A dessecação consiste na eliminação das culturas de cobertura e/ou qualquer vegetação existente antes da semeadura das culturas principais, incluindo as plantas daninhas presentes na área. Para tal, utilizam-se herbicidas de ação sistêmica ou de contato, geralmente de ação total sobre as plantas.

Dessecação em soja e milho

Esta prática de manejo é de fundamental importância no sistema de plantio direto, pois possibilita que a semeadura seja adequadamente realizada, que a emergência e o desenvolvimento inicial da cultura ocorram em condições mais favoráveis, controlando plantas daninhas que emergiram antes do estabelecimento da cultura e facilitando o manejo de plantas daninhas dentro do ciclo da cultura. Além disso, mesmo em áreas onde se realiza plantio convencional, a combinação da aplicação de herbicidas dessecantes antes do preparo de solo é comumente realizada visando-se eliminar a vegetação pré-existente de maneira mais eficiente.

Dessecantes em pré-semeadura da soja e do milho

Há no mercado produtos que podem ser utilizados para dessecação pré-plantio em ambas as culturas, e produtos específicos para a cultura da soja e para o milho.

Soja e milho – Glifosato; Paraquat; Fluroxipir, 2,4D; Paraquat + Diurom; Flumioxazina; Carfentrazone; Saflufenacil e os graminicidas Setoxidim e Cletodim.

Soja – Glifosato + S-metolacloro; Glifosato + Imazetapir; Flumioxazina + Imazetapir, Clorimurom; Haloxifope; Glufosinato.

Milho – Glifosato + Atrazina.

Estratégias para a dessecação

Entre as estratégias que podem ser utilizadas na dessecação destacam-se a aplicação sequencial, além das práticas conhecidas por aplique-plante e plante-aplique.

A dessecação sequencial compreende na aplicação, em geral, de doses menores do que a recomendada de determinado herbicida, a ser complementada com o restante da dose após um pequeno intervalo de tempo, que podem ser dias ou semanas. É uma estratégia geralmente utilizada quando o herbicida não apresenta atividade residual no solo, e é feita, portanto, quando se objetiva controlar novos fluxos de plantas daninhas que emergiram após a primeira aplicação.

A dessecação aplique-plante consiste na aplicação de um ou mais herbicidas imediatamente antes da semeadura, podendo ser uma estratégia pouco eficiente para o controle de plantas daninhas tolerantes ou resistentes ao glifosato, além de ter limitações de uso em áreas com vegetação muito densa. Já o plante-aplique, como o próprio nome sugere, consiste na aplicação de herbicidas imediatamente após a semeadura, visando evitar que o herbicida atinja a camada onde as sementes da cultura estão depositadas, o que seria inevitável caso os herbicidas fossem aplicados antes da semeadura, dado o revolvimento de solo que se verifica nesta fase.

Posicionamento de dessecantes em pré-semeadura da soja

20 ou mais dias antes do plantio até 1 dia antes do plantio – Glifosato; Glifosato + Imazetapir; Glifosato + S-matolacloro; Glufosinato; graminicidas (Setoxidim; Haloxifope; Cletodim); Clorimurom; Flumioxazina; Flumioxazina + Imazetapir; Carfentrazone; Paraquat; Paraquat + Diurom (aplique-plante; plante-aplique).

20 ou mais dias antes do plantio até no máximo 3 dias antes do plantio – Fluroxipir.

20 ou mais dias antes do plantio até no máximo 10 dias antes do plantio – 2,4D e Fluroxipir.

Posicionamento de dessecantes em pré-semeadura do milho

20 ou mais dias antes do plantio até 1 dia antes do plantio – Glifosato; Glifosato + Atrazina; Saflufenacil; Paraquat; Paraquat + Diurom.

20 ou mais dias antes do plantio até 7 dias antes do plantio – 2,4D; Cletodim; Setoxidim.

Características de uma dessecação eficiente

  1. Elimina completamente a vegetação existente, para que ocorra o fechamento do dossel da cultura o quanto antes, evitando a competitividade com as plantas daninhas;
  2. É realizada no momento correto, para que as plântulas emerjam no limpo e com camada de palha apropriada;
  3. Evita fitotoxicidade à cultura quando se utilizam herbicidas com ação residual;
  4. Evita perda do potencial produtivo da cultura devido a competição com as plantas daninhas, como é normalmente visto em casos de problemas na dessecação;
  5. Quando ocorrem problemas na dessecação e ficam falhas e sobras para o manejo em pós-emergência, há dificuldade no controle devido ao número reduzido de opções e maior risco à cultura.

Principais alvos durante a dessecação em soja e milho

Plantas daninhas resistentes a herbicidas – Buva ou voadeira (Conyza spp.); Azevém (Lolium multiflorum Lam); Picão-preto (Bidens spp.); Capim-amargoso (Digitaria insularis (L.) Fedde); Leiteira ou amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla L.)

Plantas daninhas de difícil controle – Corda-de-viola ou corriola (várias espécies no gênero Ipomoea); Guanxuma (Sida spp.); Trapoeraba (Commelina spp.); Erva-de-touro (Tridax procubens L.).

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