prejudica o crescimento das espigas e dos grãos, que, assim como no enfezamento pálido, podem ser pequenos, manchados,
frouxos na espiga ou chochos, por seu enchimento incompleto. As plantas doentes acabam morrendo precocemente. Dependendo da cultivar, essas plantas secam rapidamente ou tombam. 

Os enfezamentos podem ser confundidos entre si, devido à semelhança de alguns sintomas.

Além da utilização de híbridos mais resistentes como uma estratégia para a ocorrência dos enfezamentos, o tratamento de sementes é outra opção para o controle. O tratamento de sementes pode proporcionar à cultura um maior período de proteção contra a cigarrinha, pois além da inoculação de patógenos, a cigarrinha pode provocar perda de peso da parte aérea e das raízes de plântulas de milho, sendo que esses danos são maiores quanto mais jovens são as plantas.

Referências

GRIGOLLI, J. F. J.; GRIGOLLI, M. M. K. Doenças do Milho Safrinha. In: 
Tecnologia e Produção Milho Safrinha 2019. Fundação MS. 2019.

PEREIRA, O. A. P.; CARVALHO, R. V.; CAMARGO, L. E. A. Doenças do milho. In: KIMATI, H. et al. Manual de fitopatologia. 4. ed. 2005. v 2.


Autor(a)

Caroline Maria Rabuscke

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