A importância da tecnologia de aplicação no controle de plantas daninhas Publicado em:

Neste material você vai entender um pouco mais sobre:

  • A mobilidade dos herbicidas (sistêmico x contato) e sua relação com a tecnologia de aplicação. 
  • Cobertura do alvo.
  • Tamanho de gotas.
  • Número de gotas cm².
  • Uso de adjuvantes.

Controle de Plantas Daninhas


O controle de plantas daninhas não é uma tarefa simples, pois envolve uma complexidade de fatores que interferem de forma positiva ou negativa no resultado. A tecnologia de aplicação exerce um papel fundamental no controle químico de plantas daninhas.

A capacidade de movimentação do herbicida na planta é outro fator determinante para, no mínimo outros três, como o volume de calda, o diâmetro médio de gotas e o uso de adjuvantes na calda (CARVALHO, 2013). 

 

Tecnologia de Aplicação

A tecnologia de aplicação tem por definição o conjunto de conhecimentos que proporcionam a correta colocação do produto biologicamente ativo no alvo (MATUO, 1990), desde a formação da calda de pulverização até a deposição do ativo e a absorção pela planta daninha (Figura 1), influenciando na eficácia de controle dos herbicidas.

Figura 1. Processos ligados à tecnologia de aplicação, à formação da calda (formulações, misturas, adjuvantes) e às condições de aplicação (ambiente, alvo, equipamento). 

 A escolha e a adequação dos processos relacionados à tecnologia de aplicação (vazão, tamanho da gota, condições ambientais, dentre outros) devem levar em consideração, dentre outros fatores, as características dos herbicidas. 

 

Herbicidas Sistêmicos

Os herbicidas com ação sistêmica são aqueles absorvidos pelas folhas e ou raízes e apresentam capacidade de translocação via xilema e floema para as diferentes partes da planta. Outros têm ação não sistêmica, e atuam no local onde são depositados ou na região próxima, e não possuem capacidade de se translocar para outras partes da planta. Tais herbicidas são classificados como produtos de contato (MARCHI et al., 2008). Esta segunda classe demanda de alguns cuidados a mais durante a aplicação, são herbicidas que por sua característica não sistêmica demandam de uma cobertura uniforme (Figura 2) para a eficiência de controle (OLIVEIRA et al., 2011). 

Figura 2. Plantas daninhas após a aplicação do herbicida de contato inibidor do fotossistema I, demostrando diferentes níveis de cobertura do alvo, cobertura desuniforme (esquerda) e cobertura uniforme de toda planta (direita), evidenciando a importância da adoção de práticas agrícolas que maximizem a cobertura do alvo pelo herbicida para uma maior eficácia de controle das plantas daninhas.

 

Distribuição de Gotas

 A uniformidade de cobertura é caracterizada pela distribuição das gotas em uma determinada área. Isso pode ser afetado pela manutenção dos bicos, pela pressão e pela velocidade de trabalho do equipamento e volume de calda aplicado. Todos estes fatores interferem na qualidade da cobertura (Figura 3). 

Figura 3. Espectro de gotas e área coberta por diferentes pontas de pulverização na cultura do feijão, com o mesmo volume de calda (100 L/ha). 

 

Tamanho de gotas de aplicação 

O tamanho de gotas afeta diretamente a qualidade da pulverização, pois está relacionado à dinâmica da névoa produzida, influenciando no potencial de risco de deriva, na evaporação das gotas, na capacidade de penetração no dossel da cultura e na cobertura do alvo (ANTUNIASSI; BOLLER, 2011). Quando se trata de herbicidas de contato, a cobertura uniforme do alvo é indispensável para uma boa eficácia de controle, necessitando de uma densidade maior de gotas por cm² se comparados a herbicidas sistêmicos, como observado na tabela 1.

 

Tabela 1. Valores de cobertura (gotas/cm²) e tamanho de gotas (DMV), de acordo com o produto fitossanitário. Fonte: Márques (1997).

DMV= Diâmetro mediano volumétrico.

 

Adjuvantes

Tentando melhorar a cobertura, alguns adjuvantes podem ser utilizados junto à calda. Adjuvantes têm funções específicas e é preciso conhecer sua interação com a calda e com o meio antes de sua utilização (ROMAN et al., 2005). Dentre os adjuvantes, encontram-se os espalhantes adesivos, estes geralmente são utilizados visando aumentar a área de contato da gota com a superfície da planta, e agem principalmente quebrando a tensão superficial da gota, deste modo, proporcionando uma maior cobertura (JOHNSTONE, 1997) (figura 4). 

Figura 4. Influência do Adjuvante no espalhamento da gota em folhas de buva.


Porém, a utilização isolada destes adjuvantes implica em um resultado insatisfatório. A utilização desses produtos deve ser feita com diversos cuidados, como o volume de calda adequado, a regulagem e a manutenção dos equipamentos de aplicação, respeitando as doses de bula dos produtos e, principalmente, trabalhando com plantas daninhas em estágios iniciais de desenvolvimento, lembrando que o sucesso da aplicação é dependente do capricho com que ela é realizada (figura 5).

Figura 5. Plantas daninhas pós-colheita da soja em diferentes níveis de exposição, influenciando diretamente na cobertura pelas gotas de pulverização.

 

O sucesso no controle das plantas daninhas com herbicidas, sejam eles de contato ou sistêmicos, depende do conhecimento dos fatores que interferem de maneira direta ou indireta na qualidade da aplicação, e da interpretação das condições da área e do meio para o correto ajuste da prática, visando maior eficácia biológica dos herbicidas.


Referências:

ANTUNIASSI, U. R.; BOLLER, W. Tecnologia de aplicação para culturas anuais. Passo Fundo, RS: Aldeia Norte/FEPAF, 2011. 279 p.

CARVALHO, L. B. Plantas daninhas. Lages, SC: Edição do Autor, 2013. 82 p.

JOHNSTONE, D. R. Spreading and retention of agricultural sprays on foliage. In: VAN VALKENBURG, W. (ed.). Pesticide formulations. New York: Marcel Dekker, 1973. 481 p. 

MARCHI, G.; MARCHI, E. C. S.; GUIMARÃES, T. G. Herbicidas: mecanismos de ação e uso. Planaltina, DF: EMBRAPA Cerrados, 2008. 36 p. 

MÁRQUEZ, L. Tecnologia para la aplicación de productos fitosanitarios. Madrid: Universidad Politecnica de Madrid, 1997. 96 p.

MATUO, T. Técnicas de aplicação de defensivos agrícolas. Jaboticabal: FUNEP, 1990. 139 p.

OLIVEIRA, R. S.; CONSTANTIN, J.; INOUE, M. H. Biologia e manejo de plantas daninhas. Curitiba, PR: OMNIPAX, 2011. 348 p.

ROMAN, E. S.; VARGAS, L.; RIZZARDI, M. A.; HALL, L.; BECKIE, H.; WOLF, T. M. Como funcionam os herbicidas: da biologia à aplicação. Passo Fundo, RS: Editora Berthier, 2005.

 

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