As carboxamidas são produtos estreitamente dependentes de correto posicionamento, de maneira preventiva, em função do mecanismo de ação e pela dinâmica dos ativos na planta:

  1. Mecanismo de ação: a fase de germinação de esporos e emissão de tubo germinativo, na superfície da folha do hospedeiro, é uma das fase de alta demanda de energia oriunda da respiração do patógeno. Dessa forma, para aumentar o desempenho, os fungicidas SDHI devem estar presentes antes do esporo chegar à folha, pois atuam bloqueando o processo respiratório do fungo.
  2. Dinâmica na planta: as carboxamidas são produtos com baixa solubilidade e com logPow alto, ou seja, constituem moléculas mais lipofílicas, com atração por ceras. Assim sendo, terão translocação reduzida na planta, ficando retidas nas camadas cerosas da cutícula. Quando posicionadas de maneira erradicativa terão dificuldade de atingir o sítio-alvo do fungo apresentando queda de desempenho.

   carboxamidas

Figura: Momento correto para o posicionamento das carboxamidas.

 

 

Estratégias importantes de uso

            Os produtos contendo carboxamidas devem ser utilizados em momentos de alta sanidade da planta, de maneira preventiva em relação ao patógeno. Além disso, o uso de produtos com diferentes mecanismos de ação em mistura, pode aumentar o espectro de ação, sendo os fungicidas protetores multissítio uma ótima opção. Importante também é a alternância de fungicidas com diferentes mecanismos de ação entre aplicações. Deve-se readequar os intervalos entre aplicações a fim de evitar a entrada ou evolução da doença na cultura. Além disso, será extremamente importante repensarmos o Manejo Integrado da Doença, utilizando cultivares mais tolerantes, estratégias culturais como época de semeadura, nutrição de plantas, controle de plantas hospedeiras e buscarmos melhorar constantemente a tecnologia de aplicação de forma a melhor a distribuição do produto sobre a planta.

 

O que não fazer

            Existem políticas que vêm orientando o uso de, no máximo, duas aplicações de produtos com carboxamidas, por ciclo da cultura. Então, recomenda-se que não sejam utilizadas mais do que duas aplicações e que tais aplicações não sejam posicionadas em estádios avançados da cultura, com alta severidade da doença, de maneira erradicativa. Outro ponto importante diz respeito a dose desses produtos. Em situações de redução de eficácia não se deve aumentar a dose, pois isso intensifica a seleção de isolados, cada vez mais resistentes. Deve-se evitar aplicações em condições ambientas desfavoráveis, na qual a relação produto x planta é prejudicada, afetando negativamente o desempenho do produto.

 

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