Doenças na cana-de-açúcar: ferrugens Publicado em:

Neste material, você vai saber mais sobre:

Como as ferrugens afetam a cana-de-açúcar;

  • Formas de disseminação;
  • Sintomas causados;
  • Medidas de controle.

 


Na cultura da cana-de-açúcar, a importância das doenças é de difícil quantificação, pela diversidade das cultivares e das condições ambientais em que são exploradas, de forma que seus efeitos variam de local para local. Até hoje, foram identificadas 216 doenças que atingem a cana-de-açúcar, sendo que cerca de 58 foram encontradas no Brasil. 

Dentre estas doenças, pelo menos dez podem ser consideradas de grande importância econômica para a cultura. Abordaremos com mais detalhes duas delas: a ferrugem marrom (Puccinia melanocephala) e a ferrugem alaranjada (P. kuehnii).

 

Ferrugem marrom:  P. melanocephala

A ferrugem está presente em todas as regiões produtoras do Brasil e é encontrada em, aproximadamente, 64 países produtores. Conhecida há mais de 100 anos, a doença causa perdas de 50% nas variedades mais suscetíveis. 

A ferrugem da cana-de-açúcar é a doença de mais rápida disseminação. A importância econômica da ferrugem está ligada principalmente ao percentual de plantio comercial que representa a variedade suscetível na região afetada e pelas alterações provocadas, nos programas de melhoramento varietal, visando obter variedades resistentes. Estima-se que em variedades suscetíveis, quando as condições são favoráveis, as perdas na produção podem atingir de 20% a 50%. 

Disseminação


A disseminação do fungo se dá pelo vento, água, restos de cultura e objetos levados pelo homem. A dispersão dos esporos é relativamente rápida em temperaturas entre 28°C e 30°C. A infecção ocorre quando a umidade é superior a 70% e a temperatura está entre 20°C e 25°C. Os esporos podem permanecer viáveis por até cinco semanas em temperaturas entre 18°C e 28°C, perdendo rapidamente sua viabilidade em temperaturas superiores a 30°C.

Sintomas

Inicialmente, a doença manifesta-se sob a forma de pequenas manchas cloróticas nas folhas, alongadas, de coloração amarela pálida, visíveis em ambas as faces da folha. Estas lesões medem de 1 a 10 mm de comprimento por 1 a 3 mm de largura, e evoluem rapidamente, adquirindo uma coloração marrom (Figura 1), rodeadas por um halo amarelo pálido. 

Figura 1 - Pústulas (feridas) na face inferior da folha exibindo a massa de esporos do fungo. (Fonte: CTC.)

 

Os sintomas da ferrugem são mais evidentes nas primeiras etapas de desenvolvimento da doença, sendo bem menos perceptíveis ao final da epidemia, quando as plantas atingem maior grau de maturação. Os sintomas são mais severos em canaviais com 4 a 6 meses de idade, plantados em locais onde a umidade relativa permanece superior a 70%, por mais tempo. As variedades atacadas pela ferrugem reduzem seu crescimento e afinam seus colmos. 

Controle de ferrugem

Devido ao seu poder de disseminação, é praticamente impossível deter o avanço da ferrugem depois de constatados os primeiros focos. O uso de fungicidas é hoje inviável economicamente. O uso de variedades resistentes é sem dúvida o método mais eficiente e viável de se controlar a doença. Quase todos os programas de melhoramento de variedades possuem como preocupação que suas variedades melhoradas sejam resistentes à ferrugem.

Ferrugem alaranjada:P. kuehnii 

Da mesma maneira que a ferrugem marrom, a ferrugem alaranjada é uma doença causada por um fungo, sendo que no início da infecção só é possível notar a presença de manchas nas duas superfícies foliares. A evolução das manchas irá formar as pústulas, visíveis apenas na porção abaxial das folhas. 

Sintomas

É comum observar a junção de pústulas e a necrose de tecido foliar, principalmente nas pontas e bordas das folhas mais velhas (Figura 2). Também é corriqueiro observar o aparecimento de pústulas agrupadas próximo à bainha das folhas. A consequência do ataque é o subdesenvolvimento da planta e a transmissão dos esporos do fungo, que ocorre por meio do vento e da água. 

Figura 2 - Ferrugem alaranjada. (Fonte: CTC)

Controle

Recomenda-se o uso de variedades resistentes ou tolerantes, e o controle com fungicidas nas variedades suscetíveis.

 

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