Biodefensivos

Publicado em: 16/02/2022
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Controle biológico: agentes microbiológicos e macrobiológicos

Neste conteúdo você vai saber mais sobre: 

  • Produtos biológicos
  • Linhas marco e micro

É o assunto do momento, só se fala sobre o aumento da utilização dos Biodefesivos, mas você realmente entende o que são os produtos biológicos?

Consideram-se Agentes Biológicos de Controle os organismos vivos, de ocorrência natural ou obtidos por manipulação genética, introduzidos no ambiente para o controle de uma população ou de atividades biológicas de outro organismo considerado nocivo (ANVISA, 2021), ou seja, os inimigos naturais, contribuem para o reestabelecimento do balanço da natureza. De acordo com Parra et al. (2002), os inimigos naturais são bastantes diversificados, podendo ser: insetos, vírus, fungos, bactérias, nematoides, protozoários, ácaros, dentre outros.

Os inimigos naturais (Agentes Biológicos) são considerados bioinsumos, produtos, processos ou tecnologias de origem vegetal, animal ou microbiana, que são utilizados na produção, armazenamento e beneficiamento de produtos agropecuários dentro dos sistemas de produção (AGROLINK, 2020). Os produtos biológicos para agricultura têm registro diferenciado, com base em normativas específicas, e podem ser classificados em três categorias: agentes microbiológicos de controle, agentes biológicos de controle e semioquímicos.

Produtos de controle biológico – têm como princípio ativo os microbiológicos (bactérias, fungos, vírus, protozoários) e macrobiológicos (insetos, ácaros e nematoides).
Produtos de substâncias sintetizadas em organismos – têm como princípio ativo os bioquímicos (hormônios reguladores de crescimento e enzimas) e semioquímicos (feromônios e aleloquímicos).

AGENTES MICROBIOLÓGICOS


Bactérias:

são produtos para controle biológico de insetos. Destacam-se as bactérias do gênero Bacillus e correlatos como as mais utilizadas em controle biológico. Nesses gêneros, estão incluídas as espécies Bacillus cereus, Bacillus thuringiensis (Bt), Paenibacillus popilliae, Paenibacillus lentimorbus, Paenibacillus larvae, Paenibacillus alvei, Brevibacillus laterosporus e Lysinibacillus sphaericus (Monnerat et al., 2020). Os principais insetos-alvo da utilização de bioinseticidas à base de Bt são as lagartas de diferentes culturas, como soja, milho, algodão, tomate, brássicas, frutas etc. Há interesse, também, em utilizar Bt para o controle de coleópteros e insetos sugadores.

Fungos:

são produtos para controle biológico. Destacam-se como principais fungos entomopatogênicos: Metarhizium anisopliae, Beauveria bassiana e Trichoderma harzianum. Esses fungos atendem uma vasta gama de insetos-alvos, como, por exemplo: lagartas, moscas, gafanhotos, cigarrinhas, brocas, percevejos, dentro outros, em várias culturas.

Vírus:

os baculovírus são o grupo mais comum e mais estudado dentre os grupos de vírus entomopatogênicos. Os baculovírus pertencem à família Baculoviridae. Essa família é composta de vírus com uma simples fita dupla circular de DNA, que infecta um grande número de artrópodes e contém os gêneros: nucleopoliedrovírus (VPN) e granulovírus (VG). São utilizados em larga escala em programas de controle biológico dentro dos complexos de lagartas, principais pragas de várias culturas (VALICENTE, 2009).

Protozoários:

os protozoários são um grupo diverso e heterogêneo de microrganismos eucariontes unicelulares. As pesquisas indicam que poucos protozoários entomopatogênicos apresentam potencial para o uso em programas de MIP (VALICENTE, 2009).

AGENTES MACROBIOLÓGICOS

Insetos predadores:

são os organismos que na natureza apresentam comportamento predatório em diferentes estágios de vida, conhecidos como Inimigos Naturais. Os insetos predadores pertencem principalmente às ordens Hymenoptera, Diptera, Neuroptera; Dermaptera, Coleoptera e Hemiptera, sendo a joaninha um exemplo clássico de inseto predador (PARRA et al., 2002) (Figura 1).

Figura 1. Joaninha predando pulgões. https://diarioverde.com.br/cresce-no-brasil-o-uso-de-defensivos-biologicos-para-combater-pragas-e-doencas-na-agricultura/
Figura 1. Joaninha predando pulgões

Parasitoides:

são organismos que precisam de um hospedeiro para completar seu ciclo de vida. São representados, principalmente, por insetos e podem parasitar diferentes fases de desenvolvimento da praga. Várias Famílias apresentam potencial para utilização no controle biológico: Mymaridae, Trichogrammatidae, Eulophidae, Encyrtidae, Evaniidae, Scelionidae, dentro outros (Figura 2).

Figura 2. Trichogramma sp. https://agriculturabiologica66.blogspot.com/2018/01/trichogramma-sp.html?spref=pi
Figura 2. Trichogramma sp.

Ácaros:

embora não sejam insetos, os ácaros da família Phytoseiidae são importantes predadores de ácaros fitófagos, tripes e moscas-brancas. As principais famílias de ácaros que contêm espécies predadoras são Anystidae, Bdellidae, Cheyletidae, Cunaxidae, Phytoseiidae e Stigmaeidae. Dentre esses, destacam-se os ácaros fitoseídeos (MORAES, 2008) (Figura 4).

Figura 4. Typhlodromalus limonicus https://worldofmites.wordpress.com/2011/08/05/phytoseiulus-limonicus-acasalamento-3/
Figura 4. Typhlodromalus limonicus 

Nematoides:

algumas espécies dos chamados nematoides entomopatogênicos possuem uma associação mutualística com bactérias, que resulta na morte rápida dos insetos que parasitam. Assim, podem ser utilizadas como controle biológico, que, associado a outras ferramentas de controle e manejo, farão o combate das pragas de solo e de insetos pragas da parte aérea que atravessam parte do seu ciclo biológico no solo (Figura 5).

Figura 5. Nematoides entomopatogênicos http://www.biologico.sp.gov.br/uploads/files/folderes/tec_sustentavel.pd
Figura 5. Nematoides entomopatogênicos

A utilização dos agentes de controle biológico na produção de gêneros alimentícios combina as melhores práticas ambientais, elevando o nível de biodiversidade, a preservação dos recursos naturais e permitindo, assim, uma agricultura mais sustentável.
No mercado brasileiro, os produtos biológicos são comercializados de diversas formas e formulações. Pode-se ter acesso a todos os tipos de produtos biológicos (Bioinsumos) registrados no Brasil acessando a página do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em: 
 http://indicadores.agricultura.gov.br/agrofit/index.htm, ou baixando o aplicativo disponível em: 
 https://play.google.com/store/apps/details?id=br.embrapa.bioinsumos
Este aplicativo é resultado do Programa Bioinsumos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e desenvolvido em parceria com a Embrapa Informática Agropecuária, que busca consolidar um Catálogo Nacional de Bioinsumos para facilitar e promover o acesso à informação sobre quais são os produtos disponíveis para uso e onde encontrá-los. Encontra-se todos os registros de produtos biológicos classificados por Controle de Pragas e Inoculantes. Na aba Controle de Pragas, encontra-se uma lista em ordem alfabética de pragas, ao clicar na praga de interesse, abre-se outra aba com todos os bioprodutos encontrados para controle, o produto, a marca, a empresa a classe, o registro e a bula.

Referências

ANVISA. Registro de produto Biológico. 2020. http://antigo.anvisa.gov.br/registroseautorizacoes/agrotoxicos/produtos/registro-produtos-biologicos. Acesso em: 18 mar. 2021.
AGROLINK. Bioinsumos: agricultura biológica é a terceira onda. 2020. https://www.agrolink.com.br/noticias/bioinsumos---agricultura-biologica-e-a-terceira-onda-_434538.html. Acesso em: 18 mar. 2021.
MONNERAT, R. G.; QUEIROZ, P. R. M.; MARTINS, E. S.; PRAÇA, L. B.; SOARES, C. M. S. Controle biológico de pragas da agricultura. In: Controle de artrópodes-praga com bactérias entomopatogênicas. 2020.

MORAES, G. J.; FLECHTMANN, C. H. W. Manual de Acarologia: acaralogia básica e ácaros de plantas cultivadas no Brasil. Ribeirão Preto: Editora Holos, 2008.

PARRA, J. R. P.; BOTELHO, P. S. M.; CORREA-FERREIRA, B. S.; BENTO, J. M. S. Controle biológico: terminologia. In: Controle biológico no Brasil: parasitoides e predadores. 2002.

VALICENTE, F.  H. Controle biológico de pragas, doenças e plantas invasoras. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 30, n. 251, p. 48-55, jul./ago. 2009.


Autor(a)

Drª. Alexa Santana

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