Com a previsão de baixa frequência de chuvas, o que cuidar para aplicar fungicidas?

Publicado em: 17/02/2022
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Soja: o monocultivo e os patógenos

O monocultivo de soja é uma tradição na agricultura. A maior rentabilidade da oleaginosa, frente aos baixos preços dos outros grãos, obriga o produtor a semear esse mesmo hospedeiro todo ano.

Com isso, o aumento de doenças causadoras de manchas foliares cresce significativamente, associado com o risco de ferrugem. A manutenção de patógenos pela monocultura e o conhecimento de que a ferrugem já vem causando prejuízos na Bolívia e no Paraguai mantém a necessidade de aplicações de fungicidas na soja brasileira.

Figura 1. Lavoura de soja em desenvolvimento que quando cultivada em monocultivo, possibilita o aumento de doenças.

Previsão de menor disponibilidade hídrica: o que afetará?

No entanto, algumas previsões de baixa frequência de chuvas nestes primeiros meses poderão direcionar a um erro de entendimento técnico da situação.

Figura 2. A expectativa de falta de chuvas não pode ser motivo para diminuir a preocupação com a ocorrência de doenças.

Quando essa informação é vinculada na mídia, geralmente o produtor deixa de fazer sua aplicação no momento correto, por acreditar que no período seco a doença não estará presente.

A menor disponibilidade hídrica afeta diretamente a dispersão do patógeno, porém, não tem a capacidade de eliminá-lo.

Dessa forma, infecções iniciadas sob estresse hídrico dificilmente conseguem ser controladas no retorno das chuvas. Isso porque com a volta da umidade, o grande volume de esporos é maturado e disperso, ficando apto a novas infecções. Além disso, a entrada na lavoura para refazer as aplicações é dificultada.


Existe risco de fito?

Por outro lado, há o receio de que essas aplicações possam causar fitotoxidades. A fitotoxidade é uma resposta da planta a um estresse combinado, no qual o produto responde por apenas uma pequena parte do efeito.

Figura 3. Soja com sintomas de fitotoxidade, condição que preocupa o produtor.

É preciso observar, ainda, o estádio da planta, a água disponível e a tecnologia de aplicação, por isso, o tema é tão complexo.

Plantas em estádios reprodutivos passando por períodos de estresse hídrico, com aplicações realizadas nos horários mais quentes e secos do dia tornarão a expressão da fitotoxidade inevitável.

Em contrapartida, deixar a aplicação para depois tornará a epidemia incontrolável.

Por isso, se o produtor enfrentar esta situação, é preciso reposicionar sua aplicação, trabalhando com períodos amenos mais longos, como a noite. Aplicações noturnas reduzem significativamente o risco de fitotoxidade, por tornar a penetração do produto mais lenta.

Vale destacar que nas aplicações noturnas devem ser evitados o momento do final da madrugada (nictinastia) ou de chuva na manhã seguinte.

A associação deste fungicida com mancozebe auxilia ainda mais na redução do estresse oxidativo da planta, tornando a fitotoxidade praticamente imperceptível.


Autor(a)
Dr.ª Margarete Manuele Siqueira Silva

Dr.ª Margarete Manuele Siqueira Silva

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