Circuitos de colheita para arroz irrigado

Publicado em: 17/02/2022
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Técnicas no preparo do solo e circuito de colheita

Neste material você vai conhecer um pouco mais sobre:

  • A importância do correto preparo de solo e os desafios enfrentados;
  • Circuitos de colheita;
  • Como implementar esta técnica.

Na cultura do arroz irrigado, definir quais serão os circuitos de colheita e realizar o preparo econômico do solo, são decisões muito importantes visando maximizar os lucros sem a necessidade de maiores investimentos. 

Preparo de solo para cultivo do arroz irrigado

Em lavouras com desníveis superficiais, o cultivo do arroz irrigado pede um preparo de solo intenso para deixar a superfície cultivada o mais plana possível. Esta prática é um trabalho detalhado e minucioso, realizado por meio de diversos implementos, sendo crítica para a obtenção de uma lâmina de irrigação uniforme. 
O início deste trabalho se dá pelo uso de grades pesadas que revolvem o solo, corrigindo os desníveis deixados pelo cultivo passado, como taipas e rastros das colhedoras e tratores. Em seguida, se utilizam grades niveladoras mais leves com o objetivo de destorroar as leivas de solo deixado pelo primeiro implemento e facilitando a operação das plainas. Estas são usadas para a correção do microrrelevo, carregando o solo das ondulações para as depressões, deixando a superfície plana. 
Para a marcação das curvas de nível para a construção de taipas, se faz uso de aparelhos a laser ou com equipamentos de posicionamento global (GPS) e piloto automático.

Um trabalho que não é fácil

O preparo de solo pode parecer uma atividade simples, porém a campo, colocar em prática as operações citadas anteriormente não é fácil. As dificuldades vão desde planejamento da época em que o preparo de solo será feito, o clima, a integração lavoura-pecuária adotada em algumas propriedades, custos operacionais que são elevados, até a busca por mão-de-obra qualificada para realizar a operação. 
Neste cenário, produzir arroz de forma sustentável, vem sendo um desafio para o produtor. Entretanto, há diversas técnicas e operações que podem ser empregadas buscando reduzir os custos de produção da lavoura arrozeira. Duas destas são a escolha do circuito de tráfego e o local de descarga das colhedoras, que são medidas aplicadas com facilidade em qualquer propriedade visando a redução dos custos operacionais e o tempo gasto no preparo de solo. 

Circuitos de colheita


O circuito mais adotado é o “circular de fora para dentro” (Figura 1), que é contínuo, de forma que a colhedora percorre sempre o perímetro da lavoura até chegar ao centro da área, encerrando a operação. A vantagem deste método é a maior eficiência operacional da colhedora em função das poucas manobras de cabeceira, reduzindo o tempo da operação, porém com as descargas de grãos sendo realizadas durante a operação de colheita.

Figura 1. Imagem de percurso feito pela colhedora: circuito circular de fora para dentro sem planejamento de local de descarga. Fonte: Autores (2021).
Figura 1. Imagem de percurso feito pela colhedora: circuito circular de fora para dentro sem planejamento de local de descarga. Fonte: Autores (2021).

Com a descarga sendo realizada desta forma, é comum que os tratores que levam os tanques graneleiros sigam a colhedora, pois não sabem o momento exato da descarga. Assim, temos maior desgaste dos equipamentos e consumo de combustível, além dos inúmeros e grandes rastros que permanecem e que muitas vezes seguem o sentido declive-aclive da área, deixando um rastro que se torna um canal de fluxo preferencial de escoamento da água da chuva, favorecendo processos erosivos. 
A formação destes rastros somados à erosão, dificultam ainda mais o preparo de solo desta lavoura para o próximo cultivo, já que algumas áreas necessitam de aterro para cobrir estas erosões, aumentando a mão-de-obra necessária, o número de operações e o custo do preparo de solo. 
Neste cenário, o uso do circuito “vai e vem” (Figura 2) que é alternado e o planejamento da descarga dos grãos, são uma alternativa vantajosa. Neste sistema, se define um ponto que seja fixo para as descargas, realizadas nas extremidades dos talhões, próximo a estradas, cercas ou canais de irrigação. Assim, o trânsito de tratores no meio da lavoura é reduzido, o que consequentemente reduz os problemas com rastros e erosão do solo.

Figura 2. Imagem de percurso feito pela colhedora: circuito vai e vem com a concentração dos rastros dos graneleiros nas laterais. Fonte: Autores (2021).
Figura 2. Imagem de percurso feito pela colhedora: circuito vai e vem com a concentração dos rastros dos graneleiros nas laterais. Fonte: Autores (2021).

O que é preciso para realizar este circuito?

Para adotar este procedimento, é preciso conhecer o percurso que será feito pela colhedora para encher seu reservatório de grãos. Esta distância é inversamente proporcional à produtividade da cultura e ao aproveitamento da largura de corte da plataforma, podendo sofrer variações ao longo do talhão. 
Tendo esta informação e usando ferramentas de mapeamento simples, como o software Google Earth, é possível avaliar  as possibilidades de circuito de colheita e escolher o melhor. 

Quando o talhão a ser colhido for grande, é possível descarregar os grãos em cada extremidade, já em talhões menores, é possível que a colhedora se desloque até a outra extremidade e volte, esvaziando seu reservatório no mesmo local de partida.
A desvantagem do circuito está na redução da capacidade operacional da colhedora, já que a descarga é realizada com a máquina parada, porém, os benefícios são expressivos, pois se reduz a degradação do solo.  
Quando a colheita for realizada com solo pouco úmido ou seco, que pode ser feito pelo encerramento da irrigação quando o arroz chegar ao ponto de maturação fisiológica, o tráfego das máquinas resultará em poucos danos ao solo, já que menos rastros serão formados. O que leva a menos operações de preparo de solo, onde muitas vezes a primeira e segunda operação podem ser descartadas, necessitando apenas de retoques nas taipas. 

Após este processo, a área é dessecada e se pode realizar a semeadura direta sobre a palha, o que permite incrementar a matéria orgânica do solo, contribuindo ainda para a redução da amplitude térmica, a ciclagem de nutrientes, a melhoria na estrutura, na infiltração e no armazenamento de água pelo solo. E também se reduz o problema do arroz vermelho, com a ausência do revolvimento do banco de sementes de plantas daninhas no solo.
Entretanto, se a área estiver alagada  durante a colheita, o dano sobre as taipas será maior, porém, como o uso do circuito de colheita, não haverá danos causados pelo tráfego dos tratores na lavoura. E mesmo que seja preciso refazer as taipas, ainda será possível a adoção do sistema de cultivo mínimo, realizando apenas uma gradagem leve e o entaipamento, utilizando o mesmo nível das taipas do cultivo anterior.

Detalhes que fazem a diferença

Considerando os altos custos de produção da lavoura de arroz irrigado, temos à disposição diversas técnicas de preparo de solo, manejo de irrigação e planejamento de colheita que podem ser adotadas pelos produtores sem efetivamente gastar mais, porém, que resultam em lucros maiores. 

Esse artigo foi originalmente publicado na Revista do Grupo Cultivar


Autor(a)

Grupo Cultivar

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