Conheça o microbioma de solos brasileiros e suas aplicações para as culturas de outono: Resumo da Palestra

Publicado em: 16/02/2022
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O tema microbioma do solo foi abordado no webinar dConheça o microbioma de solos brasileiros e suas aplicações para as culturas de outono, realizado pelo Dr. Marcus Adonai Castro da Silva, Dr. André de Oliveira Silva e Lima e Dr. Fernando Dini Andreote, realizado no dia 19/5/21. Os especialistas debateram este tema e as funcionalidades que os microrganismos do solo tem, apresentaram uma ferramenta de análise genética que auxilia no conhecimento dos microrganismos presentes no solo e trouxeram estudos de caso para as culturas da batata e do trigo, usando esta ferramenta.
Vamos listar aqui um resumo dos principais pontos debatidos ao longo da conversa:



O que é Microbioma

O microbioma é o conjunto biológico que coloniza o sistema do solo, atua em vários processos importantes, como na disponibilização de nutrientes, com a fixação de nitrogênio, solubilização de fósforo e mineralização. Atua na estruturação dos agregados do solo, pela incorporação de material orgânico ao solo, na produção de agentes cimentantes e na formação de bioporos. Além da interação com as plantas, promovem seu crescimento e contribuem na sua proteção contra estresses abióticos, pragas e doenças. 
Assim, podemos ver que toda estruturação e o funcionamento do solo apresenta relação estreita com o microbioma que ali está inserido. O manejo realizado neste solo pode ser potencializado por estes microrganismos, o que promove condições ainda melhores para o desenvolvimento das culturas. Cabe a nós sabermos como usar este potencial ao nosso favor e por meio dos manejos adequados estimular ainda mais a parte biológica do solo, seja por meio da rotação de culturas, uso de produtos biológicos, melhoramento genético, entre outros.

Microbioma e os manejos


É preciso saber identificar se os manejos adotados estão beneficiando o microbioma ou se estão prejudicando. Fazemos isso por meio de indicadores. Para a parte biológica do solo, temos alguns indicadores que podemos adotar e que são mais práticos, que quando observados, nos permitem perceber que o manejo adotado está surtindo efeito positivo. Entre eles podemos destacar: a menor incidência de pragas e doenças, maior ciclagem de nutrientes, melhor e maior estruturação do solo e melhor enraizamento das plantas. 
Estes indicadores, somados a outros, resultam em maior produtividade, pois criam um ambiente mais confortável à planta, que consegue se desenvolver e mostrar todo seu potencial produtivo, uma vez que as perdas em decorrência de estresse são minimizadas nestas condições.

Existem outros meios de saber como está a microbiota do solo? 

Sim. Podemos conhecer os microrganismos presentes no solo por meio do isolamento da comunidade microbiana e pela análise genética. Este último permite conhecer o microbioma do solo por meio do DNA destes microrganismos, passando por de três etapas:  
1° coleta de amostra de solo; 
2° sequenciamento do DNA dos microrganismos;  
3° identificação dos microrganismos presentes na amostra.
Quando conhecemos os microrganismos presentes no solo, podemos compreender quais são as funcionalidades deste microbioma, ou seja, as suas competências. Assim, podemos fazer uso destas informações para tomar decisões de manejo mais assertivas. 
Por meio de um banco de dados, também é possível comparar os resultados de diferentes amostras advindas de diferentes sistemas de produção agrícola e, a partir daí, fazer as melhores escolhas.

Sistemas produtivos e como afetam o microbioma do solo

Com este conhecimento podemos compreender como cada sistema produtivo afeta o microbioma do solo e também definir os melhores manejos para cada condição. 
Para o trigo, por exemplo, considerando a aplicação de dois tipos de fertilizantes, o mineral e o orgânico, podemos inferir, por meio da análise genética, sobre como cada fertilizante impacta nos processos que ocorrem no solo e no microbioma. 
O fertilizante mineral estimula mais os processos relacionados à ciclagem de nitrogênio do que o fertilizante orgânico. Já para o ciclo do carbono, o uso de fertilizantes minerais promove maior liberação de matéria orgânica. 
O que podemos tirar destas informações quanto à tomada de decisão? Os microrganismos do solo são muito influenciados pela matéria orgânica do solo, então, no sistema, se usamos os fertilizantes orgânicos, temos menor perda de matéria orgânica e, consequentemente, os microrganismos serão beneficiados. Ou ainda, no caso de sistemas onde o objetivo é o sequestro de carbono, o uso de fertilizantes orgânicos constituem a melhor opção.


Autor(a)

Elevagro Plataforma

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