Conheça os sintomas e como controlar a podridão-branca-da-espiga em milho Publicado em:

Conheça os sintomas e como controlar a podridão-branca-da-espiga em milho

Neste material, você vai conhecer um pouco mais sobre:

  • Os danos causados pelo fungo
  • A epidemiologia da doença
  • Os sintomas
  • Quais são os fatores que favorecem a doença
  • Quais as medidas de controle

Nos últimos anos, cada vez mais casos de ocorrência da podridão-branca-da-espiga vêm sendo observados em lavouras de milho pelo Brasil afora, causando perdas significativas, por afetar diretamente o produto comercial: os grãos.

A podridão-branca-da-espiga é causada pelos fungos Stenocarpella maydis (Diplodia maydis) e S. macrospora (D. macrospora), que são capazes de infectar folhas, bainhas, colmo e espigas. As espigas infectadas apresentam grãos ardidos, com baixo peso, e quando a doença acomete o milho em estádio de grão leitoso, os grãos podem apodrecer completamente, sendo essa a fase em que a planta está mais suscetível à doença e quando ocorrem os maiores danos.

 

Epidemiologia

As principais fontes de inóculo do patógeno são as sementes infectadas e os restos culturais que permaneceram no solo entre as estações de cultivo. Na palhada de milho, os fungos sobrevivem através da produção de picnídios, nos quais são formados os aglomerados de conídios (inóculo primário). Os conídios produzidos nos restos culturais são disseminados pela chuva, pelo vento e, provavelmente, por insetos.

A alta incidência de precipitação pluviométrica, associada a temperaturas acima de 22 °C, favorece o processo de infecção nas espigas (Figura 1). Entretanto, a infecção nas espigas também pode ocorrer por ferimentos causados por insetos; espigas mal empalhadas e com palhas frouxas; espigas não inclinadas; e adubações desbalanceadas, com altos níveis de nitrogênio e baixos níveis de potássio. 

Figura 1. Ciclo da Podridão-branca-da-espiga (Stenocarpella maydis e S. macrospora).
Figura 1. Ciclo da Podridão-branca-da-espiga (Stenocarpella maydis e S. macrospora).

Sintomas

Os sintomas iniciais normalmente ocorrem na base da espiga, logo após a fecundação, e progridem em direção à ponta, podendo cobrir toda a espiga. As brácteas da espiga tornam-se despigmentadas e de coloração parda. Quando a infecção ocorre duas semanas após a polinização, toda a espiga pode tornar-se podre. As espigas infectadas apresentam tipicamente grãos marrons, enrugados, de baixo peso e, em condições de alta umidade, há formação de micélio branco entre as fileiras de grãos (Figura 2).

Figura 2. Sintomas e sinais característicos da podridão-branca-da-espiga. 1: espiga colonizada por micélios brancos, entre as fileiras dos grãos; 2: espiga apresentando grãos de coloração marrom clara, havendo diminuição no tamanho e peso dos grãos.
Figura 2. Sintomas e sinais característicos da podridão-branca-da-espiga. 1: espiga colonizada por micélios brancos, entre as fileiras dos grãos; 2: espiga apresentando grãos de coloração marrom clara, havendo diminuição no tamanho e peso dos grãos.

Fatores que favorecem a doença

A seguir, são listados alguns fatores importantes e que contribuem com a ocorrência da podridão-branca-da-espiga:

  • Plantio direto sem rotação de cultura;
  • Monocultivo de milho;
  • Clima seco antes do florescimento, e úmido após a polinização;
  • Espigas mal empalhadas e que não pendem quando amadurecem;
  • Altos níveis de nitrogênio e baixos de potássio na planta;
  • Variedades e híbridos com a casca dos grãos finas.

Controle

A medida de controle mais econômica e eficiente é a utilização de cultivares resistentes e com características agronômicas que apresentam espigas decumbentes, bem empalhadas e com palhas bem aderidas.

 

Referências

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DONALD, G. W. Compendium of corn disease. 2. ed. Urbana: American Phytopathological Society, 1999.

EMBRAPA Milho e Sorgo. Cultivo do Milho. Disponível em: http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br. Acesso em: 19 mar. 2013.

FERNANDES, F. T.; OLIVEIRA, E. de. Principais doenças na cultura do milho. Sete Lagoas: Embrapa-CNPMS, 1997.

GALVÃO, J. C. C.; MIRANDA, G. V. Tecnologia de produção do milho. Viçosa: UFV, 2004.

GUZMÁN, B. L. Enfermedades de las plantas cultivadas. 4. ed. Universidad Catolica de Chile, 1995.

KIMATI, H.; AMORIM, L.; BERGAMIN FILHO, A.; CAMARGO, L. E. A.; REZENDE, J. A. M. Manual de Fitopatologia: doenças das plantas cultivadas (v. 2). 3. ed. São Paulo: Ceres, 1997.

LUZ, W. C. da. Diagnose e controle das doenças da espiga de milho no Brasil. Passo Fundo: EMBRAPA-NCPT, 1995. (EMBRAPA-CNPT; Circular Técnica, 5).

WORDELL FILHO, J. A.; RIBEIRO, L. do P.; CHIARADIA, L. A.; MADALÓZ, J. C.; NESI, C. N. Pragas e doenças do milho: diagnose, danos e estratégias de manejo. Florianópolis: Epagri, 2016. (Epagri; Boletim Técnico, 170).

 

 

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