Biodiversidade do solo: Organismos a serviço do sistema produtivo

Publicado em: 17/02/2022
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Neste material você vai entender um pouco mais sobre:

  • Importância da diversidade biológica do solo para os sistemas agrícolas;
  • Exemplos de importantes organismos presentes no solo.

O solo é reconhecido como o ambiente com a maior biodiversidade de organismos vivos. Como ambiente, o solo representa a base para a sobrevivência de uma ampla diversidade de espécies de organismos macro e microscópicos. Dentro dos agroecossistemas, a biodiversidade pode ser dividida em duas categorias: “biodiversidade planejada” e “biodiversidade não planejada” (BRUSSAARD et al., 2007). A grande diversidade biológica que o solo abriga e sustenta é importante para a manutenção de muitos dos serviços ecossistêmicos por ele realizados.

 

Biodiversidade planejada

Conforme Brussaard et al. (2007), biodiversidade planejada refere-se a toda diversidade de plantas, animais e insetos que se encontram relacionados diretamente aos cultivos e às criações (lavouras, florestas plantadas, gado, aves, apicultura etc.).

 

Biodiversidade não planejada

Representa a ampla diversidade de organismos associados indiretamente aos cultivos e às criações, sendo que, neste caso, a diversidade de organismos pode ser positiva (microrganismos promotores de crescimento de plantas, insetos predadores e polinizadores) ou pode ser negativa (plantas daninhas, insetos herbívoros, fungos e nematoides fitopatogênicos) (BRUSSAARD et al., 2007).

 

Divisão dos organismos que habitam o solo

De modo geral, os organismos que habitam o solo podem ser divididos conforme seus tamanhos em microrganismos, microfauna, mesofauna e macrofauna (Tabela 1). A importância da atividade dos organismos (de micro até macrofauna) do solo é tamanha, que se estima que se não houvesse a decomposição de resíduos orgânicos através da ação destes, grande parte da superfície terrestre estaria destinada à armazenagem desses resíduos (BRUSSAARD et al., 2007).

 

Tabela 1. Grupos de microrganismos e fauna do solo. Fonte: adaptado de Moreira e Siqueira (2006).

 

Microrganismos

Fungos, bactérias e leveduras são organismos vivos que representam os microrganismos do solo. Em geral, a composição e a abundância da comunidade microbiana do solo são capazes de alterar funções essenciais para a manutenção do ecossistema, pois esses microrganismos, dentre tantas outras funcionalidades, são responsáveis por etapas fundamentais do ciclo de muitos elementos, dentre eles o nitrogênio (N), essencial para o desenvolvimento das plantas (BENDER et al., 2016). 

 

Microfauna

A microfauna é representada por organismos como rotíferos, protozoários e nematoides. A principal função desses organismos é controlar as populações de fungos, bactérias e leveduras no solo através da predação, ou seja, são considerados micropredadores. 

 

Mesofauna

Os representantes da mesofauna são os ácaros e os colêmbolos, os quais são importantes organismos para a redistribuição da matéria orgânica em maiores profundidades, estímulo da atividade dos microrganismos, fracionamento de resíduos vegetais e outros (BERUDE et al., 2015). Assim, os representantes da mesofauna são reconhecidos como transformadores de serapilheira.

 

Macrofauna

Por outro lado, a macrofauna é responsável pelo “revolvimento natural” do solo (bioturbação do solo). Dentre os principais organismos responsáveis por esse processo, podemos citar as minhocas e os cupins, que são reconhecidos como os “engenheiros do ecossistema”. Através da locomoção das minhocas pelo interior do solo, elas são capazes de aumentar sua porosidade; a partir da construção de galerias, auxiliam na degradação da matéria orgânica e na distribuição de nutrientes pelo perfil do solo, entre outras tantas atividades essenciais. Outro importante representante da macrofauna do solo são as formigas, que são úteis direta e indiretamente para a ciclagem de nutrientes, atuam como inimigos naturais de vários organismos por meio da predação e são responsáveis pela disseminação de sementes em diferentes ambientes a partir do carregamento destas (ORGIAZZI et al., 2016). 

 

A biota do solo normalmente é reconhecida devido aos seus serviços ecossistêmicos. Contudo, diversos micro e macrorganismos também provocam frequentes danos aos cultivos agrícolas, como fungos e nematoides fitopatogênicos, percevejos, lagartas, formigas cortadeiras, entre outros.   Conforme Brussaard et al. (2007), uma das alternativas para controle destes organismos e supressão dos danos causados por eles é aumentar a competitividade no meio em que estão inseridos, ou seja, através do aumento da biodiversidade do solo irá ocorrer maior disputa por recursos essenciais para a sobrevivência destas espécies.

 

Referências

Bender, S.F., Wagg, C., van der Heijden, M.G.A. (2016) An Underground Revolution: Biodiversity and Soil Ecological Engneering for Agricultural Sustainability. Trends in Ecology & Evolution. doi: http://dx.doi.org/10.1016/j.tree.2016.02.016.

Berude, M.C., Galote, J.K.B., Pinto, P.H., Amaral, A.A.do. (2015) A mesofauna do solo e sua importância como bioindicadora. Enciclopedia Biosfera. Disponível em: http://www.conhecer.org.br/enciclop/2015E/A%20MESOFAUNA.pdf. Acesso em: 21 de agosto de 2020.

Brussaard, L., Ruiter, P.C., Brown, G.G. (2007) Soil biodiversity for agricultural sustainability. Agriculture Ecosystems & Environment. 121, pg 233-244. doi: 10.1016/j.agee.2006.12.013.

Moreira, F.M.S., Siqueira, J.O. (2006) Os organismos do Solo. In.: Moreira, F.M.S., Siqueira, J.O. Microbiologia e Bioquímica do Solo. 2ª edição. Editora UFLA. ISBN: 85-87692-33-x. 729p. 

Orgiazzi, A., Bardgett, R.D., Barrios, E., Behan-Pelletier, V., Briones, M.J.I.,Chotte, J-L., De Deyn, G.B., Eggleton, P., Fierer, N., Fraser, T., Hedlund, K., Jeffery, S., Johnson, N.C., Jones, A., Kandeler, E., Kaneko, N., Lavelle, P., Lemanceau, P., Miko, L., Montanarella, L., Moreira, F.M.S., Ramirez, K.S., Scheu, S., Singh, B.K., Six, J., van der Putten, W.H., Wall, D.H. (Eds.). (2016) Global Soil Biodiversity Atlas. European Commission, Publications Office of the European Union, Luxembourg. 176 pp.


Autor(a)
Dr.ª Margarete Manuele Siqueira Silva

Dr.ª Margarete Manuele Siqueira Silva

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