Caracterização de espécies leguminosas forrageiras - Parte 2

Publicado em: 17/02/2022
Compartilhe:

Principais forrageiras leguminosas

Neste material, você vai conhecer um pouco mais sobre:

  • As características das principais forrageiras leguminosas
  • Cornichão e trevos

As plantas utilizadas para a produção de forragem apresentam características peculiares que as distinguem de outras espécies vegetais, tais como, a alta capacidade de rebrote, a tolerância ao pisoteio e a produção de sementes
A utilização das leguminosas forrageiras promove um incremento na produção e na qualidade dos produtos de origem animal (ex.: carne, leite e seus derivados), aumentando o valor nutritivo, a qualidade bromatológica e, principalmente, a fração proteica. Estes fatores em conjunto culminam na diversificação da dieta fornecida ao animal. Deste modo, seguem as descrições das características agronômicas das espécies forrageiras leguminosas, salientando sua importância na alimentação animal e no manejo.

CORNICHÃO (Lotus corniculatus L.)

Pode ser implantado predominantemente nas condições temperadas, pois é uma espécie rústica que suporta solos ácidos, aclimata-se a climas frios do Rio Grande do Sul e possibilita elevada produtividade e qualidade da forragem.

Figura 1. Cornichão (Lotus corniculatus L.). Fonte: Acervo pessoal – Luís Felipe Lima.

Figura 1. Cornichão (Lotus corniculatus L.). Fonte: Acervo pessoal – Luís Felipe Lima.

Dentre os benefícios, esta espécie forrageira não causa timpanismo; possibilita ressemeadura natural e o consórcio com algumas gramíneas de inverno; proporciona a execução de vários cortes, desde que sejam respeitados os critérios da altura.


Figura 2. Cornichão (Lotus corniculatus L.). Fonte: Acervo pessoal – Luís Felipe Lima.

Figura 2. Cornichão (Lotus corniculatus L.). Fonte: Acervo pessoal – Luís Felipe Lima.

TREVO BRANCO (Trifolium repens L.)

Espécie forrageira oriunda da Europa. Expressa ciclo perene ou bienal. Proporciona ressemeadura natural, apresenta-se amplamente cultivado no mundo, com preferência por temperaturas intermediárias entre 5 ºC e 30 ºC. Evidencia elevada aceitabilidade pelos animais, tolera o pisoteio, tem alta produtividade e qualidade proteica da forragem, além de crescimento agressivo, capacidade competitiva, tolerância ao frio e alta exigência por fertilidade. Dentre as desvantagens, não tolera déficits hídricos prolongados e causa timpanismo. 

TREVO PERSA (Trifolium resupinatum L.)

Oriunda do mediterrâneo, esta espécie forrageira caracteriza-se por ter ciclo anual de estação fria. As plantas adaptam-se a solos úmidos e pesados, com baixa exigência em fertilidade, apresentam-se fixadores de nitrogênio atmosférico, podem causar timpanismo, proporcionam ressemeadura natural, podem ser utilizados como pastejo direto, corte e feno.

TREVO SUBTERR NEO (Trifolium subterraneum L.)

Apresenta ciclo anual, sendo cultivada no inverno. Suas plantas evidenciam hábito de crescimento prostrado, adapta-se a climas com invernos pronunciáveis (7 a 13 ºC) e verões secos e quentes (20 a 30 ºC). É altamente dependente da fertilidade do solo, principalmente de fósforo; rústicos, com rápido crescimento, toleram o pisoteio, produzem forragem com elevada fração proteica e muito palatável.

TREVO VERMELHO (Trifolium pratense L.)

Oriunda da Europa e da Ásia, possui ciclo bienal e perene. Esta espécie revela excelente ressemeadura natural, o que permite sua perenização; revela rápido estabelecimento inicial com elevado vigor em seu crescimento; é considerada altamente timpânica (presença de estrogênios), demonstra a formação de uma coroa superficial, que é altamente susceptível ao pisoteio; propicia maiores produtividades no primeiro ano, devido ao ciclo longo, e tem excelente valor nutricional, mas é altamente exigente em fertilidade do solo.

TREVO VESICULOSO (Trifolium vesiculosum L.)

Caracterizado como uma espécie de ciclo anual e destinada ao cultivo no inverno, tem capacidade de produzir forragem por um longo período, revela ressemeadura natural, tolera a seca, pode ser utilizada para o melhoramento de campos nativos, não tolera solos ácidos com baixa fertilidade e necessita de solos bem drenados. Apresenta alta digestibilidade, tolerância ao pisoteio; é raramente timpânico; pode ser utilizado em consórcio e tem excelente capacidade fixadora de nitrogênio atmosférico.

Referências
CARVALHO, I. R.; SOUZA, V. Q.; NARDINO, M.; OLIVEIRA, A. C. Resultados experimentais em plantas forrageiras. Porto Alegre: Cidadela, 2016. (v. 50).CARVALHO, I. R.; SZARESKI, V. J.; DEMARI, G.; SOUZA, V. Q. Produção e cultivo de espécies forrageiras. Porto Alegre: Cidadela, 2018. (v. 100).


Autor(a)

Dr. Danieli Jacoboski Hutra
Dr. Ivan Ricardo Carvalho
Leonardo Cesar Pradebon
Marlon Sarturi

MATERIAIS MAIS ACESSADOS:
VOCÊ PODE GOSTAR: