Importância do uso de óleos emulsionáveis com herbicidas graminicidas no controle de capim-amargoso Publicado em:

Neste material você vai entender um pouco mais sobre:

- Características do capim-amargoso que dificultam o seu controle.
- Fatores que influenciam na eficácia dos herbicidas.
- A importância do óleo emulsionável para a eficácia dos herbicidas graminicidas.


Capim-amargoso

O capim-amargoso (Digitaria insularis) é uma espécie gramínea perene com formação de rizomas (KISSMANN, 1997). Esta característica aumenta a dificuldade de controle, pois a formação dos rizomas faz com que a planta tenha reservas de energia que aumentam a capacidade de rebrote. 

Planta daninha de difícil controle

Presente em uma ampla área do território nacional, o capim-amargoso vem se tornando uma planta daninha de difícil controle, principalmente após ser constatada sua resistência ao glifosato (NICOLAI et al., 2010). Como alternativa para o controle, os agricultores têm utilizado herbicidas inibidores da ACCase, ou graminicidas, como são popularmente chamados. Este grupo químico tem apresentado boa eficácia de controle, principalmente quando associado ao glifosato, que amplia o espectro de controle.

Dificuldades no uso de graminicidas


Como os graminicidas são produtos sistêmicos, eles precisam ser absorvidos e translocados na planta até o local de atuação (ROMAN et al., 2005), e para isso, enfrentam algumas dificuldades:

A primeira delas é a deposição sobre a planta. Esta deposição precisa ser uniforme e de modo a atingir o alvo em questão (SHIRATSUCHI; FONTES, 2002). 

A segunda barreira a ser vencida é a absorção e a translocação, e estas ações são diretamente influenciadas por alguns fatores abióticos (ROMAN et al., 2005).

As condições fisiológicas em que a planta se encontra no momento do contato com o produto são importantes, pois se a planta estiver em uma condição de estresse hídrico, naturalmente irá reduzir sua atividade metabólica, reduzindo também a translocação do produto dentro da planta (ABBOTT; STERLING, 2006). Outro fator importante é a idade da planta – plantas velhas perenizadas possuem uma camada de cutícula da folha mais espessa, o que dificulta a absorção do produto (CHAMEL, 1986).

Por fim, as condições climáticas anteriores à aplicação são também muito importantes. Plantas que passaram por longos períodos em estresse hídrico, principalmente plantas que ficaram no campo na entressafra – assim como as plantas mais velhas –, também tem a absorção do produto dificultada por uma camada de cutícula mais espessa (CASTRO et al. 2009).

Utilização de óleos vegetais ou minerais

Diante disso, a utilização de óleos (vegetais ou minerais) junto à calda tem a função de auxiliar na absorção do produto pela planta. Uma das barreiras para a absorção do produto é a cutícula folhar. Esta cutícula é composta por lipídeos que têm pouca afinidade com a água; por outro lado, têm muita afinidade com o óleo (CHAMEL, 1986). Ao se envolver uma partícula de herbicida com óleo, esta terá maior facilidade de se mover por entre os lipídeos da cutícula, facilitando a absorção do herbicida pela planta, e melhorando a atuação do herbicida, principalmente naquelas plantas que apresentam a cutícula mais espessa. Por este fator, a utilização de óleos junto aos herbicidas é essencial, principalmente para aqueles casos onde se tem condições nas quais a planta tem dificuldade ou alguma limitação para a absorção do produto.

 

Figura 1.Controle de capim-amargoso perenizado após aplicação única de diferentes graminicidas com e sem o óleo emulsionável recomendado, aos 21 e aos 42 dias após a aplicação.

 

Referências

ABBOTT, L. B.; STERLING, T. M. Recovery of African rue seedlings from water stress: Implications for recruitment and invasion.

ABBOTT, L. B.; STERLING, T. M. African rue (Peganum harmala) seedling response to herbicides applied under water-deficit stress. Weed Science, v. 54, ed. 2, p. 198-204, 2006.

CASTRO, E. M.; PEREIRA, F. J.; PAIVA, R. Histologia vegetal: estrutura e função de órgãos vegetativos. Lavras: UFLA, 2009.

CHAMEL, A. Foliar absorption of herbicides: study of the cuticular penetration using isolated cuticles. Physiol. Veg., v. 24, p. 491-508, 1986.

KISSMANN, K. G. Plantas daninhas infestantes e nocivas. 1. ed. São Paulo: BASF, 1997.

NICOLAI, M.; MELO, M. S. C.; LÓPEZ-OVEJERO, R. F.; CHRISTOFFOLETI, P. J. Monitoramento de infestações de populações de capim-amargoso (Digitaria insularis)  suspeitas de resistência ao glifosato. In: CONGRESSO BRASILEIRO DA CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS, XXVII., Centro de Convenções, Ribeirão Preto, SP, 19 a 23 de julho de 2010. Anais..., Ribeirão Preto, SP: SBCPD, 2010. p. 943-946.

ROMAN, E. S.; VARGAS, L.; RIZZARDI, M. A.; HALL, L.; BECKIE, H.; WOLF, T. M. Como funcionam os herbicidas: da biologia à aplicação. Passo Fundo, RS: Editora Berthier, 2005.

SHIRATSUCHI, L. S.; FONTES, J. R. A. Tecnologia de aplicação de herbicidas. Planaltina, DF: EMBRAPA Cerrados, 2002.

 

 

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