Coinoculação e seu impacto no crescimento de plantas de soja

Publicado em: 07/08/2022
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O nitrogênio (N) é o macronutriente exigido em maiores quantidades pelas plantas. Embora cerca de 80% da atmosfera seja constituída por N, somente plantas que desenvolveram interações com alguns microrganismos procariotos conseguem utilizar essa forma de N (dinitrogênio, N2). A cultura da soja possui uma interação simbiótica com bactérias do gênero Bradyrhizobium, as quais, através do processo de fixação biológica do N2, podem fornecer aproximadamente 85% da quantidade de N requerida pelas plantas. Desse modo, a inoculação das sementes com ou a aplicação de Bradyrhizobium no sulco de semeadura é de suma importância para a obtenção de elevadas produtividades.

Além disso, temos observado que bactérias do gênero Azospirillum podem aumentar a eficiência da fixação de N2 por Bradyrhizobium. Tal efeito decorre da habilidade de Azospirillum spp. de atuar como uma rizobactéria promotora de crescimento, promovendo melhor desenvolvimento das raízes por meio da síntese de fitormônios, proporcionando maior volume de raiz e consequentemente maior volume de solo explorado, e, com isso, maior absorção de água e nutrientes (NOGUEIRA, 2018).

Diante do exposto, neste estudo investigamos o efeito da coinoculação de Bradyrhizobium e Azospirillum em parâmetros do crescimento de plantas de soja.

O experimento foi desenvolvido em uma casa de vegetação na Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Santa Helena. Sementes da cultivar M 5947 IPRO foram semeadas em copos plásticos (0,5 L) preenchidos com substrato comercial (Tropstrato HT, Vida Verde Mogi Mirim, SP). Os seguintes tratamentos, aplicados nas sementes, foram avaliados: T1: controle (água), T2: Bradyrhizobium japonicum (Masterfix L Soja, 2 mL kg-1 de sementes, Stoller, Campinas, SP), T3: Azospirillum brasilense (Masterfix L Gramíneas, 2 mL kg-1 de sementes, Stoller, Campinas, SP), T4: B. japonicum + A. brasilense (Dual Force, 2 mL kg-1 sementes, Stoller, Campinas, SP). 

O volume de calda final foi de 6 mL kg-1 de sementes. Um quilograma de sementes foi preparado para cada tratamento. As sementes foram acondicionadas em sacos plásticos e agitadas vigorosamente durante 1 minuto para a distribuição homogênea dos microrganismos nas sementes. O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado com quatro repetições. As avaliações dos parâmetros de crescimento foram realizadas aos 21 dias após a emergência (DAE).

As plantas foram cuidadosamente retiradas dos vasos plásticos para a determinação do comprimento da raiz e da estatura da planta. O comprimento da raiz e a estatura da planta foram medidos com auxílio de uma régua milimetrada. O comprimento da raiz foi avaliado do colo até o ápice radicular, enquanto a estatura da planta foi medida do colo até o meristema apical da parte aérea. As plantas foram, então, cortadas com tesoura, para separá-las em raiz e parte aérea. Em seguida, a raiz e a parte aérea de cada planta foram colocadas em sacos de papel e secos em estufa a 65°C até atingirem peso constante, quando foram pesadas para a determinação da massa seca da raiz e da parte aérea. Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e as médias dos tratamentos foram comparadas pelo teste de Tukey (P<0,05), utilizando o software Minitab. 

As imagens das plantas obtidas dos diferentes tratamentos mostraram que a inoculação de sementes com as bactérias Bradyrhizobium (T2), Azospirillum (T3), bem como a sua coinoculação (T4) teve um efeito promotor de crescimento, aumentando o comprimento de raiz e a estatura das plantas em relação ao controle (T1) (Figura 1). Aumentos significativos (23-26%) no comprimento de raiz foram registrados para T2 e T3 em relação a T1 (Figura 2A). A estatura das plantas foi aumentada em 20% (T3) e 25% (T4) em relação ao T1 (Figura 2B). Os tratamentos T3 e T4 aumentaram a massa seca da raiz em 35 e 51%, respectivamente, em comparação ao T1 (Figura 2C). Todos os tratamentos aumentaram significativamente a massa seca da parte aérea, com aumento de 19% (T2), 59% (T3) e 49% (T4) em relação ao T1 (Figura 2D). 



Figura 1. Imagens de plantas de soja obtidas 21 dias após a emergência oriundas de diferentes tratamentos de sementes, sendo: T1: controle (A), T2: Bradyrhizobium japonicum (B), T3: Azospirillum brasilense (C), T4: B. japonicum + A. brasilense (D). Fotos: autores.



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Autor(a)

Conteudista Alexsandro Tetzlaff
Dr. Daniel Debona

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