Mofo cinzento na cultura do morangueiro Publicado em:

Neste material, vamos aprender um pouco mais sobre:
A doença
Sintomatologia
Epidemiologia
Controle

A cultura do morango, Fragaria x ananassa Duchesne, é muito difundida no Brasil, principalmente nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo, Distrito Federal e Goiás, devido à sua alta rentabilidade. No entanto, alguns fatores são responsáveis pela queda da produção, como as doenças ocasionadas por fungos. 

A doença


O mofo cinzento é ocasionado pelo fungo Botrytis cinerea, de ocorrência comum nas regiões produtoras de morango, causando inúmeros prejuízos na cultura (MINUZZO et al., 2020). A doença ocasiona o apodrecimento do fruto, impedindo o seu consumo e comercialização. 

Sintomatologia 

O fungo inicia a infecção em folhas e cálices, e em seguida ataca a flor e os frutos, produzindo uma massa cinza de conídios, que são estruturas de disseminação, de forma que a infecção pode ocorrer em qualquer estágio de desenvolvimento, provocando o apodrecimento do fruto (SANHUEZA, 2012). 

Os sintomas da podridão de frutos abrangem manchas de aspecto encharcado, deprimidas e descoloridas, que crescem rapidamente (MINUZZO et al., 2020). Os frutos infectados em pré ou em pós-colheita tornam-se moles, aquosos e de coloração marrom-clara, apodrecem os tecidos da fruta, a epiderme rompe-se e sobre ela desenvolvem-se as estruturas do fungo (Figura 1). 

Figura 1. Frutos do morangueiro atacados por Botrytis cinerea.
Figura 1. Frutos do morangueiro atacados por Botrytis cinerea.

 

Epidemiologia

A temperatura ideal para a colonização do fungo é em torno de 14 a 16 ºC, com umidade relativa do ar alta, além disso, um dos fatores que favorecem o desenvolvimento do patógeno são as elevadas adubações nitrogenadas (AZEVEDO FILHO; TIVELLI, 2017). 

O fungo tem uma fase de infecção latente nos frutos, o que faz com que esses, aparentemente sadios na colheita, desenvolvam a podridão durante o período de pós-colheita (SANHUEZA, 2012). Em condições de campo, o patógeno desenvolve-se nos restos culturais, e a partir desses inicia a infecção e a colonização dos tecidos verdes por ocasião de condições favoráveis (MINUZZO et al., 2020).

Controle 


O controle de patógenos no cultivo do morangueiro pode ocorrer por meio de (MINUZZO et al., 2020):

  • Uso das práticas culturais, como utilizar mudas sadias, eliminar frequentemente folhas e tecidos infectados pelo patógeno e evitar a irrigação por aspersão.
  • Cuidado com a adubação nitrogenada, fazendo adubações equilibradas, conforme recomendação do Manual de Adubação e Calagem de cada região.
  • Complementação com a utilização do controle químico, por meio do uso de produtos registrados para a cultura.

A preocupação com resíduos químicos nas frutas e a seleção de patógenos resistentes aos fungicidas recomendados estimulou o desenvolvimento de métodos alternativos para o controle de B. cinerea nos pequenos frutos, entre os quais se inclui o controle biológico (MINUZZO et al., 2020). Durante experimentos em ambientes protegidos de produção de moranguinho, Minuzzo et al. (2020) verificaram que uma estirpe de Bacillus amyloliquefaciens D747 foi eficiente no controle de B. cinerea em morangos cultivados em sistema semi-hidropônico. Portanto, o controle biológico mostra-se como mais uma ferramenta disponível para uso do produtor que busca uma produção de morangos de qualidade, sem a ocorrência de mofo cinzento.

 

 

Referências:

MINUZZO, P. et al. Eficácia do controle biológico de mofo cinzento em morangos produzidos em cultivo protegido. Revista Eletrônica Científica da UERGS, v. 6, n. 2, p. 120-125, 2020. https://doi.org/10.21674/2448-0479.62.120-125

AZEVEDO FILHO, J. A. de; TIVELLI, S. W. Como produzir morango orgânico? Rio de Janeiro: Sociedade Nacional de Agricultura; Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas; Centro de Inteligência em Orgânicos, 2007. (Série Capacitação Técnica, ano 2, n. 1)

SANHUEZA, R. M. V. Cap. 10: Principais doenças e seu controle/manejo em áreas de produção. In: ANTUNES, L. E. C.;

HOFFMANN, A. Pequenas frutas: o produtor pergunta, a Embrapa responde. Brasília, DF: Embrapa, 2012, p. 145-159. (Coleção 500 perguntas, 500 respostas).

 

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