Falta de chuvas afeta a semeadura de soja

Publicado em: 17/02/2022
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De todos os fatores intrínsecos à produção, o clima é aquele de mais difícil controle e de maior ação sobre o desenvolvimento adequado ou não das culturas.

Neste contexto, a limitação hídrica é a principal causa da variabilidade dos rendimentos de grãos observados de uma safra para outra.

Para a cultura da soja, a disponibilidade de água é muito importante durante todo o ciclo, especialmente no período de semeadura/emergência.A semeadura em solo com insuficiência hídrica prejudica o processo de germinação – quando a semente precisa absorver no mínimo 50% de seu peso em água –  podendo torná-lo mais lento, expondo as sementes por mais tempo às pragas e aos patógenos do solo e reduzindo a chance de obtenção da população de plantas desejada. Estes fatores caracterizam o período de semeadura/emergência como um período crítico, no qual a disponibilidade de água no solo é fundamental.

Em várias regiões do estado do Rio Grande do Sul, a falta de chuvas regulares vem prejudicando o andamento da semeadura da safra 2020/21 de soja. Segundo a Emater, a semeadura da soja atinge 31% do total da área estimada no estado

Portanto, a semeadura segue atrelada à ocorrência de chuvas pelo estado, como na região de Bagé e Ijuí, em que, na primeira parte da segunda semana de novembro, ainda foram realizadas semeaduras nas áreas mais baixas, ou onde o volume de precipitações foi mais elevado, com redução gradativa da operação até sua interrupção pela falta de umidade no solo.Este contexto fez com que os produtores adotassem um comportamento cauteloso devido aos baixos volumes de precipitações indicados nas previsões meteorológicas para o período.

A falta de precipitações regulares no Rio Grande do Sul também dificulta o avanço da semeadura de milho e afeta o desenvolvimento de alguns cultivos já implantados.Todavia, mesmo assim já atinge 78% da área total estimada. Já nas lavouras implantadas nas encostas do rio Uruguai depois do dia 10 de agosto, que se encontram mais adiantadas, e em início de pendoamento, as perdas já ultrapassam 30%. Alguns produtores começam a destiná-las à alimentação animal.Nas lavouras com propósito de silagem, há também perdas significativas de massa verde e qualidade dos grãos.

Já no Mato Grosso, de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a semeadura da soja avançou bastante nas últimas semanas: foram 6,01 milhões de hectares semeados em 14 dias. A aceleração da semeadura foi possível devido aos maiores volumes de chuva e ao preparo do produtor, fechando em mais de 80% da área total semeada. Porém, em comparação com a safra 2019/20, ainda há um atraso na semeadura, o que leva à projeção de uma safra mais tardia em 2020/21.

O Imea ainda ressalta que a concentração da semeadura em um período curto pode ser um problema no momento da colheita, já que essa operação também irá se concentrar, e caso coincida com um período de muita chuva, pode afetar as operações a campo e prejudicar a qualidade do grão. Entretanto, no momento, a preocupação do produtor está voltada para a previsão de chuva nos próximos dias e para a fase reprodutiva, pois períodos de estiagem, mesmo que curtos, podem afetar a produtividade da cultura.

 

Fontes:

Informativo Conjuntural n° 1632, de 12 novembro de 2020. Emater/RS-Ascar. Gerência de Planejamento. Núcleo de Informações e Análises. Porto Alegre: Emater/RS-Ascar, 2020.

Boletim Semanal – Soja. 06 de novembro de 2020/ nº 627. Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Cuiabá/MT. 2020


Autor(a)
Dr.ª Margarete Manuele Siqueira Silva

Dr.ª Margarete Manuele Siqueira Silva

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