Variáveis que influenciam a qualidade de grãos durante o armazenamento Publicado em:

Neste material, você vai saber mais sobre as variáveis que influenciam a qualidade de grãos:

  • Presença de oxigênio
  • Umidade dos grãos
  • Temperatura dos grãos
  • Teor de umidade adequado para a colheita

O objetivo do armazenamento de grãos é oferecer condições que desfavoreçam a atividade metabólica dos grãos e previnam ocrescimento de microrganismos e pragas que podem vir a causar deterioração do produto. O sucesso do armazenamento dos grãos sofrerá influência de diversas variáveis, como umidade dos grãos, temperatura, danos mecânicos, concentração de O2, dentre outros.


Presença de oxigênio

Os grãos quando armazenados formam uma massa porosa constituída dos próprios grãos e do ar intersticial. O espaço ocupado pelo ar entre os grãos é de 40% a 45%. Este espaço pode ser determinado facilmente colocando-se uma certa quantidade de grãos em um recipiente graduado e, em seguida, adiciona-se um líquido que não seja absorvido pelos grãos, como, por exemplo, óleo. Medindo-se a quantidade do líquido necessário para encher os espaços vazios até a superfície dos grãos, temos o volume do espaço entre os grãos. O oxigênio existente nesse espaço é utilizado no processo respiratório dos grãos.

Figura 1 - Determinação do espaço ocupado pelo ar na massa de grãos armazenados pela adição de líquido.

 

Umidade dos grãos

O teor de umidade é considerado o fator mais importante no controle do processo de deterioração de grãos armazenados. Grãos com reduzida umidade e frios são favoráveis à manutenção da qualidade do produto. A umidade apresenta influência direta sobre outros fatores, sendo assim, quando este parâmetro é ajustado, os demais fatores têm seu efeito reduzido.

O processo respiratório nos grãos é significativamente reduzido sob baixos teores de umidade. Isso é inteiramente desejável, já que as alterações provocadas nos grãos pela atividade metabólica acelerada podem inviabilizar a utilização deste, por afetarem suas características físico-químicas, consequentemente, reduzindo sua qualidade.


Se as condições de armazenamento permitirem uma elevada atividade respiratória dos grãos, a própria reação pode refletir em aumento da atividade metabólica, por aumentar a umidade do produto e a temperatura (gera água e calor) (Equação 1).

Eq.1: Carboidratos (glicose) + O2 -----------> CO2 + H2O + calor

Figura 2 - Representação gráfica da Equação 1.

 

Nesse caso, grãos danificados, com alto teor de umidade, podem apresentar atividade respiratória até 50 vezes maior, medida por ml CO2 g semente-1 por dia, comparado a grãos inteiros com umidade baixa.

O manejo de pragas, de percevejos, por exemplo, é considerado uma ferramenta para evitar os danos diretos aos grãos, pois esses insetos aceleram o processo respiratório e a deterioração dos grãos (Figura 3).

Figura 3 – Diferença visual entre grãos sadios e grãos deteriorados pelo processo respiratório

 

A redução dos danos aos grãos durante o ciclo da cultura e no momento da colheita, aliada à correta umidade, tornam-se decisivas para uma qualidade de armazenamento.

Temperatura dos grãos

Os grãos de soja geralmente são colhidos com umidade correta (13-15%). Grãos com umidade acima devem passar pelo processo de secagem, o que encarece os custos com armazenamento. Mas além do controle da umidade dos grãos, a temperatura no interior do silo também deve ser monitorada e controlada, pois é altamente importante no armazenamento. O aumento da temperatura está diretamente relacionado a aumentos na atividade respiratória dos grãos.

A respiração dos grãos é aumentada significativamente a partir de 25°C, de forma crescente até 40°C, reduzindo-se posteriormente. As reações químicas catalíticas e não catalíticas nos grãos são mais aceleradas à medida que a temperatura aumenta, assim, a hidrólise do amido e gorduras tendem a ser maiores. Além disso, existe uma relação direta entre a temperatura de grãos armazenados e a ocorrência de infecção por fungos. Fungos de armazenamento são favorecidos por temperaturas na faixa de 28 a 32°C e umidade mais alta dos grãos.

Portanto, em situações de umidade e temperatura fora da faixa adequada, favorecendo o processo respiratório e a atividade de fungos, as reações metabólicas nos grãos direcionam para a produção de calor, de acordo com a Equação 1.

A produção excessiva de calor pode levar ao aquecimento excessivo dos grãos. Quando o aquecimento ocorre em determinada região da massa total de grãos, pode se formar o que chamamos de “bolsa de calor”. O calor produzido nessa região pode acumular-se rapidamente em função dos grãos possuírem baixa condutividade térmica. A deterioração do produto nessa região pode ser acentuada.

Figura 4 - Ocorrência de bolsa de calor no interior da massa de grãos armazenados.

 

 Umidade de colheita adequada

A colheita dos grãos de soja, tanto em umidade muito baixa (<13%), quanto em umidade elevada (>15%), não tem sido recomendada em função de favorecer os danos. No caso de umidade muito baixa, há o favorecimento a danos mecânicos imediatos e quebra de grãos.

Fiogura 5 - Grãos com dano mecânico.

 

 Já a umidade elevada pode favorecer danos mecânicos latentes (não aparentes), com implicações negativas no processo de armazenamento posterior. O teor de umidade ideal tem sido observado entre 13 e 15% para soja, na qual os problemas com danos mecânicos e perdas na colheita têm sido menores.

 

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